Malhação também pode afetar a saúde

Um vício chamado de síndrome de overtraining ou supertreinamento! Muito conhecido e antiga exclusividade dos atletas, o exagero na atividade física ultimamente tem estado presente nas academias, atingindo pessoas obcecadas por malhação, amadores e até crianças. O excesso de malhação é comum em homens que possuem o objetivo de hipertrofia, ou seja, que desejam ganhar músculos rapidamente. No caso das mulheres, o exagero ocorre frequentemente na busca pelo emagrecimen-to rápido.

Passar horas malhando é verdadeiramente prejudicial e esse abuso pode causar problemas musculares e até articulares. Além disso, o exagero de peso, por exemplo, pode ter várias consequências, desde problemas articulares do joelho, problemas da coluna como hérnias de disco, rupturas musculares, distensões e até contraturas: “Infelizmente nas academias os controles do exercício são falhos uma vez que por motivos comerciais os instrutores acabam não interferindo no treino que o aluno decidiu fazer. Claro que toda regra tem exceções e tem muitas academias que se preocupam com este tipo de coisa orientando o aluno, mas muitas vezes tem que respeitar a vontade do mesmo”, afirma o médico ortopedista, Fábio Costa.

O exagero na atividade física pode gerar, também, dor crônica, edema (inchaço), limitação de algumas funções da articulação e, muitas vezes, lesões permanentes: “Nossa coluna, por exemplo, não foi projetada pelo grande arquiteto do universo pra suportar o peso do corpo que já suportamos, fomos projetados pra andar de 4 pés e quando ficamos na posição bípede (2 pés) já começamos a sobrecarregar a coluna. Agora imagine isso associado a uma sobrecarga? Muito arriscado”, avaliou Costa.

Um dos primeiros sinais de que houve abuso na malhação são as dores contínuas. O especialista explica que, normalmente, o incômodo aparece de 24 a 48 horas após os exercícios, em decorrência da degradação muscular e da lesão pelo esforço, podendo cessar em dois a três dias, porém, a permanência do sintoma é um alerta de que algo está errado.

Para evitar esses problemas, Fábio Costa explica que instrutores de academia devem orientar seus alunos minimizando os exercícios feitos de forma errada, responsáveis por agredir o corpo: “Deixando claro que sou absolutamente a favor da musculação, inclusive com boa orientação. No caso das crianças de sete anos, por exemplo, pode vir a treinar boxe, interligando a musculação, desde que tudo seja de forma muito lúdica, usando o peso do próprio corpo e realizando exercícios de sentar e levantar”, ensinou.

Para aqueles alunos que desejam entrar na academia mas está há muito tempo parado, a dica é que realize atividades de baixo impacto como alongamento, caminhadas e musculação com pouco peso. Mas, antes mesmo de iniciar uma atividade, Fábio Costa dá a dica: “Uma das melhores formas da pessoa saber seus limites é fazendo avaliação fisiológica. O aluno precisa entender que ele tem que ser prudente e ter bom senso. Aliado a isso, as academias devem promover saúde e qualidade de vida aos alunos”.

Fonte: Tribuna da Bahia

Imagem: Ilustração


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