Mais de 2 mil mulheres já foram vítimas de violência na Bahia somente este ano

Cresce o número de mulheres agredidas, em Salvador, por seus maridos, companheiros ou ex-relacionamentos. Somente em 2012 foram atendidas 4.058 mulheres vítimas de violência e no primeiro semestre deste ano cerca de 2.122 casos. Constam os bairros de Pernambués, Brotas, Cajazeiras e Sussuarana como recordistas em número de agressões.

Os dados são do Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública da Bahia (Nudem) que apresenta, hoje às 10h,  à Comissão dos Direitos da Mulher, da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), na Sala José Armando, um relatório sobre violência contra mulher na Bahia.

De acordo com a Defensoria Pública da Bahia, o núcleo foi criado em 2008  e desde então atendeu 13.500 casos de violência e o mais terrível é que mais da metade destas mulheres convivem com o inimigo porque a maioria dos agressores são seus maridos, companheiros, namorados ou quem está na situação de ex e não aceita o término do relacionamento.

Estes são os dados de mulheres que procuram a Defensoria Pública por  terem sido agredidas ou sofrido ameaças de agressão ou morte, mas infelizmente  existe ainda uma parcela que tem receio de se expor. Toda a mulher que sofre agressões em casa, no trabalho ou na rua deve denunciar na Defensoria Pública, Rua Pedro Lessa, Canela, que atende de segunda a sexta-feira,  das 8h30 às 12 horas (sendo que a queixosa deve chegar até 10 horas) e das 14 às 18 horas (até as 17 horas).

Conforme relata a coordenadora do Nudem, Firmiane Venâncio, ao procurar a Defensoria Pública, a vítima de violência é atendida por defensoras que analisam a situação apresentada e verificam quais medidas deverão ser adotadas. Dependendo do caso, a instituição poderá entrar com ações de medidas protetivas – medidas de urgência, em casos onde a vítima corre sério risco de ser agredida ao voltar para casa depois de fazer a denúncia.

A coordenadora explica que dentre estas medidas estão, por exemplo, obrigar que o agressor seja afastado da casa ou do local de convivência da vítima e proibi-lo de se aproximar ou manter contato com a vítima,  familiares e testemunhas; obrigá-lo também à prestação de alimentos para garantir que a vítima dependente financeiramente não fique sem recursos e proibir temporariamente contratos de compra, venda ou aluguel de propriedades que sejam bens comuns.

Porém Venâncio deixa claro de quem decide, no entanto, se há ou não necessidade de adotar essas medidas é o juiz. Ela explica que ao longo de cinco anos, 1.556 medidas protetivas foram peticionadas pelo Nudem. Outras 6.000 mil ações ligadas à área de família (pedidos de divórcio, pensão, alimentos, entre outras), foram ajuizadas, somando mais de 8.000 mil tipos de ações peticionadas, de 2008 a julho deste ano.

Ampliação da rede de proteção à mulher na Bahia

Segundo a coordenadora do Nudem, Firmiane Venâncio, após ajuizar a ação, a Defensoria ainda acompanha o caso, atuando em parceria junto à rede de proteção à mulher, que inclui Delegacia de Apoio à Mulher – Deam, Ministério Público, Vara da Violência Doméstica, Secretaria de Trabalho, Emprego e Renda – Setre, entre outras instituições. No caso da Setre, o Núcleo estabeleceu, em 2009, parceria com a secretaria estadual e com serviços de intermediação de mão de obra, buscando encaminhar com grau de prioridade as mulheres em situação de violência para políticas públicas de formação e auxílio de entrada no mercado de trabalho. A ideia, este ano, é fortalecer a parceria com a Setre e ampliar a atuação, desta vez, com a Secretaria de Políticas para Mulheres, SPM.

“Nossa obrigação é promover a atenção integral à assistida, trabalhando de forma articulada. Em casos onde o impedimento da separação da mulher se dá em virtude de uma dependência financeira, por exemplo, verificamos o perfil da assistida e a encaminhamos ao SineBahia, onde ela passará por cursos de qualificação que vão garantir sua empregabilidade. Já pedimos um levantamento para a Secretaria de Mulheres para ver quantas foram incluídas no Programa Minha Casa, Minha Vida – que tem um dispositivo nesse sentido e nós queremos poder checar se ele está sendo efetivo em abrigar mulheres em situação de violência. A gente tem se debruçado muito sobre questões de inclusão”, informou a coordenadora.

Primeiro semestre de 2013, a Defensoria Pública peticionou 186 medidas punitivas ou protetivas, com alimentos para mulheres vítimas de agressão. Cerca de 611 delas procuraram o Nudem pela primeira vez, enquanto que outras 579 foram orientadas pelas profissionais do Núcleo por telefone, em razão do medo, dúvida ou receio de pedir ajuda na própria unidade.

Em sua maioria vítimas da violência moral e psicológica, elas têm na proximidade com os agressores sua principal característica. Os casos de agressão por parte dos companheiros, maridos ou ex-maridos são os mais comuns. Anualmente, mais de cinco milhões de reais são gastos no Brasil pelo Sistema Único de Saúde, com internamentos de mulheres vítimas de violência. Cerca de 40 mil delas buscam o sistema para outros tratamentos decorrentes dessa prática.

Pelo trabalho desenvolvido, a Defensoria Pública foi convidada a participar do projeto Pensando a Segurança Pública promovido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com a Fundação Getúlio Vargas. A pesquisa tem o objetivo de verificar em três cidades do Brasil – Salvador, Campinas e Vitória – quais são, atualmente, as estruturas do sistema de proteção à mulher em situação de violência, e fazer um diagnóstico da efetividade da Lei Maria da Penha nestas capitais. A Instituição foi escolhida para integrar o projeto por possuir diversos dados ligados ao tema, como número de atendimentos realizados, nível de escolaridade, grau de parentesco do agressor, natureza da violência, renda familiar, entre outras informações.

Fonte: Tribuna da Bahia


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