Saiba o que fazer para seu dinheiro render mais no atual cenário

Para pequenas quantias, a poupança continua sendo o melhor investimento, mesmo rendendo abaixo da inflação

Victor Longo, com agências
victor.longo@redebahia.com.br

A divulgação da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que variou apenas 0,03% em julho, foi recebida em ritmo de festa ontem pelo governo federal. “A inflação está completamente sob controle, atingindo os valores mais baixos do período”, celebrou a presidente Dilma Rousseff em entrevista a rádios em Minas Gerais. Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o resultado do IPCA próximo de zero “significa que a inflação sempre esteve sob controle”.

No entanto, a alta acumulada em 12  meses ainda está em 6,27%, distante do centro da meta de 4,5% estabelecida pelo governo – um cenário considerado ainda desconfortável para a economia por especialistas.

“As declarações de Dilma e de Mantega sobre o controle da inflação não são bem assim. A inflação de 6,27% em 12 meses ainda é alta. O resultado desse mês foi pontual -, afirmou Fernando Parmagnani, economista da Rosenberg & Associados. Ele admite, porém, que o resultado da inflação no segundo semestre será melhor do que no primeiro, ainda que o dólar alto seja uma preocupação.

A deflação nos segmentos de transportes e alimentos e bebidas ajudou o índice oficial no país a registrar a variação de apenas 0,03%, a menor taxa desde julho de 2010, quando tinha sido 0,01%.

Em junho, a inflação pelo IPCA havia sido de 0,26%, com alta de 3,15% nos cinco primeiros meses do ano e de 6,70% no acumulado em 12 meses, ficando acima do teto da meta de 6,5%.

Empregados
O destaque de preços altos foi o segmento das despesas pessoais, que variou 1,13% de junho para julho, gerando um impacto de 0,12 ponto percentual no IPCA de julho. Dentro do segmento, o item empregado doméstico foi o que mais pressionou os custos das famílias, com alta de 1,45%, e impacto de 0,06 ponto percentual no resultado do mês. Segundo os especialistas, a variação foi resultado da aprovação da PEC das Domésticas, que aumenta os custos do patrão para manter um empregado.

O resultado veio dentro da expectativa dos analistas. Projeções reunidas pela agência Bloomberg variavam entre deflação de 0,13% e inflação de 0,20% no mês de julho. Com o resultado de julho, o IPCA em 12 meses volta a ficar dentro do limite da meta do governo, que é de 4,5% com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Num cenário de inflação alta, a dica de especialistas em investimentos para quem pode esperar um prazo maior são os chamados títulos públicos, especialmente os do Tesouro direto atrelados à inflação.

“Esse títulos são dívidas do governo a serem financiadas por pessoas físicas no mercado”, explicou o analista do FuturaInvest Alan Oliveira. “O título que é atrelado à inflação é o Notas do Tesouro Nacional tipo B (NTN-B). Teve um rendimento de 7,87% nos últimos 12 meses”, completa.

Já o professor de Economia da Ufba Oswaldo Guerra adverte que esse tipo de aplicação só é vantajosa para quem pode guardar a partir de R$ 1 mil e tem disponibilidade para deixar o dinheiro parado até, pelo menos, 2016. “Comprando o título do governo atrelado à inflação, você tem garantia de que o governo vai te pagar um rendimento fixo mais o valor da inflação”, explicou. “Mas esse pagamento só será honrado se você deixar o dinheiro até o final”, explicou. A incidência do imposto de renda sobre a quantia aplicada começa em 22,5%, mas cai até 15% no fim do prazo.

Para quem tem um prazo menor, a partir de dois anos, os fundos de investimento atrelados à inflação podem ser a opção adequada. Mas, para quantias menores, a poupança continua sendo o melhor investimento, mesmo rendendo abaixo da inflação.

Salvador tem  deflação com baixa de bebida e alimentação
Em julho, a capital baiana teve o segundo melhor resultado nos índices de inflação divulgados ontem pelo IBGE. Em geral, os preços ao consumidor amplo em Salvador baixaram 0,19%. Apenas Goiânia teve queda maior dos preços no país: 0,23%. Entre as cidades cujos preços mais aumentaram no mês passado estão Curitiba, onde a inflação teve alta de 0,48%, e Fortaleza, onde os preços subiram 0,19% de junho para julho.

Na análise por grupos, a capital baiana apresentou queda generalizada. “Observamos que quase todos os grupos tiveram comportamento de queda. O mais importante nesse indicador foi o de alimentação e bebidas, um recuo de 1,03%”, disse o coordenador de Disseminação de Informação do IBGE, Joilson Rodrigues.

Em 2013, o grupo alimentos e bebidas foi o segundo que mais avançou, perdendo apenas para a educação. “A inflação acumulada para o grupo de alimentos e bebidas no ano é de 6,66%, menor apenas do que educação, que avançou 7,61%”, explicou Rodrigues.

Segundo o coordenador do IBGE, a forte queda dos alimentos é uma espécie de correção à “inflação exacerbada” vista nos meses anteriores. “Esse grupo influenciou muito na deflação de julho, já que tem peso forte: consome 27,75% da renda das famílias de até 30 salários.


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