Mais de 500 casos de trabalho infantil são registrados neste ano em Goiás

Estado aparece no topo do ranking de flagrantes na região Centro-Oeste.
Comerciantes argumentam que não têm onde deixar os filhos.

Mais de 500 casos de trabalho infantil são registrados neste ano em Goiás (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Dados divulgados pela Superintendência Regional do Trabalho apontam que o número de crianças e adolescentes flagradas trabalhando de forma irregular em Goiás já chega a 503 neste ano. O estado é o primeiro no ranking de flagrantes de trabalho infantil na região Centro-Oeste. Em âmbito nacional, perde apenas para o Rio Grande do Sul, com 515 flagrantes, e Pernambuco, com 1.024.

De acordo com a superintendência, 10% das crianças e adolescentes estavam fora da escola. A maioria atuava em Goiânia, principalmente em feiras livres, consideradas uma das piores formas de trabalho por expor a criança a riscos de violência, drogas e assédio sexual.

As equipes do órgão constataram jornadas excessivas e noturnas, que prejudicam a saúde do menor. “Eles precisam de um tempo para lazer, descanso e para pesquisa, leitura. O menino que trabalha normalmente fica muito fadigado e não tem tempo de se dedicar com mais amiúde aos estudos”, afirma o auditor fiscal do trabalho, Jairo Reis Bandeira Gomes.

A multa para empresas que contratam mão de obra infantil pode variar de R$ 503 a R$ 40 mil reais. Já no caso de crianças e adolescentes que trabalham com os pais, é avaliada a situação financeira da família. A partir daí, os pais podem ser encaminhados para o programa Bolsa Família e o jovem para o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), ou à assistência social da prefeitura.

“O que não se pode aceitar é que continue explorando crianças em nome da sobrevivência dessas próprias crianças, porque na realidade acaba que quem é o beneficiário é o empresário que usa irregularmente o trabalho infantil”, afirma o superintendente regional do trabalho, Arquivaldo Bites.

Flagrantes

Em fiscalização na quarta-feira (30), os auditores voltaram a encontrar crianças e adolescentes trabalhando em feiras livres, junto aos pais. Os comerciantes alegam que levam os filhos para o local de trabalho por não ter com quem deixá-los.

“Não tem ninguém para ficar com ele, não tenho condições de pagar uma pessoa. Sou mais ele aqui do que na rua fazendo coisa errada”, argumenta um dos feirantes, que não quis ser identificado.

Outra comerciante questiona a lei: “Se deixá-los em casa é abandono de menor e se a gente traz pra feira, não precisa estar trabalhando, para ficar do nosso lado, acontece o que está acontecendo, da gente estar ser coagido ou às vezes estar tendo que responder por uma coisa. Qual é a intenção do governo com isso aí?”.

Fonte: G1


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