Estudantes desconhecem Hino Nacional

A cultura de cantar o Hino nacional vem se perdendo ao longo do tempo. Mesmo com a proximidade do dia 7 de Setembro, data da Independência do Brasil, muitos estudantes descnhecem a letra  ou sabem apenas um trecho do Hino.

A justificativa é que nas escolas onde estudaram não existe a prática de cantar o Hino nacional semanalmente.

O Congresso Nacional aprovou uma lei em 2009, obrigando a todos os estabelecimentos públicos e privados de ensino fundamental, executar ao menos uma vez por semana o Hino Nacional do Brasil. Ainda assim é fácil encontrar escolas que não cumprem a lei.

A Tribuna da Bahia  foi às ruas para saber se os estudantes sabem o hino. A maioria dos entrevistados não sabe, ou sabe apenas um pequeno trecho.  “Eu estudei sete anos na mesma escola e só cantei duas vezes. Fica difícil para o aluno aprender por ser muito longo”, disse o professor Athieles de Jesus. A estudante Jessiane Araújo sabe cantar, porém afirma que aprendeu quando criança, na escola. “Através do hino as pessoas ficam sabendo mais da história do país”, observa. “Não sei cantar, e na escola, na época que eu estudava não tinha esse costume”, afirmou Larissa Lima, também estudante.

O Colégio Parque, situado no Cabula, é dos poucos que cultiva a tradição de cantar o Hino Nacional no pátio. Marcelo Sacramento, Diretor do colégio, falou sobre a importância de cultivar essa tradição no ambiente escolar. “É um exercício que existia no país e foi deixada de lado, mas muitas instituições não perderam essa prática, como o Colégio Parque, que há 30 anos, toda segunda-feira, no turno da manhã e à tarde, reúne o corpo docente, a diretoria e os alunos para rezar o Pai Nosso e cantar o Hino Nacional”, relatou.

Ele explica que na instituição além do Hino, aproveita-se o momento para falar sobre assuntos importantes da semana e a diretoria passa uma mensagem de cidadania.

“Acaba sendo um momento de reflexão. Os estudantes refletem sobre suas ações como cidadãos e discutimos a importância de zelar pelo bem público. Essa prática diária, na minha ótica, é a base para fortalecer o caráter de todo cidadão. O adolescente que cresce com essa tradição de coletividade e cidadania se torna um adulto mais atento as questões sociais, menos individualista”, ressalta Marcelo Sacramento.

“Mesmo sem a lei, já tínhamos essa prática porque acreditamos na tradição que foi passada pela fundadora da escola, a professora Zilmar Sacramento Araújo”, concluiu.

A diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Bahia (APLB Sindicato), Marilene Betros, explica que por conta da ditadura militar, o nosso processo de democracia e resgate da nossa história é recente. “Vivemos um longo período de ditadura militar onde era negado o direito de pensar do povo. Se você questionasse algo era tido como subversivo, alguém que estava ferindo a ordem nacional. Os valores passaram a ser impostos pelos militares. Antigamente exista uma disciplina chamada OSPB para monitorar o pensamento dos estudantes. Então o nosso processo de democracia é jovem ainda, estamos reconstruindo esse sentimento patriota”, disse.

Betros destaca a relevância do incentivo de cantar o Hino. “É importante que o hino seja difundido. O hino da cidade de Salvador, por exemplo, poucos conhecem. O Hino a Dois de Julho, que marcou a história da independência do Brasil, porque foi a Bahia que começou a luta pela independência do país. É um hino que destaca o processo de luta. A luta na Bahia contribui para a liberdade do Brasil”, disse.

A professora disse ser preciso ter um processo de revisão histórica nas salas de aula. “É preciso uma revisão na historicidade brasileira, para que assim se conte a história verdadeira”.

Fonte: Tribuna da Bahia


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