Morte de criança em piscina chama a atenção para afogamento doméstico

O afogamento é a segunda causa de morte acidental antes dos 15 anos, conforme estudo feito pela ONG Criança Segura. Na manhã de sábado (17), uma criança de um ano e meio morreu após se afogar na piscina de uma pousada em Arraial D´Ajuda, extremo sul da Bahia. Segundo informações, a fatalidade ocorreu entre 8h e 9h. A criança era turista, do Espírito Santo, e veio à Bahia acompanhada dos pais, porém, estava sozinha na piscina. A piscina era de adulto, de 1.40 metros, junto com a piscina infantil, com 25 centímetros de profundidade.

Na Bahia, segundo o comando do Corpo de Bombeiros, em 2014 houve 155 casos de afogamentos, 93 deles não fatais e 62 fatais. O número do Corpo de Bombeiros é o 193. De acordo com o major, com as medidas de prevenção o risco de afogamento reduz 65% e 85% o risco de morte. 5 a 10 segundos embaixo d’água pode ser o tempo suficiente para uma criança se afogar e acontecer uma tragédia até mesmo dentro da própria casa. Com a chegada do Verão, o uso das piscinas em clubes ou domicílios aumenta e passa a ser a diversão dos pequenos para refrescar no calor da capital. Mas mesmo aqueles que não têm piscina em casa e utilizam as artificiais devem atentar aos cuidados essenciais para um banho seguro.

 Até o que parece ser um objeto inocente se torna o principal vilão doméstico, como é o caso dos baldes e bacias cheios d’água. O risco de afogamento em um simples banho é alto. No caso de apartamentos ou casas com piscinas, o cuidado deve ser redobrado e é recomendado comprar alguns equipamentos similares aos que são utilizados pelo Corpo de Bombeiros que podem salvar vidas.
A Tribuna da Bahia fez uma simulação sob a orientação do Major Ramon Diego, do Corpo de Bombeiros e o Soldado Leandro, para mostrar ao leitor formas de prevenção e dicas de atendimento imediato em caso de afogamento. A orientação principal é estar sempre sob a supervisão de um adulto, porém, além disso, são necessários outros cuidados.

Balde: o grande vilão!
Há quem pense que os cuidados redobrados só são necessários nas grandes piscinas. Mas não, um simples balde com água e brinquedos pode ser o suficiente para ocorrer o afogamento. Conforme o Major Ramon, crianças entre de 1 e 3 anos são as mais propícias a esse tipo de situação.

“A criança quando está no banheiro brincando com balde cheio de água, ela pode em um movimento involuntário perder o equilíbrio por causa do tamanho e é projetada com o rosto para dentro do balde. Ela não consegue retornar e começa a aspirar o líquido, potencializando o afogamento. A consequência disso pode ser a morte na própria residência”, explicou. A dica para esses casos é manter os baldes ou bacias guardados de forma emborcada, ou seja, virada com a parte aberta para baixo. Além disso, o major orienta para nunca deixar crianças sozinhas nesse ambiente.

Não confie nas boias de braço 

As boias de braço geralmente são utilizadas pelos pais e responsáveis das crianças, porém o major Ramon avisa que mesmo com o equipamento o perigo existe. “A boia de braço vai promover uma flutuabilidade na vítima, porém se não tiver no tamanho adequado ou peso ideal, a criança pode virar com o corpo para trás e ficar com o rosto na água”, ressaltou. Conforme ele, essas tragédias acontecem muito em locais rasos, piscinas artificiais e poças. “Não é uma condição extrema de segurança”, enfatiza.

Antes de cair na piscina fique atento 
– Evite os saltos na piscina. Caso mergulhe em um local raso pode acarretar no trauma raquimedular
– Nunca pratique apneia, ou seja descer para o fundo da piscina e prender a respiração. O sujeito que não tem habilidade da prática pode apagar dentro da água e perder os sentidos.

– Antes de entrar na água lave a nuca, a testa e a cabeça, para evitar a hidrocussão, popularmente conhecida como choque térmico. É um acidente provocado pela súbita exposição a água com uma diferença de temperatura 50°C abaixo da corporal. É necessário ter o equilíbrio entre a temperatura do corpo e a água. Por isso em temperatura muito quente a famosa ‘chuveirada’ é importante antes de entrar na piscina, para evitar o mal súbito provocado pelo choque térmico.
– Tenha sempre material de salvamento à vista ou em locais de fácil acesso. Material flutuante, como boias, máscara facial desenvolvida para auxiliar em casos de respiração boca a boca, e equipamentos de primeiros socorros.
– É possível comprar material de salvamento e primeiros socorros em lojas de enfermagem e lojas credenciadas para vendas deste tipo de material.

Criança: cuidado redobrado! 
– Converse sempre antes com a criança sobre os riscos da piscina e a oriente
– Não deixe cadeiras e bancos altos por perto pois elas podem subir e se jogar na piscina
– Nunca deixe os materiais cortantes na borda da piscina
– Não deixe brinquedos coloridos flutuando na água ou copos para não estimular a criança a tentar pegar o brinquedo
– Pedras ou materiais sólidos não são recomendados, pois a criança pode lançar para cima e acabar acertando em alguém, causando um trauma com a pancada
– Evite deixar brinquedos pequenos de fácil ingestão

Procedimentos emergenciais

O afogamento pode ser primário ou secundário, o primeiro não decorre de causa anterior e o segundo decorre. As causas mais comuns de afogamento são estresse, fadiga, a hidrocussão, nado exuberante, então esses fatores potencializam o afogamento em pouco tempo. O major Ramon, que já acumula uma experiência de sete anos salvando vidas de afogamento no Corpo de Bombeiros, explica algumas atitudes emergenciais que devem ser adotadas.

1º – Avalie o estado de consciência da vítima e respiração
2º – Faça a liberação das vias aéreas por meio da respiração boca a boca
3º- Faça o aquecimento da vítima para evitar a hipotermia, quando a temperatura corporal do organismo cai abaixo do normal
4º – Verificar se teve algum tipo de trauma
5º – Levar sempre a um atendimento hospitalar
6º – Mesmo se aparentemente a vítima estiver em estado normal é necessário conduzi-la a um hospitalar, pois pode desenvolver traumas posteriores
7º – Em caso de parada cardíaca é preciso fazer a massagem cardíaca, cerca de 30 vezes e acionar o Corpo de Bombeiros.

Muita atenção com ambiente aquático

Nos casos de apartamentos ou residências com piscinas, é preciso ficar atento não só a piscina em si, mas ao ambiente aquático completo. O acesso à piscina deve ser feito de forma segura. Veja as dicas do major Ramon:
– O piso deve ser antiderrapante ou ter tapetes ao redor da piscina
– Evitar piso molhado para se preveni das quedas na hora do entra e sai da piscina
“Geralmente ninguém se preocupa em enxugar o piso molhado, a percepção de risco também tende a cair durante uma festa ou mesmo um simples lazer, e isso pode acarretar em um escorregão e a pessoa, seja adulto ou criança, bater a cabeça na lateral da piscina vindo a ter um trauma grave”, orienta.
– A grade de proteção deve ter a altura acima de 1,20cm em casos de apartamentos altos.
– Evite o uso de álcool para não alterar o sistema nervoso central
– Evite alimentação pesada, pois pode promover uma congestão, ou seja, interrupção da digestão, e a pessoa perder a consciência dentro da água
– Nunca se apoiar nas placas de vidros da piscina e nas grades de proteção
– Evite brincadeiras dentro de água exuberantes, não são recomendadas, assim como o nado de maneira desapropriada. “Se jogar na piscina com saltos exuberantes é um risco, pois o indivíduo pode cair de mal jeito e sofrer um trauma no fundo da piscina”, aponta o Major.
O acesso à piscina deve ser cauteloso. “Não é recomendado o banho desacompanhado, mesmo os adultos, pois se passar mal, ou ter um mal súbito não terá ninguém nem para socorrer”, diz. No ambiente chamado controlado, como piscinas individuais nas coberturas, o major orienta que o adulto, caso esteja sozinho em casa, avise sempre a alguém que vai utilizar a piscina.
– Não colocar objetos cortantes na borda da piscina, como copos de vidros, facas, tesouras, garfos etc. “Ao acessar o ambiente aquático ele coloca os outros em risco, pois com o movimento involuntário pode se ferir gravemente ou ferir os outros que estão no banho”, afirma.
– Toda piscina deve ser sinalizada demarcando a parte rasa e a parte mais funda
– A bomba do ralo de sucção deve ficar desligada quando estiver banhistas na piscina.

Fonte: Tribuna da Bahia


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