Greve dos servidores da UFPR faz alunos almoçarem pão com queijo

Para driblar a falta de refeições, foi criado o ‘sanduba solidário’.
Biblioteca só abre duas vezes por semana, e alunos improvisam espaços.

A greve dos servidores técnico-administrativos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) tem causado problemas para os estudantes, que ficam sem acesso a serviços da instituição, como o Restaurante Universitário. Com a paralisação, que já dura 40 dias, os estudantes do Centro Politécnico, emCuritiba, têm à disposição apenas um pão com queijo para comer na hora do almoço.

Além da UFPR, a greve abrange funcionários da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Instituto Federal do Paraná (IFPR) e da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), e é por tempo indeterminado. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público de Curitiba, Região Metropolitana e Litoral do Estado do Paraná (Sinditest), são 2,9 mil funcionários em todo o estado. Algumas das principais reivindicações são o piso de três salários mínimos, a antecipação da parcela do reajuste que está programada para 2015, e a revogação das leis que criaram a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) e Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público (FUNPRESP).

Desde o início da greve, em 20 de março, o Restaurante Universitário deixou de servir as refeições diárias. A partir de então, os alunos precisaram buscar a alimentação fora da UFPR, como explica o estudante de Engenharia Mecânica Eduardo Henrique Costa. “A gente gastava R$ 1,30 por dia no Restaurante Universitário, só que agora temos de procurar os restaurantes próximos daqui, que são mais caros. Agora, não gastamos menos que R$ 10 por dia pelo almoço”, reclama.

Para tentar driblar o problema, a UFPR instituiu o chamado “Sanduba Solidário”, que consiste em servir um pão com queijo, na hora do almoço. O estudante de Engenharia Elétrica Leandro de Oliveira lamenta a condição. “É complicado, a gente faz como pode, e estamos sobrevivendo assim”, falou. Para receber o pão com queijo, os alunos precisam apresentar a carteira de estudante.

A fim de atenuar o problema, os alunos fizeram um abaixo-assinado que reuniu 1,5 mil assinaturas em dois dias, e assim conseguiram autorização para usar o restaurante do Campus do Jardim Botânico, que fica na outra margem da BR-476, que corta o local e fica a cerca de um quilômetro de distância. Mas isso criou outro problema. Com a ida de alunos de dois centros para o mesmo restaurante, a fila para o almoço é enorme todos os dias, conforme contam os alunos.

Estudantes improvisam local de estudo com carteiras e mesas que seriam descartadas (Foto: Thiago Techy/G1)

Estudantes improvisam local de estudo com carteiras e mesas que seriam descartadas (Foto: Thiago Techy/G1)

Pouco acesso à biblioteca
Outro serviço que está prejudicado com a greve é o da biblioteca do Centro Politécnico, que abre apenas duas vezes por semana: terça-feira das 8h às 14h e quarta-feira das 14h às 20h.

Sem o acesso à biblioteca, em que cabem mais de 300 pessoas, os alunos usam salões e corredores para estudar fora do horário de aula. Mesas que foram substituídas nas salas e seriam descartadas viraram apoio para livros e cadernos. O estudante de Engenharia Mecânica, Fernando Schreider Júnior, conta como a situação tem atrapalhado. “Antes a gente tinha a biblioteca, carteiras. Aqui a gente não tem tomada, não tem como fazer trabalho, estudar, não dá para fazer nada”, relata. A estudante Vanessa de Oliveira, que utiliza o salão que fica na frente da entrada da biblioteca, diz que a procura por lugares é grande. “É no banco [que conseguimos ficar]. Às vezes nem no banco a gente acha lugar pra sentar”, conta.

A Universidade Federal informou que o Restaurante Universitário do Centro Politécnico deve reabrir semana que vem, após o término de uma reforma no piso. Quanto à biblioteca, a assessoria da Universidade disse que há uma reunião agendada para esta semana entre a reitoria e a direção do espaço, para que se iniciem as conversas a fim de disponibilizar novamente o local de estudos aos alunos. O Sinditest, por sua vez, disse que não há reuniões programadas com o governo para negociar o fim da greve.

Fonte: G1


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