Jovem tenta rota alternativa para evitar engarrafamento na Avenida Brasil e é morto por bala perdida

Jonas chora a morte do filho, na frente do IML

Um jovem morreu atingido por uma bala pedida ao fazer uma rota alternativa para fugir de um engarrafamento na Avenida Brasil, na altura de Tomás Coelho, Zona Norte do Rio, no fim da tarde desta quarta-feira. Segundo informações da polícia, o vidraceiro Vamilson Oliveira de Andrade, de 29 anos, passava em seu Fiesta preto pelas proximidades da Favela Terra Nostra, em Guadalupe, onde traficantes rivais trocavam tiros. Um dos disparos atravessou o para-brisa e acertou o rapaz na cabeça. Ele morreu na hora.

O padrasto de Vamilson, Cristóvão Amâncio da Silva, de 40 anos, também estava no carro e conseguiu escapar. Ele não se feriu. Segundo o depoimento dele a policiais, ele e o enteado iam para Nilópolis, na Baixada Fluminense. Na altura da Estrada do Camboatá, o trânsito na Avenida Brasil estava parado e Vamilson decidiu “cortar caminho”. Por isso, ele acabou passando perto da favela.

‘Mais um número’

O pai de Vamilson, Jonas Batista de Andrade, de 53 anos, esteve na manhã desta quinta-feira no Instituto Médico-Legal (IML) para liberar o corpo do filho. Para ele, o rapaz foi uma vítima da falta de liberdade que os cariocas têm para circular na cidade:

– A sensação é de impunidade. Não temos liberdade nem para sair do trabalho e ir com tranquilidade para casa. Para a família, fica a dor. Para o governo, ele é mais um número.

A madrasta de Vamilson, Tania da Silva, de 53 anos, contou que o rapaz trabalhava com o pai e o padrasto na vidraçaria da família, no Centro do Rio. Os três voltavam juntos para casa. Vamilson deixou o pai em Inhaúma, na Zona Norte do Rio, e seguia para Nilópolis, onde mora a família. Ela conversou com Cristóvão. Segundo o padrasto, nem ele nem Vamilson ouviram os tiros ao passar perto da Favela Terra Nostra porque os vidros do carro estavam fechados e o rádio, ligado no jogo do Flamengo.

– Ele disse que só percebeu que algo errado acontecia quando o Vamilson tombou sobre o volante e o carro se desgovernou, batendo numa mureta – disse Tânia.

De acordo com ela, depois de saltar do carro, Cristóvão recebeu ajuda de passageiros de um ônibus que também passava pelo local. Ele se abrigou numa casa. Com o corpo de Vamilson ainda no carro, bandidos ainda tentaram saquear o veículo. O Fiesta foi recuperado pela polícia.

– Ele nunca tinha feito aquele caminho antes. Passou na hora errada, no local errado. Foi uma fatalidade, em primeiro lugar. Mas aqui a gente erra um caminho e não sabe nunca o que vai encontrar pela frente – disse a madrasta.

Segundo Tânia, Vamilson era um “meninão” e gostava de brincar com os três filhos, de 7, 10 e 12 anos. O enterro do vidraceiro será às 17h desta quinta-feira no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, naquele bairro da Zona Norte.

Fonte: G1 / Extra


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