Família decide doar córneas de garoto atingido por bala perdida no Pero Vaz

O corpo de Jeferson Henrique Ramos Freitas, 9 anos, será sepultado na tarde desta sexta-feira (8), na Quinta dos Lázaros

A família de Jeferson Henrique Ramos Freitas, 9 anos, que morreu após ser baleado durante uma tentativa de assalto a um mercadinho, no bairro do Pero Vaz, decidiu doar as córneas do garoto. “É como se eles estivesse vivo em outra pessoa”, disse o pai de Jeferson em entrevista à TV Bahia sobre o transplante. O corpo do garoto será sepultado na tarde desta sexta-feira (8), no Cemitério Quinta dos Lázaros, em Salvador.

Além de Jeferson, outras duas pessoas foram baleadas durante a troca de tiros entre o segurança do mercadinho, apontado como policial, e uma dupla armada. As outras vítimas são a irmã do garoto, identificada como Jéssica Carolina Ramos Freitas, 13, ferida no pé, assim como um idoso de 64 anos, que não teve o nome informado.

Ao ver as crianças baleadas, o gerente — que não teve o nome divulgado — sofreu um infarto e foi socorrido para um hospital particular, onde morreu, segundo informação são da 37ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Liberdade).

Desde a noite de ontem, a Travessa  1º de Maio, onde os irmãos moram, está interditada. No início da tarde desta sexta-feira, um grupo iniciou um protesto no local atenado fogo a objetos e lixo despejados das caixas coletoras. Equipes da Polícia Militar estão no local acompanhando a manifestação.

Até o início desta tarde, o segurança do mercadinho não havia sido identificado nem se apresentado à polícia.

Tentativa de assalto
Na hora do assalto, por volta de 15h30, Jeferson voltava da escola acompanhado de Jéssica. Uma tia de Jeferson, que não quis ter o nome divulgado, disse ter ido até ao Colégio Nossa Senhora da Boa Fé, onde um filho seu também estuda. Segundo ela, eles voltam juntos até a entrada da Travessa 1º de Maio, onde os irmãos moram. Após deixá-los na esquina, ouviu os disparos e correu para casa. Em seguida, Jéssica, já baleada no pé, voltou correndo, pedindo socorro, dizendo que o irmão tinha morrido.

“Ela já estava sangrando quando gritou. Pus meu filho dentro de casa e quando voltei para ver o que tinha acontecido já estavam colocando Jefinho e outro senhor dentro de um carro. Colocamos Jéssica dentro e levaram para o hospital”, contou. Todos foram socorridos ao Hospital Ernesto Simões.

Por volta das 17h30, oito homens encapuzados arrombaram a porta do supermercado com o Fiat Uno e puseram fogo no veículo. As chamas atingiram outro carro, também Fiat Uno, que estava estacionado na porta do mercado.

“Temos informações de que foram oito homens encapuzados e armados que arrombaram a porta da loja e atearam fogo no carro. As informações só poderão ser confirmadas após as investigações da Polícia Civil, mas  não acreditamos que a autoria tenha sido de populares”, explicou o comandante da 37ª CIPM, major Edmilton Reis.

No início da noite de ontem, cerca de 200 moradores se reuniram em frente ao mercado contra a morte de Jeferson e pedindo Justiça.

Oito viaturas da PM acompanhavam a manifestação, que terminou por volta das 20h40. Na hora que foi baleado, Jeferson carregava nas mãos uma rosa e jujubas que daria para a mãe como presente do dia das mães.

Fonte: Correio da Bahia


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