Mãe de menina torturada por padrasto é presa em Araçatuba, SP

Justiça decretou a prisão de Sara de Andrade Ferreira, de 21 anos.
Segundo decisão, há indícios de que ela participou das situações de tortura.

Mãe foi presa na tarde desta quinta-feira (9) (Foto: Reprodução/ TV TEM)

A mãe da menina que foi torturada em Araçatuba (SP) pelo padrasto, Sara de Andrade Ferreira, de 21 anos, foi presa na tarde desta quinta-feira (9) depois de a Justiça decretar a prisão preventiva da mulher. Sara, que foi presa na casa de um parente, deve ser transferida nos próximos dias para a cadeia de General Salgado (SP).

O advogado da Sara, Rodrigo Rister de Oliveira, disse que vai entrar com pedido de revogação da prisão preventiva.

Segundo a decisão da Justiça, existem sérios indícios de que Sara filmou, fotografou e participou de todas as situações praticadas contra a filha e que a mãe não tomou nenhuma atitude para impedir as condutas do padrasto, o empresário Maurício Moraes Scaranello, de 35 anos. Ainda segundo a decisão, manter Sara solta é colocar em risco a integridade física da filha.

Em depoimento para a polícia na semana passada, a mãe nega que tenha participado dos vídeos e que não sabia que a filha sofria tortura do padrasto. Em entrevista à reportagem da TV TEM (veja ao lado), Sara disse que não sabia o que o padrasto fazia com a filha. “Tudo que estão falando tem me magoado, porque ninguém conhece meu coração, as pessoas estão falando que eu sabia dos vídeos, eu não sabia de maneira nenhuma. Foi um susto pra mim, demonstra que eu não conhecia a pessoa com quem eu morava. Tudo isso está sendo um choque pra mim. Os vídeos têm sido um choque pra mim, procuro nem ver televisão porque isso me magoa demais.”

A Polícia Civil concluiu na sexta-feira (3) o inquérito que investiga a violência contra a garota. Maurício e Sara foram indiciados pelos crimes de tortura e por guardar material considerado pornográfico da criança.

Maurício deu depoimento à polícia nesta quarta-feira (Foto: Reprodução / TV TEM)O empresário Maurício Scaranello foi preso na casa onde mora, em um condomínio de luxo em Araçatuba (SP), no último dia 26 de setembro. A polícia disse que a menina estava trancada sozinha dentro de um quarto e que encontrou fotos da enteada nua no celular dele. O empresário foi transferido na tarde desta quarta-feira (8) para a penitenciária de Tremembé (SP). A informação foi confirmada pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). Segundo a secretaria, ele permanecerá em regime de observação, ou seja, separado dos demais presos por 10 dias; neste período, só receberá visitas de advogados.

Já sobre a guarda da menina, que está em um abrigo sob cuidados do Conselho Tutelar, psicólogos e assistentes sociais do Tribunal de Justiça já começaram a estudar e avaliar as condições do pai, Anderson Luiz de Souza, e da avó materna da menina. Os dois, que pediram na Justiça a guarda da menina, já receberam visitas para o estudo psicossocial. Um casal de tios da mãe da criança também entrou com o pedido de guarda, mas a Justiça ainda não avaliou as condições desses parentes. A menina está desde quarta-feira, 1º de outubro, em um abrigo deAraçatuba aguardando a decisão da Justiça.

Segundo o advogado do pai, Vitor Donisete Biffe, a vistoria na casa de Anderson, de 35 anos, já foi realizada para saber se a menina terá condições de ir para a casa do pai. “Segundo o pai, deu tudo certo na vistoria. Acredito que esta ação dos irmãos é uma tentativa de manter a criança perto da mãe. Não vejo motivo de tirar do pai a guarda e passar para um parente mais distante”, afirma o advogado. Anderson entrou com pedido de guarda da criança no último dia 30 de setembro.

O pai da menina torturada pelo padrasto visitou a filha no último fim de semana em um abrigo cuidado pelo Conselho Tutelar. O funileiro Anderson Luiz de Souza, de 35 anos, disse que a menina ainda aparenta estar traumatizada com o que aconteceu. “Ela está bem melhor, mas um pouco traumatizada ainda. Ela está bem mais quieta do que o normal, mas ela não perguntou a razão de estar no abrigo”, afirmou.

Vídeos
A polícia divulgou os vídeos da criança sendo torturada pelo padrasto. Em um deles, ela aparece amarrada pelas pernas com fita adesiva. Maurício fala para a menina andar e ri quando ela cai no chão. Em outro vídeo, o empresário grita e assusta a menina, que estava cochilando. Ele também tenta abrir à força os olhos da criança.

Outra gravação mostra a menina dormindo no carro, presa pelo cinto de segurança. Como a cabeça dela balança de um lado para o outro, por causa do movimento do carro, o padrasto brinca falando que a menina ficou com sono após tomar uísque. Desta vez, quem está filmando é a mãe da menina, a jovem Sara de Andrade Ferreira, de 21 anos.

A mãe perdeu a guarda da filha depois que que um laudo da perícia feita no computador e nos celulares do casal mostrou que ela também participava de alguns vídeos.

Scaranello já prestou depoimento duas vezes. Segundo informações da delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher, Luciana Pistori, o padrasto disse, em depoimento, que os vídeos faziam parte de uma brincadeira. “O padrasto disse que era tudo uma brincadeira e em nenhum momento ele queria judiar da criança. Acho que ele tinha consciência das atitudes que tomou”, afirmou.

Tapa na testa

A polícia divulgou no dia 2 de outubro mais vídeos da menina gravados pelo padrasto. Em um deles a criança chora pedindo mamadeira, mas o empresário se recusa e diz que só vai dar se ela o chamar de “papai”. No outro, o empresário canta uma música e ao final dá um tapa na testa da menina.

A polícia também encontrou no celular do empresário vídeos onde ele impede a criança de dormir e dá cebola à menina dizendo ser maçã.

O laudo do Instituto Médico Legal, divulgado na quarta-feira (1º), apontou que a menina teve lesões causadas por cola de alta adesão. O documento confirma o teor da denúncia que levou à prisão do empresário. Mas, em depoimento à polícia ao ser preso, ele afirmou que a existência de cola na menina era fruto de um “acidente”.

O laudo traz informações detalhadas das partes do corpo da menina atingidas pela cola e atesta também que ela não sofreu nenhum tipo de abuso sexual. O resultado foi anexado ao inquérito.

Fonte: G1


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