Primeiros reajustes da conta de luz de 2015 ultrapassam os 40%

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou ontem os primeiros reajustes de contas de luz de 2015, que começam a sofrer impacto do repasse dos empréstimos bancários bilionários feitos pelo governo no ano passado para socorrer as distribuidoras. A alta nas tarifas supera, em alguns casos, os 40%.

Estão sendo votados nesta terça pela agência os reajustes de cinco distribuidoras do grupo CPFL (Mococa, Santa Cruz, Sul Paulista, Leste Paulista, Jaguari) que atendem cidades do interior de São Paulo, além da Energisa Borborema, que atua no interior da Paraíba. Esses aumentos começam a valer entre a partir de hoje.

O maior reajuste foi autorizado para a CPFL Jaguari, que atende 38 mil clientes nas cidades de Jaguari e Pedreira: de 45,7%, em média. Para os clientes residenciais e comércio atendido pela distribuidora, o aumento será de, em média, 39,49%. Já para indústrias e grandes consumidores de energia na área de atuação da empresa, será de 48,85%, em média.

Para a distribuidora, o impacto do repasse dos empréstimos bancários na tarifa é de 18,54 pontos percentuais. O diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, disse que essa alta expressiva nas contas de luz da CPFL Jaguari é “um ponto fora da curva” e que, mesmo com esse índice, os clientes da empresa ainda vão ter a energia mais barata entre as distribuidoras que passaram por reajuste nesta terça.

Amortização dos empréstimos bancários

No caso da CPFL Mococa – que atende a cidade paulista de mesmo nome e mais três cidades mineiras – o reajuste médio autorizado pela Aneel foi de 29,28% e começa a valer já nesta terça. Para residências e comércio atendidos pela distribuidora, o aumento médio é de 27,21%. Já para a alta tensão (indústrias), é de, em média, 35,37%.

De acordo com o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, “quase a metade” (12,69 pontos percentuais) do valor do reajuste será para arrecadar recursos que vão pagar os empréstimos que socorreram as distribuidoras no ano passado. Essa conta vai pressionar a tarifa da CPFL Mococa até 2016.

“A partir do reajuste tarifário de 2015, o valor da conta ACR [empréstimos bancários] será incluído na tarifa e permanecerá por dois ciclos tarifários. Não é uma elevação de custo que permanece, ele vai permitir a amortização dos empréstimos”, disse Rufino.
Pressionou ainda a tarifa da CPFL Mococa a elevação do custo da energia fornecida pela hidrelétrica de Itaipu e a compra de energia mais cara pela distribuidora em leilão recente.

A Energisa Borborema teve autorizado reajuste médio de 39,55%. Para residências e comércio, a alta média será de 40,19%. Já para a indústria, será, em média, de 38,62%.

De acordo com a Aneel, no caso da Energia Borborema o início do repasse dos empréstimos gerou impacto de 15,2 pontos percentuais.
Para a CPFL Sul Paulista, o aumento médio autorizado pela Aneel é de 28,38%. Os clientes residenciais e o comercio vão arcar com alta de 25,8% e, os industriais, de 33,71%. A empresa atende os municípios paulistas de Itapetininga, São Miguel Arcanjo, Guareí, Sarapuí e Alambari.

No caso da CPFL Santa Cruz, o aumento médio autorizado pela agência foi de 27,96%. Para residências e comércio, a alta será de 28,99% e, para indústrias atendidas pela distribuidora, de 26,15%.

Fonte: Tribuna da Bahia


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