Policiais civis param por 24 horas

Agentes da Polícia Civil, lotados no Complexo dos Barris, aderiram a uma paralisação de 24 para chamar atenção da Justiça para que os presos sejam transferidos para presídios. Segundo o presidente do Sindipoc, Marcos Maurício, o Complexo tem hoje 300 detentos, em condições precárias.

“As carceragens estão superlotadas. A juíza Andrea Mara, da Vara de Execuções Penais, há dois meses interditou as prisões aqui, mas não deu destinos aos detentos. As condições de prisões nesse Complexo são as piores possíveis. Além disso, as carceragens se encontram superlotadas, em tempo de ocorrer uma rebelião ai dentro e resultar em morte”, disse.

Maurício ainda reforçou que eles apenas decidiram parar por 24 horas, mas, “semana que vem, se as autoridades não decidirem a transferência dos presos, novamente iremos parar”. Todos os trabalhos dos agentes estavam suspensos, inclusive, os flagrantes. Os policiais alegam que acabam desviando suas funções de investigação para tomarem conta de presos.

“Acabamos sendo babás de presos. Quando adoecem, levamos para o médico. Em audiência, somos nós que conduzimos os internos aos fóruns. O nosso trabalho, que é de investigar, acaba ficando de lado por falta de tempo. Além disso, as péssimas condições em que os presos ficam custodiados num local sem estrutura, eles acabam pegando doença e passando para a gente”, contou um policial que pediu anonimato.

Do lado de fora do Complexo, os familiares dos internos reclamaram que foram pegos de surpresa e não puderam visitar os parentes presos. “Nós sabemos de toda precariedade que os presos passam ai dentro. Muitos dormem em pé, por falta de local para dormir. Não tem cama, lençol, nada disso. Nem bicho vive desse jeito. Sabemos que eles cometeram crimes, mas estão presos pagando por isso, porém, não é dessa forma que eles vão se regenerar para integrar a sociedade”, disse uma mulher que tentava visitar o marido.

Fonte: Tribuna da Bahia

Imagem: Ilustração


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