Instituto de Robótica vai construir na Bahia robôs com inteligência artificial

Em 2014, a Bahia vai começar a lançar no mercado robôs com tecnologia de inteligência artificial.  O equipamento pioneiro será o Power Line Inspetion Robot. Já em fase de protótipo, a máquina marcará a estreia do Instituto Brasileiro de Robótica (BIR, da sigla em inglês), inaugurado ontem no Senai Cimatec, do Sistema Fieb, da Federação das Indústrias do Estado da Bahia. O BIR é fruto de um investimento de R$ 18 milhões, financiados pelo BNDES, a serem quitados com os recursos dos próprios inventos. O novo serviço está sendo desenvolvido em conjunto com o German Research Center of Artificial Inteligence (Centro de Pesquisa Alemão para Inteligência Artificial), voltado também para a difusão de novas tecnologias.

De acordo com o presidente da Fieb, José de Freitas Mascarenhas, pesquisadores baianos e alemães farão intercâmbio. Já está prevista a ida de profissionais do estado para a sede da instituição parceira, na cidade de Bremen (ALE). Além de colaborar no desenvolvimento da indústria baiana, o BIR vai aperfeiçoar a formação de mão-de-obra, de acordo com Mascarenhas. “Muitas pessoas pensam que o robô tira emprego. Pelo contrário. Ele aumenta a produtividade, gerando assim mais emprego”, assinalou Mascarenhas.

A solenidade contou com a presença do secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Paulo Câmera – que representou o governador Jaques Wagner, e o diretor do centro de pesquisas da Alemanhã, Frank Kirchner. A meta do instituto será agregar entre 100 a 150 pesquisadores nas áreas de robótica e inteligência artificial, tornando-se referência na América Latina em cinco anos e um dos 10 melhores em uma década.

Coordenador do BIR, Marco Reis explicou que o Power Line – também  vai atuar em ações perigosas para o ser humano, como inspeções em subestações e linhas de transmissão de alta tensão (o protótipo foi testado em uma de 60 mil volts). “Este serviço hoje é muito caro, é feito de helicóptero. A inteligência artificial pode melhorar a confiabilidade do sistema elétrico e ajudar a evitar apagões”, disse o diretor-regional do Senai, Leone Peter. O robô será utilizado também em inspeções de subestações.

Segundo Marco Reis, já há demandas para as áreas automotiva e também de um veículo subaquático (que se difere do submarino por ser não tripulado).

“O veículo subaquático pode ser usado na pesquisa de pré-sal, mas também em outras áreas, como meio ambiente e segurança”, afirmou. Reis não informou quais outros projetos já estão alinhavados com indústrias, mas admitiu que negociações estão em andamento. Peter afirmou que os projetos combinarão avanços em inteligência artificial, robótica, reconhecimento de padrões, visão e automação.

Pesquisas e tecnologia

O instituto também desenvolverá tecnologias nas áreas de agroindústria, mineração e saúde. “O lnstituto Brasileiro de Robótica terá duas importantes vertentes de atuação”, acrescentou Mascarenhas. “Buscar soluções para tarefas complexas na indústria, incluindo desenvolver no prazo de quatro anos, o primeiro veículo subaquático autônomo (inteligente) desenvolvido e fabricado no Brasil, a ser utilizado na área de petróleo e gás; e desenvolver e pesquisas que irão expandir o conhecimento em robótica e inteligência artificial no Brasil”, a ideia, explicou, é reunir no espaço de estagiários a doutores.

O coordenador do Cimatec, Daniel Mota, avalia que o novo serviço  trará muitas oportunidades para o estado, que ampliará sua participação na busca nacional por inovação. “Tem muita coisa a ser feita no Brasil  na pesquisa em robótica e inteligência artificial”, afirmou. Outro projeto, já enviado ao Conselho Nacional de Educação, é transformar as faculdades do Senai Cimatec na UniSenai, que oferecerá mais alternativas de capacitação, desde cursos técnicos até doutorados.

O BIR está instalado no Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia, o Senai-Cimatec, inaugurado em 2002. Estruturado em dois prédios prontos e mais dois módulos em construção, o centro já gerou 32 pedidos de patente, seis registros de marca e 18 programas de computadores (softwares) desenvolvidos. Realiza 70 projetos, em 17 áreas, entre elas microeletrônica, biotecnologia, petroquímica e construção civil.

Fonte: Tribuna da Bahia

Imagem: Ilustração


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