Parcerias levarão teleaulas a 211 mil estudantes em dez estados

Fundação Roberto Marinho firmou acordo com ministério e secretarias.
Nesses dez estados, metodologia Telecurso passa a ser política pública.

O secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, Hugo Barreto (esq.), conversa com o ministro da Educação, Henrique Paim (Foto: Mariana Oliveira / G1)

O Ministério da Educação, secretarias estaduais e a Fundação Roberto Marinho oficializaram nesta quarta-feira (14) parceria para levar a metodologia Telecurso para 211 mil estudantes do ensino fundamental e médio e 7,5 mil educadores em dez estados.

A parceria foi apresentada durante o seminário “Direitos de Aprendizagem: o desafio da adequação idade-ano na educação básica”, realizado em Brasília na sede do ministério.

Os estados que firmaram parceria para transformar a teleaula em política pública de ensino são Acre, Amazonas, Rondônia, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Rio de Janeiro, Piauí, Paraíba, Bahia e Pará.

O seminário oi organizado pela fundação e pelo governo federal para discutir a utilização das teleaulas como política pública nacional e as experiências para redução da evasão escolar e da defasagem idade-ano, ou seja, quando alunos estão fora da faixa etária prevista para determinada série.

Desde 1995, a fundação já realiza convênios com estados para implantação das chamadas telessalas, com utilização dos livros do Telecurso, teleaulas e material didático próprio, como alternativa ao ensino regular.

No ano passado, durante a gestão do ex-ministro Aloizio Mercadante no ministério, começou a ser discutida a parceria entre o governo federal, governos estaduais e Fundação Roberto Marinho para a adoção da metodologia como política pública.

Durante o seminário, o atual ministro da Educação, Henrique Paim, destacou que a parceria vai ajudar a vencer um dos desafios no Brasil, que é “combinar inclusão com qualidade”.

“Esse trabalho conjunto vai permitir que possamos avançar na correção do fluxo. O Brasil já avançou muito, mas a grande questão é quando se chega no sexto ano do ensino fundamental ou no primeiro ano do ensino médio. Estamos falando de ensino interdisciplinar e onde temos a maior barreira para avanço dos estudantes”, destacou o ministro em sua fala.

O secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, Hugo Barreto, lembrou que a TV Globo começou o projeto Telecurso em 1978. Segundo ele, inicialmente a ideia era auxiliar no ensino à distância para jovens e adultos, mas hoje a metodologia passou a ser um “aliado” do professor dentro da sala de aula. De acordo com a fundação, Segundo a fundação, a metodologia Telecurso já atendeu 7 milhões de estudantes e formou 40 mil professores.

“Não existe outro país que ofereça isso em termos de parceria entre governo e sociedade civil. Isso é um modelo brasileiro de inovação na contribuição da sociedade com a educação”, destacou Barreto. Conforme o secretário, as aulas do Telecurso são discutidas com acadêmicos das principais universidades do país.

‘Brasil é tolerante com desigualdade’
Também palestrante no evento, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), José Francisco Soares, afirmou que, para reduzir a evasão escolar e a desasagem idade-ano é preciso reduzir as desigualdade e trabalhar em conjunto com quatro pilares na educação: acesso, permanência, promoção e conclusão.

“Nós temos causas culturais, sociais, escolares. As causas culturais estamos vencendo, mas não está completamente vencida. Estamos acostumados com a desigualdade. A sociedade está acostumada com a ideia de que a escola de qualidade não é para todo mundo. A nossa sociedade é tolerante com a desigualdade e tolerante com o abandono escolar.”

José Francisco Soares disse ainda que a distorção idade-série é maior nos locais mais pobres. “Para os pobres, damos escola onde o exemplo que ele tem é o da desistência. O ambiente a puxa para baixo. Todos os programas de renda, Bolsa Família entre eles, estão mudando essa situação. Mas o dia em que poderemos ser felizes será quando não associado [o resultado escolar com a faixa de renda dos alunos].”

Soares destacou que no ano passado o Brasil gastou 6,4% do Produto Interno Bruto (PIB) com educação e que os investimentos vêm crescendo. Para o presidente do Inep, porém, é preciso mais do que investir e alertar os responsáveis pela educação de que é preciso acompanhar o aluno, se certificar de que não haverá desistência da escola.

“Temos que ter mais recursos, os programas têm que crescer. Mas, mais do que isso, temos de pensar numa escola que acolha, que inclua. Cada criança, cada jovem, tem um direito e não pode desaparecer da escola sem que com isso nada aconteça”, afirmou.

Experiências nos estados
A secretária de Educação da Paraíba, Márcia de Figueirêdo Lucena, afirmou que o chamado “mergulho” na tecnologia tem ajudado a educação no estado. Para ela, a adoção do telecurso para alunos com defasagem na escola promovem um “reencontro com a inteligência”.

“Uma pessoa com 17 anos numa turma de crianças de 8 anos não tem como se alumbrar, se encantar, se inspirar. Não tem como encontrar isso se você perdeu o bonde e está em uma situação que não lhe estimula. E não pode haver um contexto onde a proposta de aceleração mostre que você está sendo um peso para o Estado. O conceito não deve ser o que você perdeu. Não é recuperar o perdido, isso fragiliza as pessoas. Você perdeu algo, agora construiu algo e vai instrumentalizar seu presente”, disse Márcia.

Representante da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, Rosana Mendes afirmou que não se pode deixar o jovem com defasagem se tornar “invisível”.

“Todos os meninos-problema vão parar na turma de aceleração. Mas por quê? Era um sujeito invisível, não aprendia, ninguém olhava para ele com olhar do acolhimento. O que garante a permanência na escola é o fato de que o aluno se vê como capaz.”

Fonte: G1


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