País diz que Israel pode provocar guerra regional

Governo da Síria é cotnra ataques contra alvos no território sírio

O governo da Síria afirmou hoje que Israel levará o Oriente Médio a uma guerra se continuar com ataques contra alvos no território sírio. Para o regime do ditador Bashar Assad, a ação desta madrugada contra um centro militar viola leis internacionais. As declarações são feitas horas após caças israelenses bombardearem o complexo militar de Jamraya, a 60 km da capital Damasco.

Segundo fontes do governo israelense, a intenção era destruir um carregamento de mísseis iranianos que seriam enviados ao grupo radical libanês Hizbollah.

A ação causou a condenação do Irã, aliado de Assad, mas também do Egito e da Liga Árabe que, apesar de darem apoio aos rebeldes sírios, são contrários à atuação militar israelense na região e defendem a criação de um Estado palestino.

Em comunicado feito durante um intervalo em uma reunião de emergência do alto escalão do regime, o ministro da Informação da Síria, Omram al Zoubi, disse que os ataques fazem com que o Oriente Médio se torne “mais perigoso” e são “uma flagrante violação às leis internacionais”.

O ministro sírio defendeu que o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) avalie a questão e afirmou que o regime enviou duas cartas, uma destinada ao conselho e outra ao secretário-geral, Bak Ki-moon.

No documento, Zoubi afirmou que os ataques israelenses dos últimos dias são um apoio direto às ações dos terroristas, como o regime de Assad chama os rebeldes que há dois anos combatem contra o governo, em especial a Frente al Nusra, que diz ter relações com a rede terrorista Al Qaeda. “Esta agressão, da qual Israel não se responsabilizou, abre portas a todas as possibilidades e confirma a ligação entre Israel e grupos de ideologia radical islâmica. Eles não podem jogar com o destino da Síria. Nós temos direito de proteger com todos os meios nosso país e nosso povo de toda a agressão estrangeira”.

Ele também acusou os Estados Unidos de darem cobertura para a ação israelense e voltou a dizer que os rebeldes são financiados por países árabes, como a Arábia Saudita, a Turquia e o Qatar. “Estamos todos em um estado de ira. Não é um ataque novo, pois é praticado todos os dias por terroristas”.

Condenação A ação israelense na Síria causou a condenação do Egito e da Liga Árabe. Ambos são contrários ao regime de Bashar Assad, mas também mantêm oposição a Israel pela atuação militar na região, em especial contra os palestinos, e pela resistência à criação do Estado palestino.

Em comunicado, o gabinete do presidente egípcio, Mohamed Mursi, disse que os ataques são uma violação dos princípios do direito internacional e devem complicar ainda mais a situação síria, além de ameaçar a segurança e a estabilidade da região.

Com o mesmo temor, a Liga Árabe pediu a atuação imediata do Conselho de Segurança para impedir que o conflito tome maiores proporções. A condenação acontece mesmo após a retirada do regime de Bashar Assad da representação do grupo de países.
Na última reunião, a cadeira síria foi ocupada pela oposição. Mais cedo, o porta-voz da Chancelaria do Irã, Ramin Mehmanparast, condenou o bombardeio e disse que “é um esforço de Israel para criar instabilidade e insegurança na região”, mas não comentou sobre o dado a respeito da origem dos mísseis.

O grupo radical libanês Hizbollah também não fez comentários sobre o bombardeio, assim como a ONU e os países ocidentais. Na tarde de ontem, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que não comentaria os ataques, mas defendeu o direito de Israel de combater contra o Hizbollah.

Caso confirmado, o bombardeio será a segunda ação de Israel na Síria em menos de três dias, um sinal da entrada do Estado judaico nos confrontos entre o regime de Bashar Assad e grupos rebeldes. Embora não veja vantagem no conflito sírio, a ação militar pode minar o poder do Hizbollah e de Teerã, aliados de Assad. 

Fonte: Correio da Bahia

Imagem: Ilustração


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