Pai que perdeu filho por meningite diz que hospital descartou doença 2 vezes

Morte do filho de Márcio Castro foi a 2ª pela doença em Cachoeirinha.
G1 entrou em contato com o hospital da cidade gaúcha e aguarda resposta.

Márcio de Castro, à esquerda, observa discurso do secretário da Saúde de Cachoeirinha (Foto: Roberta Salinet/RBS TV)

A dor de Márcio Silva de Castro pela perda filho Wesley, de 8 anos, acompanha a revolta pelo que considera um caso de negligência por parte do Hospital de Cachoeirinha. A criança foi a segunda vítima de meningite em seis dias na cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre. Castro conta que, por duas vezes, a doença foi descartada por médicos que atenderam o menino.

“Minha esposa está desesperada. A irmã dele, desesperada. Se tivessem, no mínimo, falado que podia ser meningite eu o levaria a algum outro lugar. Como eles descartaram, acabaram prejudicando meu filho. Quando eu levei para outro hospital, não tinha o que fazer”, lamenta o pai do menino.

A criança morreu no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, às 10h desta terça-feira (7). No dia 2 de julho, uma menina de 12 anos também havia sido vítima da doença. Outros três casos foram confirmados pela prefeitura, que na manhã desta quarta-feira (8) confirmou a ocorrência de um surto comunitário de meningite bacteriana no bairro Jardim Betânia.

Castro conta que o filho apresentou os primeiros sintomas no último dia 2, quinta-feira da semana passada, dia em que morreu a primeira vítima, que era colega dele na escola. No Hospital de Cachoeirinha, ouviu que a febre, a vômito e a dor na perna do menino eram sintomas de uma gripe. A medicação receitada não fez efeito e o pai retornou ao hospital no último sábado (4). “A médica descartou novamente meningite e mandou para casa”, relatou.

Wesley não melhorou e, no dia seguinte, Castro levou o menino ao Hospital Dom João Becker, de Gravataí, onde meningite foi finalmente diagnosticada. Porém, era tarde para salvar a vida da criança. “Transferiram ele para o Hospital de Clínicas no domingo de noite e, na segunda de manhã, ele faleceu”, contou.

Nesta quarta-feira (8), Castro não se conteve ao ver o secretário municipal da Saúde, Amir Selaimen, discursar para moradores do Jardim Betânia. Pediu a palavra, tomou o microfone e conclamou a comunidade a “parar tudo o que for preciso” para garantir que não haverá mais mortes.

“Só estou me mantendo forte porque quero lutar para que nenhuma família passe pelo que estou passando, me unir ao pessoal para que consigamos medicamentos necessários para controlar esse surto e não perder mais crianças”, afirmou.

Selaimen disse que as pessoas que tiveram contato com as crianças doentes estão sendo medicadas para evitar o contágio. Além disso, segundo ele, 6 mil moradores, entre um e vinte anos, serão vacinados .

“Isso faz com que a pessoa desenvolva anticorpos contra a meningite, então ela fica imunizada, ou seja todas as pessoas que receberem a vacina em um prazo de mais ou menos uma semana estarão imunizadas contra novos episódios de meningocócico”, afirmou.

O secretário afirmou que não pode tomar medidas em relação ao caso porque não tem gerência sobre o Hospital de Cachoeirinha. O G1 entrou em contato com a instituição, e aguarda uma resposta.

Fonte: G1


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