Homem que estuprou menino de 6 anos tem pena reduzida porque criança seria gay

Inconformados, alguns vizinhos tentaram atear fogo a casa do suspeito. Família soube da liberação pela imprensa

Em uma decisão polêmica, a Justiça de Buenos Aires, na Argentina, reduziu a pena de um homem condenado a seis anos de prisão por abusar de um menino de seis anos. Mario Tolosa cumpriu três anos e dois meses, mas conseguiu o relaxamento da pena no ano passado. Tolosa foi libertado após os juízes justificarem que o menino já teria sido violentado antes e ainda sugerem que ele teria “comportamento homossexual”.

Segundo a Folha de S. Paulo, inconformados, alguns vizinhos tentaram atear fogo a casa de Tolosa na noite de segunda-feira (18). “Um homem subiu na casa à noite, queria botar fogo em tudo”, disse Francisca Rodriguez, vizinha do acusado. “Depois disso, ele, a mulher e o filho foram embora.”

O agressor foi denunciado pela avó da criança, em 2010. Tolosa era dirigente do clube Florida de Loma Hermosa e levava as crianças para jogar futebol. Ainda de acordo com a publicação, um dia, o menino chegou em casa queixando-se à avó de dores nas partes íntimas. Dias depois, uma tia contou que ele teria falado ao primo, enquanto os dois brincavam: “Te pago dois pesos e você me chupa”.

A avó e a tia acharam estranho e, ao ser questionado, ele acabou revelando os abusos que ocorreram no vestiário.

“Quando a história se espalhou, ele [Tolosa] veio tirar satisfação aqui na porta de casa. Quando o menino o viu, deu três passos para trás e fez xixi nas calças. Os vizinhos pegaram ele [Tolosa], lhe deram uma surra e só não lhe atearam fogo porque a avó pediu que não o fizessem”, disse Osvaldo, que se apresentou como padrasto da vítima e pediu que seu sobrenome não fosse divulgado, para não constranger ainda mais o menino.

O menino teria “comportamento homossexual”
Hoje com 11 anos, a vítima sente vergonha do que aconteceu. Segundo o padrasto do menino, ele não é gay e tem namorada. “Minha mulher apareceu de costas na TV e ele implorou para que não voltássemos a aparecer. Não quer que ninguém saiba”, disse.

Eles moram a três quadras da casa do suspeito, mas não sabiam da liberação até que o despacho dos juízes Horacio Piombo e Benjamín Sal Llargués fosse divulgado. A comunidade pressiona pelo afastamento dos juízes. A promotoria recorreu à Suprema Corte, e Piombo foi afastado da universidade onde dava aulas.

Em 2011, os mesmos juízes abrandaram a pena de um pastor acusado de abusar de duas adolescentes, de 14 e 16 anos. Eles argumentaram que elas pertenciam a um nível social mais baixo, em que se aceitariam relações sexuais mais jovens.

“Colocar um violador nas ruas? Ele voltará a abusar de alguém. E ainda dizem que a culpa é do menino”, disse Olga Ramirez, que mora em frente à escola onde tudo teria acontecido, há cinco anos.

Fonte: Correio da Bahia


Compartilhe:

Comentários: