Reunião tenta solução para crise financeira do Hospital Espanhol

Espanhol recebeu R$ 4 milhões, de um total de R$ 25 milhões, previstos para ser repassados pela Caixa Econômica Federal (CEF)

Com as folhas salariais de maio, julho e agosto em atraso, além de uma dívida de R$ 400 mil em honorários médicos, o Hospital Espanhol deixou de receber novos pacientes e encaminhou para a regulação os que estavam no local.

Apesar de a direção da empresa negar o encerramento das atividades, a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) lamentou em nota “o fechamento desta instituição secular”. Está prevista para hoje, às 14h, uma reunião na sede do Ministério Público do Estado (MPE), com representantes das promotorias de Saúde e de Direito do Consumidor, das secretarias de Saúde do estado e do município, além da direção do Espanhol.

De acordo com o diretor do corpo clínico da instituição, o médico Dejean Amorim, nesta terça (9) havia apenas quatro pacientes internados no local, que possui 214 leitos vazios, 60 de unidades de tratamento intensivo (UTI), seis UTIs neonatal.

Há cerca de um mês, os médicos do Espanhol decidiram que não internariam mais ninguém. De acordo com Amorim, a decisão tinha como objetivo preservar a saúde dos pacientes, uma vez que o hospital começava a apresentar carência de materiais básicos para o atendimento.

“Quem estava em risco foi transferido porque estávamos vendo o momento da situação chegar aonde chegou”, disse o médico. Para ele, o quadro vai repercutir negativamente nas redes pública e privada, que vão ter que absorver a demanda de pacientes.

Por outro lado, segundo o superintendente do Hospital Espanhol, Cláudio Imperial, as atividades estão apenas supensas por conta da paralisação. “Temos toda a estrutura e equipamentos, mas não temos no momento o mais importante, que são os médicos”, disse.

No início deste ano, o Espanhol recebeu R$ 4 milhões, de um total de R$ 25 milhões, previstos para ser repassados pela Caixa Econômica Federal (CEF). De acordo com Imperial, os R$ 21 milhões pendentes, que seriam usados para dar conta do fluxo de caixa do hospital, não teriam sido repassados por conta do descumprimento do acordo com o banco.

Ele culpa a Fundação José Silveira, que não teria conseguido reduzir despesas e aumentar as receitas do Espanhol. Segundo o assessor institucional da Fundação José Silveira, Carlos Dumet, o acordo entre as instituições era de cooperação técnica.

“Nós nunca fomos responsáveis pela gestão do Espanhol”, diz, ressaltando que os problemas que teriam levado ao fechamento do hospital surgiram a partir de maio, um mês após o fim do acordo de cooperação.

A Sesab informou que fez diversas tentativas no sentido de ajudar a unidade “a sair da crise financeira que se encontrava, inclusive participando do Conselho de Administração, com o seu representante ocupando a função de conselheiro executivo”.

De acordo com a secretaria, no entanto, “o ambiente institucional e administrativo da instituição impediu que o desfecho, agora presenciado, fosse alterado”.

A Sesab informou ainda que não tem mais nenhum paciente sob a responsabilidade do estado no Espanhol e que, desde o dia 18 de agosto, “por solicitação através de ofício, assinado por Cláudio Imperial, orientou a Central Estadual de Regulação a não encaminhar nenhum paciente para a referida unidade”.

Fonte: Correio da Bahia


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