Insegurança com Fies pode afetar vestibulares de meio do ano

Ao todo, 200 mil alunos dependeriam do financiamento do Governo Federal para poder começar a estudar no segundo semestre.

As provas do vestibular de meio do ano estão chegando e a insegurança em relação ao Fies, se o governo vai ou não abrir novos contratos, deve mexer com o número de matrículas. Ao todo, 200 mil alunos dependeriam do financiamento público para começar a estudar no segundo semestre.

Já tem aluno nervoso muito antes de fazer a prova e já tem universidade com medo das matrículas e das receitas caírem. O Fies não está garantido e a taxa de juros do financiamento dos bancos é muito alta. Algumas universidades até criaram um sistema próprio de financiamento – para não perder aluno. Está todo mundo fazendo contas.

Bruna Soeiro não tem só cara de estudiosa. Ela foi bolsista desde os 9 anos até terminar o Ensino Médio. Agora, está prestando vestibular para publicidade em duas faculdades bem conceituadas e bem caras de São Paulo. Uma custa mais de R$ 3 mil por mês. Por isso, a meta da Bruna não é só entrar na faculdade. “Meu plano A é tentar primeiro lugar com bolsa de 100%”.

O plano B é conseguir uma bolsa do Prouni. O plano C, voltar para o cursinho. Ela tem medo de pedir empréstimo para fazer faculdade e depois não conseguir pagar.

Por enquanto, ninguém sabe se o governo vai abrir ou não contratos novos do Fies no segundo semestre. Essa dúvida deve mexer com o número de matrículas.

Segundo a associação que representa as universidades particulares, 200 mil estudantes dependeriam do Fies para começar a estudar no meio do ano. “Certamente o número de estudante vai diminuir no segundo semestre. As instituições estão subsidiando juros, de modo que o aluno tenha uma taxa semelhante à do Fies para que ele possa ter adesão a essa modalidade de ensino. Mas essa situação não vai se esclarecer a curto prazo”, afirma Sólon Caldas.

Alexandre Mendes queria, mas não conseguiu se inscrever no Fies no começo do ano. Ele mora em Cuiabá e está estudando para ser advogado. Por enquanto, a família dá um jeito. “Os meus pais estão trabalhando bastante para poder pagar a faculdade. Pesa bastante no orçamento da família, porque minha mãe é professora e professores não ganham muito”, conta.

Está cheio de estudante de cabeça quente, fazendo conta. E não é a matemática da apostila, mas de juros, número de parcelas, total da dívida a ser paga com um salário que ainda nem dá pra saber de quanto vai ser. Tem que estudar direitinho esses números para ver qual o melhor jeito de financiar o curso superior.

Uma faculdade de Araras, no interior de São Paulo, criou um programa de crédito. O aluno paga meia mensalidade durante o curso e a outra metade, depois que se formar.

Também dá financiar em bancos, mas fique de olho na taxa de juros. Se a mensalidade de um curso com duração de quatro anos custar R$ 700 e você deixar metade para depois, sem juros, vai se formar devendo R$ 16.800, ou 48 parcelas de R$ 350. Com taxa de 2% ao mês, a dívida passa de R$ 27 mil e 48 parcelas de R$ 905.

“Cuidado com contratos que vão sendo renegociados, com contratos que, lá na frente, a instituição pode colocar juros maior do que o mercado está demandando. Não aposte que ficar inadimplente ou qualquer coisa assim é uma situação passageira, não é. Em geral é uma bola de neve que traz imensos prejuízos, em particular, para quem está começando uma carreira”, afirma William Eid Junior.

O estudante que fizer aderir ao financiamento tem que pensar também se a profissão que escolheu vai dar retorno financeiro imediato, para que ele possa começar a pagar o curso assim que se formar.

Fonte: G1 / Bom dia Brasil


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