Médicos param em pelo menos nove Estados nesta quinta-feira

Insatisfeitos com a baixa remuneração e as interferências dos planos de saúde no exercício da medicina, médicos, dentistas e fisioterapeutas suspendem o atendimento a consultas e outros procedimentos eletivos por até 24 horas a usuários de todos os convênios nesta quinta-feira (25), Dia Nacional de Alerta aos Planos de Saúde.

Em pelo menos nove Estados — Bahia, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e Sergipe —, não haverá atendimento e a orientação do presidente da APM (Associação Paulista de Medicina) é reagendar a consulta.

—Não queremos prejudicar o paciente, por isso em caso de emergência ou urgência o usuário será atendido normalmente. Nosso objetivo é alertar para os abusos praticados pelas operadoras na relação com médicos e pacientes.

Em São Paulo, o protesto será feito na avenida Paulista, entre 7h e 10h, com faixas nos cruzamentos das duas vias, denunciando os problemas enfrentados na relação com os planos de saúde. Além disso, saquinhos de lixo com o slogan “Lugar de plano ruim é no lixo. Sua saúde merece respeito” serão distribuídos para as pessoas que passarem pela região.

A categoria também vai soltar 10 mil bexigas pretas, que simbolizam o luto dos profissionais e o descaso das operadoras com o trabalho dos médicos. Nos últimos dois anos, esta é a quarta vez que a classe suspende o atendimento a usuários de planos de saúde.

— A saúde suplementar vive um momento crítico e os profissionais estão cada vez mais insatisfeitos. Desde a primeira paralisação que fizemos, tivemos alguns avanços, mas muito tímidos.

Por meio de nota, a Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo) informou que “a negociação sobre remuneração é acordada entre as partes interessadas, sem a participação da Abramge, e o movimento dos médicos é aceitável, desde que não prejudique o atendimento aos beneficiários dos planos de saúde”.

Segundo João Ladislau Rosa, membro do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), os convênios gastam cerca de R$ 80 bilhões por ano para assistir 50 milhões de brasileiros que têm planos de saúde, enquanto o SUS (Sistema Único de Saúde) usa o mesmo valor para cuidar de 150 milhões de pessoas.

— É a lógica do lucro que acontece na saúde suplementar. Não há investimento para melhorar a qualidade do atendimento.

Mesmo pagando plano de saúde, muitos pacientes ainda precisam recorrer ao SUS ou a atendimento particular, conforme explica o presidente da APM.

— Os convênios colocam tantas dificuldades para liberar alguns procedimentos, especialmente de alta complexidade, que o paciente é obrigado a procurar uma alternativa.

De acordo com uma pesquisa divulgada esta semana pela APM em parceria com o Crosp (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo) e a Fenafisio (Federação Nacional de Associações de Prestadores de Serviço de Fisioterapia), 86% dos 5.000 profissionais de saúde entrevistados disseram já ter tido pacientes que procuraram o SUS ou atendimento particular em decorrência dos obstáculos impostos pelos planos de saúde.

Fonte: R7.com

Imagem: Ilustração


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