Nova substância apresenta efeito prolongado contra Aids em macacos

Molécula que imita receptor do HIV neutraliza ação do vírus.
Macacos resistiram à infecção por 34 semanas.

Michael Farzan, um dos pesquisadores envolvidos no estudo (Foto: The Scripps Research Institute/Divulgação)

Uma substância de combate à Aids desenvolvida por uma equipe de pesquisadores de mais de uma dezena de instituições se mostrou eficaz durante vários meses em macacos, abrindo a perspectiva de um tratamento de efeito prolongado contra o HIV, anunciou a revista “Nature”.

“Desenvolvemos um inibidor muito poderoso e de espectro muito amplo que atua sobre o HIV-1, ou seja o principal vírus da Aids presente no mundo”, explicou à AFP Michael Farzan, um dos cientistas que coordenou os experimentos.

“Os últimos trinta anos estiveram marcados por uma longa e desalentadora busca de uma vacina efetiva para o HIV”, afiirma a “Nature”.

A publicação científica descreve como em 2009 um estudo na Tailândia de uma das vacinas mais promissoras demonstrou uma efetividade de pouco mais de 31% na redução da taxa de infecções, e que se reduzia ainda mais um ano depois da vacinação.

As dificuldades no desenvolvimento de uma proteção mais eficiente a partir dos padrões tradicionais forçaram os pesquisadores a explorar o problema de uma nova perspectiva, que parece ter dado frutos com o trabalho de Farzan.

Quatro macacos resistiram à infecção por SHIV (espécie de versão do HIV para macacos) por 34 semanas, mesmo tendo altas doses do vírus injetadas no sangue, diz o estudo. Esse nivel de imunidade é maior que o apresentado por vacinas convencionais que agem fazendo o corpo aumentar seus anticorpos naturais.

A diferença da estratégia de Farzan e demais pesquisadores é que, em vez de usar moléculas naturais, o HIV é combatido por uma substância artificialmente desenhada que imita os receptores que o HIV usa para entrar nas células, bloqueando a ação do vírus. essa técnica se mostrou mais efetiva para combater as diferentes variedades do HIV-1.

O cientistas advertem que é necessário continuar os estudos, por enquanto em primatas, para assegurar que o tratamento pode ser seguro para os humanos.

arte aids (Foto: arte / G1)


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