Salvador pode ficar sem ônibus a partir de quinta-feira (07/05)

Entre as principais reivindicações dos rodoviários estão o reajuste salarial de 20%, redução da jornada de trabalho para seis horas diárias, planos de saúde e odontológico sem desconto, aumento no valor do tíquete-alimentação e aumento de 30% na periculosidade

A capital baiana pode ficar sem ônibus à partir desta quinta-feira, caso rodoviários e patrões não cheguem a um acordo que ponha fim às divergências entre as partes. Se por um lado a reclamação é de que, além da negativa de reajuste pedido, os empresários querem cortar direitos já conquistados pelos rodoviários, do outro, o patronato reclama que os aumentos solicitados são muito altos, mas que estaria disposto a renegociar itens da pauta de reivindicações.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Rodoviários  no Estado da Bahia, Hélio Ferreira, a última reunião aconteceu na última quarta-feira, dia de 29 de abril e terminou sem acordo. De lá pra cá, não aconteceram novos encontros. “Solicitamos, junto ao Ministério Público e a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, que eles possam intervir para que as negociações possam recomeçar entre a gente e os patrões, já que eles parecem estar irredutíveis”, afirmou.

Entre as principais reivindicações dos rodoviários estão o reajuste salarial de 20%, redução da jornada de trabalho para seis horas diárias, planos de saúde e odontológico sem desconto, aumento no valor do tíquete-alimentação e aumento de 30% na periculosidade. “Além dessas, o patronato vem negando todos os outros itens da nossa pauta”, disse Ferreira. Os patrões alegam, segundo ele, que estão em momento de crise e que o atendimento às pautas poderia acarretar mais problemas financeiros às empresas.

Outra queixa por parte dos rodoviários é com relação a um direito que, segundo eles, foi conquistado e, agora, os patrões querem tirar. “Temos o direito de folgar, pelo menos, dois domingos por mês. Agora, além da negativa das nossas propostas, eles querem tirar um dos nossos dias para descanso. Não vamos permitir uma coisa dessas”, reclamou. Se as reuniões entre as partes não ocorrerem até a próxima quinta-feira, o Sindicato fará duas assembleias, no mesmo dia – uma pela manhã e outra pela tarde –, para definir se o grupo vai paralisar as atividades ou entrar em greve.

Rodoviários metropolitanos suspendem paralisação

Por outro lado, o Sindicato das Empresas de Transportes de Salvador (Setps), que representa os patrões, definiu como absurdas as exigências feitas pelos rodoviários. “Dentro do que eles pedem, se cedêssemos, eles teriam um reajuste de 62% no salário, sem contar a periculosidade, o que elevaria esse aumento a mais de 90%. Quem pede uma coisa dessas, simplesmente não quer negociar”, disse Jorge Castro, assessor de relações sindicais do órgão.

Mas, Castro disse que o Sindicato estaria disposto à, pelo menos, negociar um dos itens da pauta: a do reajuste salarial. “Esse é um assunto que acreditamos que ainda podemos resolver, fazer uma contraproposta junto aos rodoviários. No entanto, caso não haja acordo, vamos deixar que a Justiça do Trabalho julgue o que for mais conveniente”, comentou. Com relação a diminuição dos dois dias de folga mensais dos rodoviários, o assessor explicou a situação. “Está na Lei que eles tem que ter pelo menos um dia de folga por mês. Fizemos até algumas experiências no sentido contrário, mas não estamos conseguindo dar conta da escala e, por isso, vamos seguir o que está na Lei para levar este item adiante”, salientou.

Suspendem greve
Marcada para esta terça-feira, a paralisação de 24 horas dos rodoviários baianos dos setores de fretamento, intermunicipal, metropolitano e urbano que aconteceria em cidades da região metropolitana como Camaçarí, Alagoinhas, Candeias, foi suspensa. A decisão foi tomada após uma reunião realizada na tarde de ontem, na sede da Agerba, em Salvador, entre representantes do Sindicato dos Rodoviários e do órgão estadual.

Segundo o Sindicato, as reivindicações dos protestantes junto ao Governo do Estado foram atendidas, tais como a não licitação no setor de transporte metropolitano e a manutenção dos postos de trabalho. A decisão pela greve havia sido tomada no último dia 23 de abril, em assembleia.

Fonte: Tribuna da Bahia

imagem: Ilustração


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