Mulher emagrece 104 quilos após derrame e é confundida com travesti

Ex-gordinha fez cirurgia após ficar presa em catraca e sofrer derrame.
Hoje, com 62 kg, ela conta que sofreu por bastante preconceito.

Ana Paula chegou a pesar 150kg, em Santos, no litoral de São Paulo (Foto: Guilherme Lucio / G1) (Foto: Guilherme Rocha/G1)

Uma funcionária pública de Santos, no litoral de São Paulo, resolveu que precisava mudar completamente seus hábitos após ficar presa na roleta de um ônibus e, em seguida, sofrer um derrame cerebral. Pesando mais de 150 quilos, Ana Paula Silva, de 43 anos, decidiu fazer uma cirurgia bariátrica e chegou a emagrecer 104 quilos. A diferença foi tanta que, alguns meses após a cirurgia, ela resolveu ir em uma festa e acabou sendo confundida com um travesti.

A perda de peso da funcionária pública foi tanta que, em menos de um ano, ela chegou a pesar 46 quilos. Hoje, bem mais saudável, ela pesa 62 quilos e se diz uma pessoa realizada. “Decidi fazer a cirurgia após ter ficado presa na roleta de um ônibus. Alguns passageiros riam, outros chamaram o resgate para me tirar dali. Me senti muito mal e decidi que faria a cirurgia. Procurei a Santa Casa, insisti muito, fiz várias consultas e assinei diversos protocolos. Porém, segundo eles, o plano que eu tinha na época não cobria. Quando sofri um derrame e fui levada ao hospital os médicos tiveram que me operar por conta de possíveis complicações. Quando acordei do acidente, a cirurgia já estava feita”, afirma.

Obesa desde pequena, ela afirma que sempre quis fazer parte do “mundo dos magros”. “Eu comecei a trabalhar em um banco ainda adolescente. Quando eu via as outras funcionárias, todas magras, pensava que eu tinha que ser daquele jeito de qualquer maneira. Tomei diversos remédios e fiz todos os regimes possíveis. Mas não adiantava. Eu comia tudo o que fazia mal, em grandes quantidades”, diz.

Segundo Ana Paula, o preconceito não atrapalhou sua nova vida. “Após a operação fui trabalhar em uma creche e não foi nada fácil. Nem tanto pelas crianças, mais pelas funcionárias. Até hoje vemos professores obesas sofrendo preconceito. Eu fiz amizade com outra funcionaria, que era negra, e passamos por muitos episódios difíceis. Era uma época de muita transformação no meu corpo, minha autoestima ainda estava em baixa. Mas superei tudo isso”, conta Ana Paula, que lembra uma história curiosa que enfrentou logo após a cirurgia. “Foi quando estava em uma festa, logo depois de operada e, por conta da flacidez no corpo, me confundiram com um travesti. Me senti muito mal”, lembra.

Divorciada e com três filhos, ela conta que a vida amorosa não foi fácil após a cirurgia. “Hoje moro com um filho de 17 anos, que tem tendência a ser gordinho, mas tomamos cuidado com a saúde dele. Tenho mais duas filhas, uma delas de criação. E justo ela também tem tendência a engordar. A outra, que saiu de mim, é muito magra. Meu ex-marido também é magro. Hoje me dou conta que casei com ele porque não tinha muita opção. Até minha mãe, na época, me disse isso.”, explica. Além do filho, Ana Paula mora com mais seis cachorros, todos de rua.

Para a funcionária pública, a mente ainda não se acostumou com o novo corpo. “Mesmo algum tempo após a cirurgia, ainda tenho dificuldade para entrar em carros pequenos ou espaços estreitos. Foram mais de 30 anos vivendo com um corpo totalmente diferente. Ainda não me acostumei por completo. Você opera o corpo, mas não opera a cabeça. No entanto, a alimentação, que é o mais importante, eu mudei. Sou uma pessoa com hábitos alimentares totalmente saudáveis”, diz.

Atualmente, o que Ana Paula mais gosta de fazer é comprar roupas. “Não há nada melhor do que ir a uma loja e ver que tem o seu tamanho. Isso fez muito bem para a minha autoestima. Não fiz diversas cirurgias plásticas, mas fiz algumas correções para me sentir bem. Hoje me olho no espelho e me sinto feliz”, finaliza.

Fonte: G1

 


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