Planos de saúde: clientes encaram dificuldades para fazer portabilidade

 

Há 12 anos o administrador Eduardo Abreu, 36 anos, mantém o plano de saúde da mãe, Antonieta, 62, na Unimed Salvador. Quando soube, no início do mês, que os 27.183 beneficiários da cooperativa de médicos poderiam migrar para outras operadoras sem serem submetidos ao período de carência ou cobertura parcial temporária, Eduardo decidiu trocar o plano da mãe, que sofre de hipertensão e problemas na coluna.
  

Mesmo com todos os documentos, no entanto, ele teve sua solicitação negada pela operadora Assistência Médica Internacional (Amil). 

Os clientes que seguiram os oito passos indicados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) – veja ao lado – e tiveram o cadastro negado pela  operadora desejada, como Antonieta, podem denunciar  o convênio  no disque ANS (0800-701-9656). Caso constatada irregularidade, a empresa poderá ser multada em, no mínimo, R$ 50 mil.

A portabilidade especial foi decretada pela ANS no dia 1º de abril e, até o dia 30 de maio, os beneficiários da Unimed Salvador devem solicitar a troca de plano.

“Fiz um registro na ANS contra a Amil e eles responderam que já abriram processo contra o convênio”, contou o administrador. Até o fechamento desta edição, a ANS não soube informar quantas reclamações do mesmo tipo foram registradas. 

O assessor técnico do Procon-BA, Felipe Vieira, explica que os beneficiários que passarem por problemas semelhantes aos de Eduardo e Erica também podem recorrer ao órgão. “O cliente deve buscar o Procon com a prova de que cumpriu todas as determinações e prestar queixa”.

Jogo de empurra
A leitora do CORREIO Erica Rangel enviou carta ao jornal relatando que passou por problema semelhante ao de Eduardo quando foi a uma operadora sugerida pela guia da ANS  (portabilidade.ans.gov.br/guiadeplanos), a Golden Cross, para solicitar a portabilidade especial para a mãe. “Foram recusadas as documentações requisitadas pela ANS”, diz. 

Erica conta que preencheu formulário na sede da operadora e que, 12 dias depois, a mãe dela recebeu telegrama informando que o convênio não oferece mais planos individuais na Bahia. “Já fiz uma reclamação na ANS. Enquanto isso, minha mãe segue sem plano de saúde”. 

Em nota, a Amil e a Golden Cross informaram que só oferecem planos coletivos na Bahia. O guia da ANS continua, no entanto, apontando  planos individuais nas operadoras. A assessoria da agência insiste que a Amil e a Golden Cross comercializam planos para pessoa física. 

Unimed Salvador
Outro problema do guia apontado pelos clientes da Unimed Salvador é que ele não filtra os planos da capital baiana. “Apareceram mais de 21 planos e só dois serviam para Salvador”, diz Eduardo.

O administrador conta que precisava fazer a portabilidade o mais rápido possível, uma vez que, nos últimos meses, diversos hospitais e clínicas  deixaram de atender pela Unimed Salvador. 

A mesma reclamação faz a servidora pública Angela, 58. “Minha mãe não pode ficar sem plano de saúde e, desde dezembro, a rede credenciada não está  atendendo”. Desde janeiro, a Unimed Salvador está suspensa de vender novos planos e, no início do mês, a cooperativa anunciou a suspensão da oferta de planos por dificuldades financeiras. 

Angela se queixa da falta de opções de operadoras. “Fizemos a portabilidade para um plano que não queríamos, da Unimed Nacional. É tão restrito que estamos pagando alguns atendimentos”. Já a mãe de Eduardo decidiu migrar para a Hapvida Saúde. A Hapvida estima que, nas quatro primeiras semanas, já havia realizado 365 contratos de portabilidade e que chegou a atender 140 pessoas em um dia. Com a alta procura, a operadora montou uma central de atendimento exclusivo para portabilidade, na Garibaldi, 391.

Fonte: Correio da Bahia

Imagem: Ilustração


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