Musas que trabalham como garis mostram seu charme nas ruas do Rio

Fonte: G1

G1 descobriu seis belas mulheres que se escondem nos uniformes laranjas.
Elas contam como cuidam da beleza mesmo limpando a sujeira da cidade.

Elas estão dispostas a sacudir a poeira do preconceito. Vestem uniforme laranja, que não valorizam suas formas. E, por ossos do ofício, ainda se misturam à sujeira das ruas do Rio, o que impede que o cidadão carioca enxergue a charmosa mulher por trás de vassouras e latas de lixo.

O G1 resolveu procurar mulheres que trabalham como garis e que se destacam por sua beleza. Em dois dias, percorreu alguns bairros da cidade e constatou que existem outros exemplos de Ana Pérola, a ex-gari que foi descoberta pela Globo e agora se destaca como a dançarina de funk Jéssica de “Suburbia”, nova minissérie da emissora.

Seis beldades foram selecionadas. Elas trabalham em regiões diversas, sob chuva ou sol, mas nunca perdendo o glamour. Poderiam ser muito mais. Por isso, o G1 pede perdão às demais personagens femininas, funcionárias da Comlurb, que não aparecem nessa reportagem, e espera que as seis representem toda a classe. (assista acima ao vídeo com entrevista das seis garis uniformizadas)

 
As seis musas garis reunidas (Foto: Alexandre Durão/G1)
(As seis musas garis reunidas (Foto: Alexandre Durão/G1)
 
Musas garis (Foto: Alexandre Durão/G1)France Mac-Arthur
Casada há 20 anos, mãe de um filho, France tem 40 anos e mora em Vila Kennedy. Para o trabalho de podas em Bangu, no qual porta uma ceifadeira, é necessário um paramento que esconde ainda mais os dotes físicos de uma mulher. Além da roupa tradicional, usa protetor de face, avental e caneleira. Já trabalhou como fotógrafa e teve uma pensão. Mas France diz não se incomodar com o peso dos equipamentos nem sente sua vaidade agredida: “Quando se gosta do que faz, fica fácil. Eu gosto de ser gari. Para mim, é meu trabalho, de onde tiro meu sustento”. France gosta de perfume, jóia, roupas, cremes. Mas é caseira. “Não gosto de noitada. Gosto de estar com a minha família em casa”.
 
Raquel, 31 anos, trabalha no Parque do Flamengo (Foto: Alexandre Durão/G1)Raquel Gonçalves dos Santos
Raquel tem 30 anos, dois filhos e é solteira. Trabalha limpando banheiro no Parque do Flamengo e mora em Nova Iguaçu. Embora diga que a vaidade é prejudicada vestida de gari, afirma chamar a atenção durante o trabalho: “A gente veste o uniforme e fica outra pessoa. Mas chama a atenção mesmo assim. Olham, me acham bonita, talvez”. Rachel diz que as pessoas ainda têm preconceito quanto à sua profissão: “Para as pessoas, o gari é um lixo”. Para se sentir mais mulher, diz que não ousa muito: “Faço o natural, o básico: um blush, uma sombra, um batom. Nada cheguei”. Nas horas vagas, Raquel gosta de ir ao shopping ou cinema com os filhos.
 
CláudiaTorres Prata Correa, 26 anos, trabalha no Flamengo (Foto: Alexandre Durão/G1)Cláudia Torres Prata Correa – Cláudia, de 26 anos, é casada e tem dois filhos e mora em Coelho da Rocha. Foi mãe com 14 anos incompletos. É conhecida como Claudinha no Flamengo, onde varre as ruas esbanjando graça. “As pessoas comentam: ‘Claudinha, você está cheirosa. Não é só porque você trabalha na Comlurb que tem que andar suja. Limpeza é tudo”. Bem maquiada, unhas impecáveis e usando vários acessórios, Cláudia afirma que a mulher tem que se valorizar: “Sou sempre assim, me enfeito toda. A vaidade é a principal coisa para a mulher. Ela tem que se sentir bonita”. Cláudia está terminando o segundo grau e fazendo autoescola. E pensa em fazer uma faculdade. No futuro: “Depois que se tem filho, casa e família, tem que ser uma coisa de cada vez”.
 
Janete Cristina Pontes Vieira, 31 anos, trabalha em Bangu (Foto: Alexandre Durão/G1)Janete Cristina Pontes Vieira – Com 31 anos, casada e com dois filhos, Janete diz que sua vida é uma correria só: “Quando chego em casa, tem que cuidar dos filhos e do marido. Ainda arrumo tempo para cuidar de mim, fazer cabelo, a unha. Mas a gente consegue”. Janete trabalha varrendo o calçadão de Bangu, mora em Cosmos e pensa em subir de vida dentro da própria empresa, talvez até fazer uma faculdade de psicologia. Gosta de praia, de ir ao shopping e de fazer exercício para manter a forma. Sobre a profissão, diz que a imagem mudou: “Muitos discriminam, mas hoje respeitam mais os garis. Até quem faz faculdade quer entrar na Comlurb. É um emprego como qualquer outro, digno”.
 
Josicleide Martins (Foto: Alexandre Durão/G1)Josicleide Martins – Josicleide é uma alegria só. Além de varrer as ruas do Largo do São Francisco, no Centro, trabalha com animação infantil, encarnando a Vovó Mafalda. Aos 36 anos, mora em Belford Roxo, é solteira e tem dois filhos. Vive fazendo piada de tudo: “Hoje em dia mulher só é feia quando não tem dinheiro”, diz ela, que quer botar silicone nos seios. Gosta de praia, de karaokê, de academia e de beber com as amigas: “Mas eu não bebo. Pago para as amigas. Mulher quando se junta fala muito, coisa de louco”. Josicleide já passou três meses na Suíça, onde vendeu cabelos naturais levados do Brasil, quando esperava ser chamada para trabalhar na Comlurb. E não tem modéstia quando fala do seu carisma: “Essa praça não vai ser a mesma se eu sair daqui”.
 
Verônica do Carmo da Silva, 24 anos, trabalha na Penha (Foto: Alexandre Durão/G1)Verônica do Carmo da Silva – Verônica, de 24 anos, é casada e a única entre as selecionadas que não tem filho. Ela diz não ser fácil trabalhar nas ruas: “Nosso trabalho exige bastante esforço. Precisa ter força e querer mesmo”. Ao reconhecer que o uniforme de gari não valoriza as curvas femininas, afirma que tudo volta ao normal ao fim do expediente: “Esconde tudo. Mas quando tiro essa roupa, é a Verônica. Gosto de roupas justas, que mostrem o corpo”. Verônica diz que seus programas favoritos são ir à chachoeira e à piscina com o marido e parentes. Ela trabalha na Penha e mora em Magé, onde ajuda o marido em uma lan house pertencente ao casal.


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