Mais de 30 blocos de petróleo baianos são leiloados pela ANP

Agência arrecadou valor recorde de R$ 2,8 bilhões com áreas no país

Dos 52 blocos de petróleo das duas bacias da Bahia ofertados ontem na 11ª rodada da Agência Nacional de Petróleo (ANP), 36 foram arrematados. Outros 16 não receberam lances. O resultado não foi ruim, se comparado ao restante das bacias. Ao todo, foram ofertados 289 blocos, mas só 142 foram arrematados. 

Mesmo assim, a diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, classificou a rodada como um sucesso. “Isso é assim mesmo. Nem todos os blocos ofertados por nós recebem lances. Mas em termos de área, dois terços do que foi oferecido foram arrematados, e isso é muito bom. Estamos completamente satisfeitos”.

Entre os 30 grupos vencedores da rodada, 18 são estrangeiros e 12 nacionais. O valor arrecadado em bônus, que é o montante oferecido pelas empresas para terem o direito de explorar o local, bateu o recorde de todas as rodadas: R$ 2,8 bilhões. Até ontem, o recorde era da 9ª rodada, em 2007:
R$ 2,1 bilhões.

Na Bahia, foram ofertadas as bacias de Tucano e do Recôncavo que, juntas, compreendem 26 municípios. Na primeira delas, foram arrematados 21 dos 36 blocos oferecidos. A maior parte deles (15) foi concedida à Petra Energia, empresa brasileira criada em 2005, que em abril deste ano comunicou à ANP duas descobertas de gás natural em terra, na Bacia de São Francisco, em Minas Gerais. Além da Bacia de São Francisco, a Petra possui ativos nas bacias do Parnaíba e do Amazonas.

Com relação à Bacia do Recôncavo, apenas um bloco não obteve lances. O destaque ficou com a também brasileira Nova Petróleo, que obteve cinco das 15 áreas ofertadas.

A empresa tem por política se concentrar em bacias terrestres, como é o caso da Bacia do Recôncavo. Para levar a área, a empresa ofereceu um bônus total de R$ 109,1 milhões. Segundo a companhia, estão previstos ainda investimentos totais de R$ 340,7 milhões nos próximos cinco anos.

Além do lance de bônus, o investimento previsto e a previsão de bens e serviços de origem nacional também contavam pontos a favor das empresas. O destaque da rodada ficou por conta da Bacia da Foz do Amazonas que, sozinha, foi responsável por um bônus de R$ 802,8 milhões.

Apenas um dos blocos – arrematado por um consórcio formado pela estatal brasileira Petrobras, pela francesa Total e pela britânica BP – deu um lance de R$ 346 milhões, recorde de todas as edições.

Apesar disso, a bacia teve apenas 14 dos 97 blocos arrematados. Dois dos quatro setores da Bacia da Foz do Amazonas são de águas profundas, ou seja, mais caro para desenvolver. Na Bahia, todos os blocos são terrestres, o tipo mais barato, porém com maior potencial para gás natural.

Os recursos arrecadados no leilão devem ser pagos até 16 de agosto, quando serão assinados os contratos, e ficarão com a ANP. O bônus apenas dá direito às empresas de procurarem petróleo na região, incluindo propriedades que  estejam na área licitada.

No caso da Bahia, elas terão cinco anos para fazer isso. Após esse prazo, terão que decidir se  produzirão óleo por mais 27 anos ou devolver as terras para a ANP. Ainda este ano, ocorrerão mais duas rodadas: uma em outubro, com foco em áreas com potencial para gás natural, e outra em novembro, a mais esperada, por se tratar  do pré-sal.

Tucano
A Bacia do Tucano Sul é considerada nova e tem cinco campos produtores  operados pela Petrobras e pela Orteng. Em dezembro, a região produziu, em média, 12 barris de petróleo e 26 m3 de gás natural  por dia. No leilão de ontem, foram ofertados 36 blocos de terra, dos quais 21 foram arrematados.

Já na Bacia do Recôncavo, classificada como madura, fica ao Norte de Salvador e produz desde 1937. Ela tem potencial para descoberta de óleo leve, que é o tipo mais caro de petróleo, por causa da facilidade de produção. Nesta bacia já trabalham 14 empresas, e a produção em dezembro ficou em 45 mil barris de petróleo e 2,8 m3 de gás natural por dia. *A repórter viajou a convite da ANP.

Fonte: Correio da Bahia

Imagem: Ilustração


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