Menstruação: Especialista é quem avalia necessidades e o melhor método

Suspender ou não a menstruação? Eis a questão que aflige muitas mulheres. De um lado, há quem afirme que se trata de uma sangria inútil capaz de provocar diversos desconfortos e doenças. Do outro, há profissionais que defendem que interromper a menstruação pode causar inchaço e até infertilidade. Mas, na dúvida, o que fazer?

De acordo com o ginecologista Jorge Valente, diretor médico do CEPARH (Centro de Pesquisa e Assistência em Reprodução Humana), a primeira coisa a ser feita é buscar auxílio de um especialista. “A decisão de interromper a menstruação só deve ser tomada com a orientação de um profissional. Tudo vai depender do desejo e necessidade da mulher, da avaliação do seu estado de saúde e até do método hormonal que ela irá utilizar para bloquear a menstruação”, explica.

A menstruação é a preparação do organismo para uma possível gravidez e ocorre quando o óvulo não é fertilizado. Ele se desintegra e acontece, então, uma descamação interna do útero – o endométrio – que libera os óvulos do folículo que são encaminhados para as trompas marcando o processo de ovulação.

Neste momento, o organismo já está pronto para receber um espermatozoide e fecundá-lo, caso isso não ocorra, esses se decompõem e formam o fluxo menstrual.  “É preciso separar o que é natural do que é convenção. O próprio processo fisiológico feminino mostra que a mulher não foi feita para menstruar, mas para parir. O natural, portanto, é parir, não menstruar”.

Segundo o médico, mais do que aliviar cólicas e os indesejáveis sintomas da Tensão Pré-Menstrual (TPM), cessar a menstruação pode auxiliar na prevenção e tratamento de algumas doenças como anemia, cistos, além da endometriose. “Há muitos casos em que não menstruar deixa de ser uma questão de escolha e passar a ser uma forma importante e necessária de tratar algumas doenças. Pelo menos, 80% das patologias em mulheres em idade fértil estão relacionadas ao ciclo menstrual”, diz Jorge Valente.

Sobre os possíveis problemas gerados com a interrupção da menstruação, a exemplo da temida infertilidade, o ginecologista afirma que há muitos mitos que envolvem a questão. “Interromper a menstruação não provoca infertilidade, pelo contrário, estudos mostram que a suspensão a preserva.  O que pode ocorrer é a mulher levar mais tempo para engravidar após a suspensão do hormônio porque os ovários precisam de um tempo para voltar a funcionar normalmente”, explica Jorge Valente, acrescentando que, no máximo, cinco meses após a interrupção do tratamento com hormônios já é possível engravidar.

Embora a utilização contínua da pílula anticoncepcional seja um dos métodos mais utilizados, há outras opções para cessar o fluxo menstrual como o dispositivo intrauterino hormonal, a injeção trimestral de progesterona, o implante subcutâneo de progesterona, entre outros.

Mas há também casos em que a interrupção e o uso da pílula devem ser avaliados criteriosamente. É o caso das mulheres que apresentam doenças do coração, varizes e obesas, que são mais propensas a desenvolver trombose ou AVC (acidente vascular cerebral). “Essa restrição, no entanto, não é por conta da suspensão da menstruação, mas do uso do hormônio. Por isso, a orientação de um bom profissional é tão importante”, afirma o especialista.

Fonte: Tribuna da Bahia


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