Frutas reduzem em até 40% o risco de infarto

Pesquisa confirma o que cardiologistas e nutricionistas aconselham diariamente seus pacientes: consumo diário de frutas reduz o risco de doenças cardiovasculares (DCV) e aponta um percentual de redução  em até 40%. Para a médica Lucélia Magalhães, membro do Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Cardiologia, secção Bahia (SBC-BA), é importante que as pessoas comam frutas antes, depois ou durante  as três refeições do dia.

A pesquisa foi apresentada no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, no início da semana pela professora Du Huaidong, de Oxford, Reino Unido. Durante sete anos ela acompanhou 0,5 milhão de pessoas no Biobanco Kadoorie, na China, deduzindo que os que mais ingeriam frutas possuíam menos risco de contrair doenças cardiovasculares.

Recentes dados da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) sobre doenças cardiovasculares na Bahia são alarmantes cerca de  35% da população baiana com idade acima de 40 anos tem hipertensão arterial, o que corresponde a cerca de 1,3 milhão de hipertensos.

 E também as crianças não ficam de fora, pois um levantamento feito pelo Sistema de Informação da Atenção Básica (Siab) do Ministério da Saúde revelou que dos 964.045 casos de hipertensos no Estado da Bahia, no ano passado, 430 representam crianças de 0 a 14 anos.
De acordo com a cardiologista da SBC, há muita preocupação dos especialistas em relação ao aumento das doenças cardiovasculares no estado, que apresentam como causas principais: sedentarismo, estresse, obesidade ou gens familiares. As principais  são o infarto, derrrame (Acidente Vascular Cerebral), insuficiência cardíaca e embolia pulmonar.

Por isto deve ser feita uma prevenção assídua e uma delas é a ingestão de frutas constantemente. “As frutas são fundamentais para se evitar estas doenças, aliadas a uma alimentação saudável com pouca gordura e sal”, alertou, apontando uma seleção de frutas de suma importância para serem ingeridas.

Dentre estas, o melão que possui pouco açúcar e muito potássio. Ela explica como a substância  age no organismo das pessoas, principalmente beneficiando quem possui doenças vasculares. “Com o potássio, as células se contraem bem. Ele faz com que o fluxo sanguíneo melhore e as células fiquem mais secas”.

O consumo de maçã, abacaxi, bem como de frutas ricas em vitamina C: acerola, caju e as mais escuras como jaboticaba, as vermelhas, a exemplo de morango e cereja também têm a sua importância.

 “Elas possuem antioxidantes, substâncias formadas por vitaminas, minerais, pigmentos naturais e outros compostos vegetais que bloqueiam o efeito danoso dos radicais livres e evita o envelhecimento”, indicou a cardiologista.

As frutas secas: uva, banana e ameixa passas também foram colocadas pela especialista como ótimas para ingestão. O motivo é porque “ajudam a eliminar as toxinas, as gorduras e regulam o funcionamento do intestino porque têm muitas fibras”, concluiu.

Pesquisa
O estudo da professora Du Huaidong, de acordo com O Globo,  incluiu 451.681 participantes sem história de doença cardiovascular e que não estivessem em tratamento anti-hipertensivo na linha de base a partir do Biobanco Kadoorie na China, realizado em 10 diferentes áreas da China, 5 rural e 5 urbana. O consumo habitual de frutas foi registrado no início do estudo de acordo com cinco categorias: nunca, mensal, 1-3 dias por semana, 4-6 dias por semana, diariamente.

Durante o acompanhamento no período de sete anos havia 19.300 casos de DIC e 19.689 AVC (14.688 isquêmicos e 3.562 hemorrágicos). Cerca de 18% dos participantes consumiam frutas diariamente e 6,3% nunca consumiram frutas. A quantidade média de frutas comidas pelos consumidores diários foi de 1,5 porções (em torno de 150g).

Os pesquisadores descobriram que, em comparação com pessoas que nunca comeram frutas, aqueles que comiam frutas diariamente cortam os riscos de DCV em 25-40% (cerca de 15% para as doenças isquêmicas do coração (DIC), cerca de 25% para AVC isquêmico e 40% para os AVC hemorrágicos). Houve uma relação dose-resposta entre a frequência de consumo de frutas e do risco de doenças cardiovasculares.

Fonte: Tribuna da Bahia


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