Exército mata ao menos 95 ao dispersar protestos da Irmandade no Egito

Violência se espalha para outras cidades do país e governo interino decreta estado de emergência

 
Forças de segurança egípcias lançaram nesta quarta-feira, 14, uma megaoperação para expulsar partidários do presidente deposto Mohamed Morsi das ruas do Cairo. Com tanques, helicópteros e atiradores de elite, a polícia abriu fogo contra os manifestantes.  O Ministério da Saúde fala em 95 mortos e 785 mil feridos. A Irmandade Muçulmana, que lidera o protesto, em mais de 200 vítimas. Líderes do grupo foram detidos e o governo interino decretou estado de emergência por um mês. Os bancos foram fechados.

A operação começou às 7h, no horário local. Testemunhas da operação dizem ter ouvido tiros de fuzis enquanto uma nuvem branca de bombas de gás lacrimogêneo se misturava com a fumaça preta de pneus queimados pelos manifestantes. A menor das duas concentrações de partidários da Irmandade, na Praça Nahda, perto da Universidade do Cairo, foi dispersada primeiro.

A polícia reprime outra mobilização, essa maior, na mesquita Rabaa al-Adawiya, no subúrbio de Nasr City. Para defender o local, membros da Irmandade ergueram barricadas nas ruas e lançaram coquetéis molotov e pedras contra a polícia.
“Isso é sórdido, eles estão destruindo nossas barracas. Nós não podemos respirar e muitas pessoas estão no hospital”, disse Ahmed Murad, membro da Irmandade Muçulmana, no limite do acampamento, onde o grupo tinha colocado sacos de areia na expectativa de uma invasão policial.

Imagens de televisão egípcia mostraram médicos usando máscaras de gás e óculos de natação enquanto tentavam tratar os feridos. Dois membros das forças de segurança egípcias foram mortos a tiros enquanto tentavam dispersar os manifestantes, de acordo com a agência estatal de notícias.

O governo defendeu a operação. O porta-voz do Conselho de Ministros Sherif Shauqi leu um comunicado do Executivo no qual afirmou que perseguirão “os arruaceiros” para proteger as propriedades do povo. Além disso, o governo pediu à Irmandade Muçulmana que pare de estimular seus seguidores a prejudicarem a segurança nacional.

“O executivo atribuirá aos dirigentes dos Irmãos Muçulmanos a responsabilidade total de qualquer sangue derramado e de todo o caos e a violência atual”, advertiu o porta-voz.

Mortos. Ainda não há um número exato de mortos e os dois lados divulgaram dados divergentes. A Irmandade Muçulmana diz que o massacre deixou mais de 100 mortos. O Ministério da Saúde conta 60 vítimas e 8,8 mil feridos. Os confrontos se espalharam para outras cidades, como Alexandria e Fayoum, onde 9 pessoas morreram. Ali, Partidários de Morsi atacaram pelo menos duas delegacias de polícia e incendiaram veículos policiais em frente a uma delas, disseram testemunhas. Também houve confrontos em frente ao gabinete do governador provincial.

Um cinegrafista britânico do canal Sky News foi morto nos protestos. Mick Deane tinha 61 anos e já tinha trabalhado como correspondente nos EUA, além do Egito. Segundo o canal, o resto da equipe não foi ferida. O premiê-britânico David Cameron lamentou a morte de Deane.

A dura repressão policial reflete a divisão na sociedade egípcia entre os islamistas partidários da Irmandade Muçulmana e grupos seculares que defendem o golpe de Estado dado pelos militares contra Morsi em julho. Grupos de direitos humanos denunciaram ataques contra cristãos coptas no sul do Egito, que teriam ocorrido em represália à operação contra a Irmandade. A operação aconteceu após o fracasso de esforços internacionais para mediar um fim a um período de seis semanas de impasse político.

Fonte: Estadão


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