Orçamento do ano todo para a saúde pública no Distrito Federal já acabou

Em 4 meses foi gasto quase todo o dinheiro reservado para o ano todo.
Situação é pior nos hospitais pediátricos, onde faltam médicos e remédios.

Nem chegamos à metade do ano e o dinheiro para a saúde pública no Distrito Federal já acabou. Em quatro meses, já foi gasto quase todo o dinheiro reservado para a saúde pública durante o ano todo.

O resultado é que falta de tudo, de remédios básicos a leitos. A situação é ainda pior nos hospitais pediátricos. Faltam médicos, medicamentos básicos e a crise está exposta nos corredores dos hospitais.

Os corredores são do hospital de referência da capital do país. Os berços ficam onde dá. São vários. Mães também se acomodam como podem para acompanhar as crianças.

“A gente tem em um total de 18 leitos para internação, já chegamos a uma média de 48 crianças internadas”, conta uma funcionária.

Na parede ainda há mofo, rachaduras. Falta espaço, falta médico, falta de tudo, segundo uma funcionária que não quis ser identificada. “Antibióticos em geral, as vezes dipirona gotas, paracetamol, entre outros. Os medicamentos são usados todos os dias, praticamente todos os momentos”, afirma a funcionária.

Nesta semana só casos graves estavam sendo atendidos. É lei ter a escala de médicos na parede, mas não havia. Um pai aguardava a cirurgia do filho, com apendicite. “Eles encaminharam para cá, isso era meio dia. Já são 8 horas de espera e nada”, lamenta o empresário Jorge Luiz.

E se o filho fica doente á noite, é mais complicado ainda. O pai passou por uma Unidade de Pronto-Atendimento, antes de tentar no hospital. “De dia tem, mas à noite você não encontra mais. Eles falam que não tem pediatra, só tem enfermeira na triagem”, lamenta o carpinteiro Raimundo Nonato.

E a sala de raio-X também tem hora para funcionar. Com a comerciante Taiane Medina foi assim. “É fechada 13h e só abre 14h. Eu procurei a ouvidoria do hospital e também estava fechada”, conta.

Hoje seriam necessários pelo menos mais 266 pediatras no Distrito Federal, mas só foi autorizada a contratação de 30, segundo a Secretaria de Saúde. O governo do Distrito Federal já ultrapassou os gastos permitidos. O caos da saúde se agravou na gestão passada. O orçamento deste ano chega a quase R$ 6 bilhões, é maior que o do estado do Paraná.

O secretário admite que faltam remédios, a estrutura é insuficiente. Segundo ele, no momento a pior situação é da pediatria, em toda a rede pública de saúde. Mas que soluções têm sido estudadas. Para o governo, poderia estar pior.

“Nós sabemos que a estrutura da rede toda de saúde do Distrito Federal é insuficiente. Você não pode deixar a população desassistida. Há uma superlotação também na rede privada. É claro que você tem que colocar leitos em locais improvisados, é melhor que deixar de atender”, afirmou o secretário de Saúde, João Batista de Sousa.

O secretário de Saúde disse ainda que foram contratados 44 enfermeiros e 130 técnicos em enfermagem. E informou também que o número de pediatras já é pouco: no total são 460 trabalhando, e ainda tem cem médicos afastados, por atestados médicos ou licenças.

Fonte: G1 / Bom dia Brasil


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