NOVA LEI SECA PEGA BOMBOM DE CONHAQUE E OUTROS PRODUTOS COM ÁLCOOL?

Mito derrubado: é mentira que motoristas não podem consumir produtos que contenham álcool antes de dirigir (Foto: Eduardo Svezia)

A nova lei de tolerância zero para o consumo de álcool por motoristas deixou as pessoas em estado de alerta. Até quem não bebe ficou com medo do bafômetro. Há quem pense em não usar produtos de higiene bucal antes de sair de casa por medo de ser apanhado pela fiscalização, por exemplo. Caros motoristas, tudo não passa de mito. A lei pune quem ingere bebida alcoólica antes de dirigir, não necessariamente quem usa produtos que contenham álcool.

Autoesporte reuniu alguns desses produtos que são usados no dia-a-dia, como os de higiene oral, aerossol de mel com própolis, floral de Bach e bombom de conhaque. Munidos com um bafômetro calibrado, fizemos testes. E em todos os casos o resultado revela que deixar de usar esses produtos é exagero.

É verdade que, imediatamente e a até cinco minutos após o uso desses produtos, o nível de álcool presente no hálito até supera a “tolerância” prevista por lei, de 0,05 mg/l. Mas basta esperar mais alguns minutos para que o efeito passe, e isso sem comer nada. Christian Sirauti, médico do trabalho, afirma que o álcool de produtos não ingeridos evapora com rapidez. “Ficam poucas partículas no sangue, doses insuficientes para serem reveladas no bafômetro depois de algum tempo.”

O médico Roberto Douglas, diretor executivo pleno da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), reforça que os condutores não devem ficar assustados. “O bafômetro tem possibilidade de pegar o álcool desses produtos. Mas em pouco tempo isso some, porque não está na circulação nem no ar do pulmão. O ar alveolar não é confundido com o da boca”, explica.

Para evitar distorções no uso do etilômetro, a polícia também adota precauções. De acordo com o capitão Paulo Oliveira, chefe do setor operacional do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) de São Paulo, antes de submeter o condutor ao teste, o agente o questiona a respeito da ingestão de algum produto que contenha álcool. “Já aconteceu de alegarem, por exemplo, o uso de antisséptico bucal. Em casos assim, pedimos para que o cidadão espere um pouco, beba água e faça bocejos, que tiram o ar que está na boca. Assim, quando soprar, ele expirará o ar que está nos pulmões, que é o que nos interessa. Depois disso, quando não se trata de álcool ingerido, o resultado é 0,0 mg/l, como atestamos em várias simulações”, garante.

Cabe ressaltar, ainda, que a presença de álcool no corpo varia de pessoa para pessoa. Portanto, para saber dos riscos das substâncias analisadas, Autoesporte usou voluntários (leia-se, repórteres) com perfis diferentes no teste: um homem e uma mulher. Ambos consumiram os mesmos produtos a fim de mostrar suas reações, lembrando os pesos e alturas são diferentes: Fabricio, 1,78 m e peso 77 kg; Renata, 1,62 m e 48 kg.

Fonte: G1/Auto Esporte


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