Policiais poderão receber até R$ 9 mil por redução de mortes violentas

O valor da premiação pode mais que dobrar, mas para isso a região deve ficar na primeira colocação; o servidor terá um adicional de 125% sobre os R$ 4 mil, chegando a um total de R$ 9 mil

Até R$ 9 mil no bolso para quem ajudar a reduzir o número de mortes violentas na área em que atua. Esse é o valor máximo possível do Prêmio por Desempenho Policial 2013 (PDP), lançado ontem pela Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP).

Segundo o secretário Maurício Barbosa, serão premiados os policiais das Áreas Integradas de Segurança Pública (Aisp) que atingirem a meta de redução de 6% de crimes contra a vida (ver mapa). A previsão é que o PDP seja pago em abril do ano que vem, após o comparativo dos índices deste ano com os de 2012.

Entre os critérios utilizados para o pagamento da gratificação está a participação do servidor na redução dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs): homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte.

Segundo o secretário, o benefício contemplará os servidores ativos lotados na SSP, polícias Militar e Civil e no Departamento de Polícia Técnica (DPT). O PDP pode chegar a R$ 4 mil, para delegados, oficiais da PM, peritos e analistas técnicos, e a R$ 2,8 mil, para investigadores, escrivães, praças e peritos técnicos, além de técnicos e auxiliares administrativos.

Mas, o valor da premiação pode mais que dobrar caso a meta de todo o estado seja superada. Se a taxa de CVLI for de 16,15 morte por cada 100 mil habitantes, o servidor terá um acréscimo em cima do valor do PDP. Nesse caso, a Aisp na primeira colocação terá um adicional de 125% sobre os R$ 4 mil, chegando a um total de R$ 9 mil.

“Estamos trazendo da iniciativa privada um estímulo para os servidores. Essa medida visa também integrar ainda mais as polícias. Temos que
fazer parcerias”, declarou o secretário.

Já o governador Jaques Wagner lembrou das Bases Comunitárias de Segurança como exemplo de sucesso na redução da criminalidade. “Nós não chegamos como invasores, mas como parceiros. Minha maior alegria é ver as lideranças locais querendo utilizar, por exemplo, os quepes da Polícia Militar, por identificarem os policiais como amigos e não como feitores”.

As unidades policiais que compõem uma Aisp são delegacias territoriais e especializadas, batalhões e companhias da PM, DPT e unidades dos bombeiros.

Contra
A presidente do Sindicato dos Peritos Criminalísticos da Bahia (Asbac), Eleusa de Oliveira, é contra a PDP. “O trabalho dos peritos é baseado em qualidade e isso requer tempo. Com o estímulo, o profissional pode ser induzido ao erro. Temos 347 peritos e o certo seria 2.600”.

O coronel Antônio Jorge Ferreira Melo, professor e pesquisador do Programa de Gestão e Estudo de Segurança Pública da Unifacs, também desaprova a iniciativa. “Isso pode desmotivar os policiais que não baterem as metas e criar um clima de competição”.

Recém-nomeado titular da 5ª Delegacia, em Periperi, o delegado Nilton Borba terá muito trabalho para garantir seu prêmio. A sua área registrou em 2012 a maior soma de homicídios e latrocínios, segundo a SSP: 247. “É um grande desafio e o prêmio é um incentivo. Vou conseguir redução. Talvez não a que espero, mas vai diminuir”, disse ele, que aposta na parceria com a PM para superar a meta.
Delegado ‘intocável’ premiado por resultados do ano passado
Durante a cerimônia de lançamento do PDP, policiais que atuam na Área de Segurança de Pau da Lima foram premiados simbolicamente pelos resultados obtidos em 2012.
Os homenageados são o delegado Carlos Habib, titular da 10ª Delegacia, a delegada Maria Andrade Ramos, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o major Gilson Soares Seixas, comandante da 47ª CIMP (Pau da Lima), e o major Nilton Evenon Marquês Menezes Araújo, da 50ª CIMP (Sete de Abril). Todos foram condecorados com medalhas.

Habib foi um dos dez delegados que se mantiveram no cargo mesmo com as 52 mudanças ocorridas na Polícia Civil, entre o mês de fevereiro e este mês, como o CORREIO mostrou anteontem. “Não foi um trabalho único. Foi o esforço de toda uma equipe”, declarou o delegado durante a cerimônia de lançamento. De acordo com dados da SSP, a área de Pau da Lima teve 161 mortes violentas em 2011, baixando pra 132 em 2012.

Fonte: Correio da Bahia


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