Família de Geovane desiste de novo exame: “Estou cansado”

Exame comparativo comprova que corpo carbonizado é de Geovane. Pai já admite desistir de novos exames e afirma que quer logo enterrar o filho. Previsão é de que o corpo seja sepultado domingo

Um exame de DNA confirmou que o corpo encontrado no Parque São Bartolomeu, no último dia 3, e a cabeça achada em Campinas de Pirajá, no dia seguinte, são de Geovane Mascarenhas Santana, 22, desaparecido desde o dia 2, depois de ser colocado por PMs das Rondas Especiais (Rondesp) no porta-malas de uma viatura, após uma abordagem, na Calçada.

A informação é do Departamento de Polícia Técnica (DPT), que comparou um pedaço do tecido da mão de Geovane, encontrada junto com a cabeça num terreno baldio  em Campinas de Pirajá, no último dia 4, com tecido do corpo localizado no dia anterior, no Parque São Bartolomeu, no Subúrbio Ferroviário.

Para se chegar à afirmação de que a mão é de Geovane, foi feito um exame de papiloscopia (análise de impressões digitais), cujo resultado foi divulgado na sexta-feira passada. O DPT realizará uma entrevista coletiva às 9h30 de hoje para esclarecer os procedimentos adotados na perícia. Na apresentação, será divulgada a data de liberação do corpo.

Familiares de Geovane, porém, foram informados por funcionários do DPT que o corpo estará disponível para sepultamento na quinta ou sexta. “Mas a gente vai deixar lá e pegar domingo pela manhã, por que a nossa intenção é levar direito para o interior (Serra Preta, no Centro-Norte do estado, onde outros parentes foram enterrados)”, disse Jamille Santos, mulher de Geovane.

“Quero é acabar logo com isso, com esse sofrimento”, declarou o pai de Geovane, o comerciante Jurandy Silva de Santana, 40, que ontem à noite afirmou  ter desistido de um exame comparativo entre o corpo e amostras de DNA dos parentes. “Não há mais o que discutir. Estou cansado”. Até segunda-feira, o comerciante não estava satisfeito apenas com o exame de comparação entre o corpo e a mão. Ele chegou a procurar a Defensoria Pública do Estado, que ficou de pedir ao DPT um novo exame.

Saga
Ontem pela manhã, Jurandy esteve no Instituto Médico Legal (IML) pela 9ª vez desde que começou a procura pelo filho. Ele foi atendido pelo diretor Paulo Peixoto. “Ele (Paulo) disse que o corpo é de Geovane. Meu filho foi decapitado e mutilado. Ele disse que quem fez isso tentou evitar a identificação”, declarou. Na conversa com o diretor  do IML, Jurandy teve outra confirmação sobre a tatuagem que Geovane tinha na costela esquerda. “O diretor analisou o corpo e disse que a tatuagem foi arrancada para dificultar a identificação”.

O comerciante já suspeitava, pois recebeu uma foto  do corpo  quando ainda estava no Parque São Bartolomeu. Na imagem,  o cadáver aparece com um corte extenso na costela onde estava a tatuagem.

Segurança
A juíza Ângela Bacelar, do 1º Juízo, da 1ª Vara do Tribunal Júri,  decretou a prisão temporária por 30 dias dos três policiais envolvidos no desparecimento de Geovane. Eles aparecem nas imagens de uma câmera de segurança que registrou a abordagem. São eles: o subtenente Cláudio Bonfim Borges, comandante da guarnição, e os soldados Jailson Gomes de Oliveira e Jesimiel da Silva Resende — todos lotados na Companhia de Rondas Especiais da Baía de Todos os Santos (Rondesp/BTS).

Segundo a polícia, Jailson e Jasimiel já respondem a processos judiciais nas 1ª e 2ª Varas de Justiça por auto de resistência — quando agentes de segurança matam em alegados confrontos. Os dois estão lotados na PM há pelo menos 11 anos. Já Cláudio, policial há 21 anos, é o único que não tem o nome associado a ações judiciais desse tipo. Os três estão detidos no Batalhão de Polícia de Choque, em Lauro de Freitas, desde sexta-feira.

Hoje, às 10h, Jurandy é aguardado na sede da Secretaria da Justiça e Direitos Humanos do Estado (SJCDH), no CAB. O superintendente de Direitos Humanos da secretaria, Ailton Ferreira, estuda incluir a família  no Programa de Proteção a Testemunha (Provita).

“Ele tem medo, mas alegou que ainda não foi ameaçado. Caso se sinta ameaçado, terá
de comunicar à Defensoria, ao Ministério Público  ou  outros órgãos envolvidos no processo”, explicou Bethânia Ferreira, coordenadora da Defensoria Pública.

Fonte: Correio da Bahia


Compartilhe:

Comentários: