Funcionários dos Correios fazem apitaço no primeiro dia de greve

O primeiro dia de greve dos funcionários dos Correios foi marcado por manifestação realizada em frente ao prédio central da instituição, na Pituba, onde deste às 9h dessa quarta-feira (18/9) um apitaço chamou a atenção de quem passava. Com a ajuda de um carro de som, os manifestantes apresentaram à população a pauta reivindicatória da categoria.

Representados pelo Sincotelba (Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do Estado da Bahia), entidade vinculada a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresa de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), instituição que defende os direitos da categoria a nível nacional, os trabalhadores baianos resolveram na noite da última terça-feira aderir ao movimento geral.

A presidente da Sincotelba, Simone Soares Lopes, estima que cerca de 60% dos profissionais aderiam à paralisação, considerando a capital e o interior do estado. No entanto, de acordo com a assessoria de comunicação da instituição, 85,31% dos trabalhadores dos quase 6 mil e 300 empregados da Bahia saíram as ruas normalmente, conforme aponta a apuração feita através do sistema eletrônico de presença.

De acordo com nota divulgada, “a A ECT continuará aplicando medidas do seu Plano de Continuidade de Negócios para garantir a entrega de cartas e encomendas e o atendimento em toda rede de agências. Entre as ações estão a realização de horas extras, mutirões para entrega nos fins de semana e deslocamento de empregados entre as unidades”.

Segundo Simone, desde o início das negociações nacionais em julho deste ano, nenhum avanço foi feito em relação as reivindicações da categoria, entre elas, as solicitações de ganho real de 15%, a reposição de 20% referentes a perdas salariais e o reajuste linear de R$ 200. Ainda de acordo com a sindicalista, nem as exigências relativas a melhorias nas condições de trabalho foram sequer consideradas pelos gestores da instituição.

“Nós pedimos a mudança do horário de trabalho dos carteiros, por conta do sol forte do período de 13 horas, que geralmente é quando conseguimos iniciar a distribuição das correspondências, mas nem isso foi considerado”, lamentou. Ela explicou que a chegada das correspondências ocorre a partir das 9h, quando começam a ser separadas e distribuídas para os profissionais, só sendo possível a entrega nas residências no início da tarde. “Trabalhar durante este horário é horrível, principalmente para a saúde das pessoas. Aqui em Salvador que tem o clima consideravelmente ameno já é difícil, no interior do estado, no sertão mesmo, é quase insuportável”, relatou.

Ainda sobre a situação dos trabalhadores no interior no estado, Simone lembrou que em municípios mais distantes como Teixeira de Freitas, os malotes das correspondências só chegam à agência dos correios a partir da 11h, atrasando ainda mais o trabalho de quem realiza a entrega. Em Salvador, a rotina no prédio administrativo do órgão, na Pituba, continua funcionando normalmente. Conforme informou o sindicato, o quadro de funcionários administrativos já tem histórico de não aderir aos movimentos reivindicatórios.

O movimento nacional também quer a contratação de mais profissionais e a criação de plano de carreira dentro a instituição.  “Quem entra como carteiro, continua na mesma situação para sempre. Nós temos um grande contingente de profissionais formado em diversas áreas, mas não há valorização destas pessoas. Isso acaba causando uma rotatividade muito grande dos funcionários, deixando o quadro quase sempre defasado, apesar de novas contratações”, continua a sindicalista.

Já a gestão dos Correios informou que foi apresentada uma proposta de acordo que contempla, “além do reajuste de 8% nos salários (reposição integral da inflação do período de 6,27% mais ganho real de mais de 1,7%), manutenção de todos os benefícios com reposição da inflação integral do período (6,27%), vale-extra no valor de R$ 650,65, a ser creditado em dezembro, vale-cultura dentro das regras de adesão ao programa implementado pelo Governo Federal”, no entanto, não teria sido aceita pela Fentect, na última tentativa de conciliação, realizada no Tribunal Superior do Trabalho, mediada pelo vice-presidente do TST, Ministro Antônio José de Barros Levenhagen. O Tribunal Superior do Trabalho  já sorteou o relator do dissídio, ministro Fernando Eizo Ono, que deverá analisar e julgar a causa em breve.

Fonte: Tribuna da Bahia

Imagem: Ilustração


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