Primeiro paciente a fazer transplante de pele na Bahia recebe alta hospitalar

A segunda-feira do dia 13 de outubro certamente ficará marcada na história de Jeferson Borges, de apenas 12 anos. Ele foi o primeiro paciente que fez um transplante de pele, na Bahia, e recebeu alta ontem, à tarde, após mais de um ano no hospital. O garoto esperto e comunicativo recebeu a equipe de reportagem da Tribuna da Bahia, e contou como foi esse período no ambiente hospitalar.

Jeferson, que ficou 11 meses no Hospital Geral do Estado (HGE), e mais quatro meses no Hospital das Clínicas, conta que já se acostumou com o hospital, mas não escondeu a vontade é de ir para casa. Esta cirurgia foi o primeiro passo para os novos procedimentos que serão realizados na Bahia. Conforme o coordenador do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas, Dr.Valber Menezes, a partir do ano que vem o estado baiano já poderá contar com um banco de pele, e assim novas cirurgias serão realizadas.

“Já chegaram os equipamentos para a Bahia e acredito que aqui no Hospital das Clínicas já teremos um banco de pele ano que vem. Em caso de acidente de maior proporção, somente com o banco de pele poderemos atender a demanda, que certamente existe”. Menezes explica, no entanto, que no Hospital das Clínicas não foi feita nenhuma outra solicitação para transplante, porém a unidade já está finalizando o cadastramento como transplantadores até que o banco de pele seja implantado.

Este foi o primeiro transplante de pele do Estado da Bahia, realizado no dia 25 de agosto. Jeferson transplantou 2500 cm de pele na região dorsal. O garoto sofreu um acidente enquanto ia levar comida para seu irmão mais velho no trabalho, em Conceição de Coité. Teve uma lesão causada por queimadura elétrica, quando segurava uma barra de alumínio no ombro, comprometendo assim um membro superior.

“Eu até já me acostumei com aqui, eles me tratam bem. O transplante ocorreu bem, mas ainda vou fazer outra cirurgia com a minha pele mesmo”, disse. Jeferson conta que perguntou ao médico-cirurgião de quem seria a pele transplantada. “Eu perguntei a ele se seria de algum famoso minha pele. Mas soube que era de um gaúcho”, revela. A pele do Jeferson veio de Porto Alegre, estado que possui banco de pele.

O cirurgião Menezes explicou como foi o procedimento. “Ele tinha um ano internado no Hospital Geral do Estado (HGE), e seria preciso levá-lo para outro, como é o caso de Porto Alegre e Rio de Janeiro, que já possuem banco de pele. Porém, através da Secretaria de Saúde, houve um acordo com a Secretaria de Porto Alegre para que o procedimento fosse feito. Eles enviaram a pele aqui para a Bahia, e nós realizamos a cirurgia”, explicou Menezes.

O médico-cirurgião fez uma avaliação positiva da cirurgia. “O procedimento teve um resultado bom. O Jeferson não tinha pele suficiente para cobrir a queimadura grande que tinha na região dorsal, e só poderia ser recuperado com o transplante. Daí a necessidade de ter um banco de pele em qualquer estado, qualquer região, para que as pessoas possam receber o tratamento adequado, quando não há possibilidade de recuperação com a própria pele do paciente”, avaliou. Segundo ele, houve uma boa adesão do tecido pelo organismo. Isso significa que a pele ficou presa ao corpo.

 O garoto Jeferson contou quais são seus planos, agora que está em casa. “Vou para a igreja agradecer a Deus e me tornar pastor. Quero também fazer uma faculdade, mas ainda não sei qual”, disse. A mãe, Adriana Borges, conta que todo o dia agradece pela graça alcançada. “Ele é um vitorioso. Teve um acidente e viveu, vai poder testemunhar na igreja e ajudar outras vidas a não perder a fé”, disse.

Apesar de morar em Candeias, Adriana está há três meses diretos no hospital. “Estou acompanhando meu filho e todos os dias dou pulos de alegria por ele está bem. Ele vai recuperar todo tempo que ficou aqui”, afirmou. O primeiro transplante de pele do Brasil foi realizado há cerca de 20 anos em Porto Alegre, onde está o mais antigo banco de peles do país.

Fonte: Tribuna da Bahia

Imagem: Ilustração


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