Posto de saúde parece um casarão abandonado e nem banheiro possui

Foto: Angelo Pontes
Esse monte de ferrugem é a cadeira para os pacientes sentarem

Há um ano a Tribuna esteve no Centro de Saúde Doutor Péricles Esteves Cardoso, no bairro do Barbalho, que devido às precárias condições de higiene e de estrutura, havia suspendido o atendimento médico. De lá pra cá, nada mudou.

“Nós é que estamos fazendo a limpeza e higienização do local, sem ganhar nada a mais por isso. O pessoal contratado para fazer esse serviço está sem trabalhar por conta de salários atrasados. O posto precisa com urgência passar por uma reforma geral. As fiações estão velhas. Os computadores são lentos e demoramos de atender as pessoas para agendamento. Não temos segurança aqui e várias vezes somos ameaçados por conta da lentidão dos computadores. Não tem banheiro aqui para os pacientes e já chegamos a limpar fezes nos corredores. Falta muita coisa para isso aqui mudar e darmos um atendimento de qualidade para os moradores”, queixou-se um funcionário.

Na entrada da unidade, que funciona desde 1999, é notória a estrutura danificada. As paredes estão descascadas e esburacadas, mostrando os ferros que sustentam a estrutura. No chão, os buracos e os desnivelamentos estão à mostra devido à água da chuva. Os canais de esgotos também ficam visíveis e, quando chove, vários cômodos do posto ficam alagados. Os pacientes e funcionários convivem com a precariedade e dividem o local com ratos e baratas. “Como pode um posto de saúde parecer um casarão abandonado e fedido?”, pergunta outro funcionário.

Insegurança e falta de limpeza

O local, que atende das 7 às 17 horas, carece de vigilância, e gera insegurança aos profissionais e pacientes. Recentemente, uma funcionária teve o carro tomado de assalto quando estacionava na frente do posto. A segurança do posto foi retirada há mais de dois anos.

Por conta da fiação degradada, do lado de fora do posto nenhuma lâmpada pode ser colocada, uma vez que não suporta e acaba estourando. Com isso, aos arredores do posto, depois das 17h, fica escuro e torna perigosa a saída dos funcionários.

O gerente do posto, Humberto Adame Filho, disse que desde a inauguração a casa nunca passou por uma reforma. “O prefeito ACM Neto já está ciente do estado dessa unidade e prometeu empenho para reforma até junho deste ano. Agentes da prefeitura já estiveram aqui, olharam tudo que precisa ser feito e estamos ansiosos para o início da reforma, que pode sair a qualquer momento. Apesar dos problemas existentes, estamos com os nossos atendimentos diários funcionando normalmente e também com os medicamentos na casa”, salientou o gerente.

Sobre o pessoal contratado para o serviço de limpeza, Humberto disse que eles estão fazendo, mas deixaram de ir alguns dias devido ao salário atrasado pela gestão anterior. “Eles reclamam do não pagamento do mês de dezembro”.

Em 2012 a Secretaria Municipal de Saúde garantiu que o local era prioridade e estava incluído, junto com outros 30 postos, na previsão de uma reforma. No entanto, nada foi feito. A nova gestão da SMS reforçou os argumentos do gerente do posto e disse que não só a unidade do Barbalho, mas que outros postos em situação degradante estão no programa de prioridade das reformas previstas para acontecer a qualquer momento. Os recursos federais já estão garantidos para a reforma de 47 postos.

Fonte: Tribuna da Bahia


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