Guerra em iminência: Coreia do Norte ameaça destruir Japão

O país irá celebrar três datas importantes para o regime nesta semana: qualquer uma delas pode ser o motivo necessário para iniciar um conflito

As Forças Armadas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul elevaram ontem o nível de alerta para ‘Watchcon-2’, com indicações de ameaça vital, ante a possibilidade de um lançamento de mísseis da Coreia do Norte. A decisão foi tomada horas após o ministro sul-coreano das Relações Exteriores, Yun Byung-se, dizer que possuía informações obtidas em conjunto com os EUA, de que os norte-coreanos preparam um exercício com foguetes de longo alcance.

Segundo o governo sul-coreano, o míssil usado deve ser o Musudan, que tem alcance de 4 mil quilômetros. Desse modo, poderia atingir não só a Coreia do Sul, mas também Japão e, eventualmente, Guam, ilha no oceano Pacífico que pertence aos Estados Unidos e possui uma base militar.

Para Seul e os Estados Unidos, o exercício deverá acontecer “a qualquer momento” desta semana, em que os norte-coreanos comemoram três datas importantes para o regime: o  um ano de ascensão do ditador Kim Jong-un, os 20 anos de início do governo de Kim Jong-il e o aniversário do primeiro dirigente, Kim Il-sung.

Em discurso no Parlamento, o chanceler sul-coreano pediu ajuda à Rússia e à China que intercedam em relação à Coreia do Norte para aliviar a tensão na região. Os dois países vizinhos possuem forte influência sobre o regime de Kim Jong-un.

A Coreia do Sul e o Japão reforçaram suas defesas aéreas e marítimas esta semana como prevenção contra um ataque norte-coreano. Navios foram colocados em regiões dos mares Amarelo e do Japão, assim como baterias de mísseis de interceptação foram instaladas em cidades dos dois países, incluindo Tóquio.

A Coreia do Norte ameaçou ontem transformar o Japão em um “campo de batalha”, com possíveis ataques a suas principais cidades, entre elas Tóquio, Osaka e Kioto, caso os japoneses produzam movimentos que provoquem o início de um conflito armado.

Também nesta quarta terminou o prazo dado por Pyongyang para os corpos diplomáticos estrangeiros saírem do país. A recomendação foi feita na sexta-feira passada.

Calma
Mesmo com a tensão nos discursos e em ações, a situação nas duas capitais da península coreana é tranquila. Em Seul, os escritórios e o comércio funcionam normalmente, assim como a Bolsa de Valores.

Do outro lado da zona desmilitarizada, o principal assunto comentado é o feriado que será comemorado esta semana, com as lembranças aos ditadores Kim Il-sung e Kim Jong-il, avô e pai de Kim Jong-un.

A imprensa estatal concentrou seus informes nas preparações para a festa em Pyongyang. Segundo a agência de notícias KCNA, os norte-coreanos “estão fazendo seu melhor”.

Entenda como começou o conflito
A tensão entre Coreia do Sul e Coreia do Norte tem origem na divisão de poder global após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Durante o processo de ocupação das áreas tomadas pelo Japão – ex-aliado nazista -, os Estados Unidos ficaram com o sul da Península Coreana, enquanto a União Soviética estabeleceu suas tropas no norte.

Em 1949, os norte-coreanos decidiram tentar unificar as Coreias e declararam guerra ao Sul. A guerra acabou em 1953, mas nunca houve tratado de paz. Assinou-se apenas uma trégua.

Nas décadas seguintes, ambos os países continuaram investindo em suas Forças Armadas. O Sul  focou no treinamento das tropas e aquisição de caças e tanques.

O Norte desenvolveu um programa nuclear, o que elevou as tensões e provocou sanções por parte da ONU. Parte da agressividade da Coreia do Norte pode ser atribuída à constante necessidade de ajuda internacional.

Fonte: Correio da Bahia

Imagem: Ilustração

 


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