Professores da USP encerram greve e retornam às atividades na segunda

Docentes realizaram assembleia nesta quinta-feira (18).
Funcionários devem decidir na sexta (19) pelo fim da greve.

Os professores da Universidade de São Paulo (USP) decidiram em assembleia nesta quinta-feira (18) encerrar a paralisação que já durava quase quatro meses e retomar as atividades na segunda-feira (22), de acordo com a Associação de Docentes da USP (Adusp).

Entretanto, os funcionários representados pelo Sintusp (Sindicato dos Funcionários da USP) só decidirão em assembleia na sexta-feira (19) se aceitam o acordo firmado na Justiça do Trabalho. O Sintusp foi o principal articulador da paralisação e negociou o acordo com representantes da USP na Justiça.

Segundo a assessoria da Adusp, a assembleia foi realizada às 10h30 no prédio do curso de Geografia, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. A maioria decidiu pelo retorno ao trabalho.

O acordo judicial fechado no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) na quarta-feira (17) definiu  como será a reposição dos 114 dias de greve e o pagamento do vale-refeição. Os funcionários se comprometeram a fazer uma hora extra por jornada, durante 70 dias. Em reuniões anteriores, a Justiça já havia decidido pelo reajuste salarial de 5,20% e pagamento de 28% de bônus.

Após a audiência de quarta, o Sintusp se comprometeu com o TRT a propor indicativo de final de greve aos trabalhadores.

A greve começou depois que o reitor Marco Antonio Zago anunciou o congelamento dos salários, afirmando que a crise de financiamento da USP fez com que a folha de pagamento respondesse por 105% do orçamento.

Sintusp prepara fim de greve
Nesta quinta, o Sintusp realizou uma reunião com representantes de diversas unidades para avaliar as propostas apresentadas durante o acordo no TRT.

O diretor do Sintusp, Magno de Carvalho, afirmou que o fato de a assembleia dos professores ter ocorrido antes não altera a decisão do sindicato. No entanto, ele acredita que o retorno às atividades na segunda-feira (22) é quase certo.

“Tanto nós quanto eles temos as mesmas perspectivas. Independentemente da decisão deles, nós queremos aprovar isso. Temos discutido unificar a saída [da greve]. O fato de a assembleia ter sido antes ou depois não vai mudar a nossa decisão. Tanto nós quanto eles já tínhamos articulado isso. Vamos sair juntos”, disse Magno de Carvalho.

Ele ressaltou que não foi anunciada nenhuma decisão até o momento porque era preciso haver uma reunião com os sindicalistas, independentemente da realizada pelos professores.

“O nosso comando de greve que se reuniu ontem e hoje vai defender o retorno ao trabalho na segunda, e é praticamente certo porque foi uma decisão unânime entre todos os integrantes. Não podemos aceitar o acordo sem uma assembleia. A deles ocorreu antes da nossa, mas teremos uma”, afirmou o sindicalista.

Acordo no TRT
O TRT realizou quatro reuniões e uma audiência para solucionar o impasse. O desembargador Davi Furtado Meirelles comemorou o resultado após a longa negociação. Para ele, essa foi uma das mais difíceis intermediações como magistrado.

Meirelles chegou a endurecer com os negociadores diante da dificuldade de consenso. Ele ameaçou mandar a julgamentos os itens sob impasse. Após o momento mais tenso, a reunião demandou telefonemas de negociadores da USP ao reitor da universidade.

Na semana passada, irritado com a demora da USP em apresentar proposta, o desembargador convidou o reitor a participar da audiência desta terça. Zago, porém, não pôde comparecer porque no mesmo horário tinha uma audiência na Assembleia Legislativa.

Abono salarial
Na tarde desta terça-feira (16), o Conselho Universitário da USP aprovou o abono salarial de 28,6% aos professores e funcionários técnico-administrativo, que estão em greve desde o fim de maio. Na semana passada, as reitorias da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) já haviam aceitado o abono de 28,6%.

Pela proposta acordada entre os sindicatos e os reitores, o aumento salarial será concedido em duas parcelas: de 2,57% na folha de setembro, a ser paga em outubro; e a outra, do mesmo percentual, na folha de dezembro, a ser paga em janeiro de 2015, totalizando os 5,2%. O décimo terceiro salário será pago com reajuste integral, de acordo com o texto.

USP e sindicato fecham acordo no TRT sobre reposição de dias parados (Foto: Roney Domingos/G1)

USP e sindicato fecham acordo no TRT sobre reposição de dias parados (Foto: Roney Domingos/G1)

Fonte: G1


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