População passa necessidades no local onde petróleo foi descoberto no Brasil

Ontem completou 75 anos da descoberta de petróleo no Brasil, que ocorreu no bairro de Lobato, em Salvador. Mas a população local, onde ainda se pode ver o primeiro poço do país, não tem o que comemorar, muito pelo contrário. Ao que tudo indica, ao longo dos anos os royalties do petróleo não chegaram ao local. O entorno do poço está em péssimo estado de conservação. Praça, sede de uma cooperativa, quadra de esporte, entre outras obras, foram deixados para trás desde 2009, juntamente com um projeto social que faz muita falta à comunidade.

O primeiro poço do Brasil fica na Rua do Amparo, no Jardim Lobato. Até 2005, a população que vive no entorno tinha que lidar com o total abandono, tanto da administração pública como da Petrobras e da Agência Nacional de Petróleo. Envolta do marco histórico, apenas ruas sem saneamento básico, buraco e lama. Após reivindicação dos moradores, a Petrobras, finalmente, resolveu fazer algo pelo local.

Algumas obras foram realizadas. Entre elas, uma praça, que a pedido da líder da comunidade, Adélia Jesuína, recebeu o nome do Inácio Bastos, que, segundo ela, é o nome do soteropolitano que descobriu o petróleo no Lobato. “Seu feito acabou sendo creditado a outras pessoas. Queríamos fazer justiça”, conta Jesuína.

A praça, no entanto, está tomada pelo mato e a passagem do trem por perto rachou partes do concreto do seu pavimento. Perto foi construída também uma quadra de esportes, que está sem luz. Próximo dali foi construído um galpão, à beira da Baia de Todos-os-Santos, para reforma de barcos, que nunca foi utilizado com esse fim. O local acabou sendo invadido por moradores de rua e por usuários de drogas.

Ao lado da praça foi construído um sobrado onde seria a sede da Cooperativa Múltipla Ouro Negro do Lobato, que nunca foi instalada. Segundo os moradores, o sobrado nunca foi concluído totalmente. Outro galpão também foi construído, onde seria a Casa de Esportes, mas este teve o mesmo destino do outro galpão, virou reduto de drogados.

A única instalação, além da quadra de esporte, que foi usada conforme projetado foi a casa onde está a sede da associação dos moradores. Nela, no entanto, 35 computadores estão sem funcionamento há anos.

Comunidade lamenta fim do projeto Buscando Cidadania

Apesar da deterioração desses equipamentos, que serviam como área de convivência e lazer para a população, o que mais impacta a população local foi o fim do Projeto Buscando Cidadania. Encampado pela Petrobras, o projeto usava a quadra e a sede da associação e até a praça para promover cursos.

O projeto durou quatro anos, de 2005 a 2009. Eram oferecidos cursos de cabeleireiro, artesanato, corte e costura, dança, teatro, computação, entre outros. A interrupção do projeto foi abrupta e sem muita explicação, segundo a Adélia Jesuína. “Eles simplesmente deixaram de nos assistir e desde então temos pedido o retorno do projeto e a reforma das instalações, mas nada foi feito”, conta.

De acordo com Darcles Andrade, gerente de comunicação regional da Petrobras, a petrolífera não tinha, ou tem, obrigação de fazer benfeitorias no local. “Fizemos as obras como uma maneira de valorizar o marco histórico que se encontra no local. Tínhamos o objetivo de auxiliar a comunidade, mas não para sempre”, explica.

Ele conta ainda que a ideia era construir as instalações e deixar a manutenção com a Prefeitura, o que não foi assumido pela gestão de ex-prefeito João Henrique. Andrade, no entanto, tem uma boa notícia para a comunidade. “Apesar de não ser nossa obrigação, vamos reformar as instalações e entregá-las para a prefeitura atual”, disse, acrescentando que a reforma já está em processo licitatório.

Quanto ao projeto social, Andrade informa que a ideia não era mantê-lo por um período indeterminado e que não há perspectivas de retomá-lo. Contudo, ele explica que a comunidade pode apresentar um projeto para a Petrobras apreciar. “Não há garantias. Tudo vai depender do setor que analisa e aprova os projetos”, disse.

Esgotos

À medida que se afasta do primeiro poço de petróleo do Brasil, mais as dificuldades dos moradores do bairro ficam claras.Uma das mais dramáticas é a falta de saneamento básico. Não é difícil encontrar esgotos a céu aberto, cortando ruas.

Segundo a líder comunitária, Adélia Jesuína, os esgotos, que são verdadeiros córregos, vem acumulando dejetos desde as partes mais altas da região, como o Alto do Cabrito e Boa Vista. A situação piora nos períodos de chuva quando as ruas cortadas pelos esgotos ficam inundadas e as casas são invadidas pelos dejetos.

Na Rua Maria Amaral, por exemplo, as casas são construídas com a base elevada, ou os moradores constroem barreiras de alvenaria nas portas de casa para tentar evitar, segundo eles, o inevitável. Outra rua, entre tantas outras, que sofre com o esgoto a céu aberto é a Travessa União.

Apesar da deterioração desses equipamentos, que serviam como área de convivência e lazer para a população, o que mais impacta a população local foi o fim do Projeto Buscando Cidadania. Encampado pela Petrobras, o projeto usava a quadra e a sede da associação e até a praça para promover cursos.

Fonte: Tribuna da Bahia


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