Projeto usa cães para ajudar na recuperação de pacientes

Terapia foi implantada pioneiramente na área de internações de curto prazo do Hospital Universitário Pedro Ernesto

Cadela Bibiah, do Projeto Pêlo Próximo, é penteada por pacientesFoto: Fábio Seixo / O GloboRIO — Após um surto psicótico, o paciente X., de 18 anos, passou três semanas sendo medicado na Vila Fraternidade, área de internações de curto prazo do Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel. Semana passada, encerrado o tratamento, o rapaz recebeu alta e surpreendeu os pais e médicos com um pedido: queria continuar indo ao hospital às segundas-feiras à tarde. O motivo? Não queria perder contato com Nega Maria, Babi e Bibiah, as três cadelas terapeutas que visitam a instituição uma vez por semana, num programa de terapia assistida por animais.Integrantes do Projeto Pelo Próximo, que utiliza a pet terapia em várias instituições do Rio, os cães, acompanhados por voluntários, vêm ajudando médicos, psicólogos, terapeutas e enfermeiros a se comunicarem com os doentes e, em muitos casos, são o único estímulo para alguns internos se levantarem do leito. Há três meses implantado no Pedro Ernesto como projeto piloto, em 2014 o programa poderá ser estendido ao setor de psiquiatria infantil.A terapia com os peludos começa com uma visita aos quartos dos pacientes. Enquanto voluntários preparam jogos e materiais que serão usado no espaço de convivência, três integrantes do projeto percorrem os leitos com os cães na guia, convidando os internos a participarem das brincadeiras.

Em um hora de sessão, o grupo é estimulado a brincar de jogo da memória, jogo da velha, a fazer desenhos, pentear e embelezar os cães ou simplesmente tocar nos animais. Alguns pacientes são levados para caminhar com o cachorro na guia pelo pátio.

— Nosso projeto tem 20 cães terapeutas e duas calopsitas, mas neste trabalho usamos apenas três cães. Como se trata de pacientes psiquiátricos, o cão é usado como um ponto de equilíbrio, não fazemos atividades mais agitadas — diz Roberta Araújo, coordenadora do Pelo Próximo, acrescentando que o trabalho é supervisionado por um profissional de saúde.

Para criar vínculo com os pacientes, a equipe leva sempre os mesmos animais. O hospital exige que eles tenham carteira de vacinação em dia, tomem banho antes de cada sessão e usem remédio contra pulgas.

Segundo a psiquiatra Bianca Magnago Paiva, uma das profissionais que acompanham a implantação do projeto, os animais têm facilitado a socialização e a recuperação dos pacientes, que, entretidos em escovar o pelo do bicho ou em brincar num dos joguinhos de interação, exercitam a memória ou simplesmente a fala. Já houve casos de internos em depressão profunda que não reagiam ao tratamento convencional e, após algumas semanas de contato com cães, passaram a conversar e a sair do quarto.

A fisioterapeuta Fernanda Estela Doring, voluntária do projeto junto com a cadela Bibiah, diz que os pacientes transferem seu afeto para o cão e passam a falar e a contar seus problemas para o animal.

— Ele falam com o cão, choram, desabafam — resume.

Pesquisas comprovam que animais de estimação trazem benefícios para a saúde, ajudando a baixar a pressão sanguínea e a ansiedade e até aumentando a imunidade. Este ano, um dos principais hospitais de São Paulo, o Albert Einstein, liberou a entrada suas dependências de bichos de estimação para visitar pacientes. Além de cães, gatos e até passarinhos podem ser levados para ver os donos que estiverem internados. A medida faz parte de uma série de medidas para humanização do hospital. Os donos devem apresentar carteira de vacinação, comprovação de banho, laudo veterinário e autorização do médico.

Fonte: G1 / O Globo


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