Senadores brasileiros são barrados em visita a opositores na Venezuela

Simpatizantes do governo cercaram carro e começaram a bater nos vidros.
Como trânsito estava bloqueado por policiais, senadores não passaram.

Os senadores brasileiros que foram à Venezuela visitar políticos da oposição tiveram de voltar para casa sem cumprir a missão. Eles foram barrados por um protesto de simpatizantes do governo de Nicolás Maduro e por bloqueios policiais no trânsito.

O desembarque no Aeroporto Simon Bolivar foi o prenúncio de uma visita frustrada. Os senadores brasileiros ficaram quase uma hora presos no avião. Quando finalmente desembarcaram foram recebidos pelas mulheres de presos políticos.

O grupo seguiria até o presídio militar de Ramo Verde para se encontrar com o opositor Leopoldo López, que está em greve de fome há quase um mês, mas a rodovia estava bloqueada. Segundo a polícia, por causa de um acidente de trânsito. Foi então que dezenas de simpatizantes do governo cercaram o microônibus e começaram a bater nos vidros. Como os policiais não abriram passagem, nem afastaram os manifestantes, a comitiva teve que dar meia volta.

“Isso é a constatação clara de que aqui não há liberdade nem de ir e vir e nem muito menos democracia”, disse o senador Agripino Maia.

Os senadores ainda fizeram uma nova tentativa de seguir para o destino, mas dessa vez chegou a notícia de que o trânsito estava interrompido, para a limpeza de um túnel. Depois de seis horas praticamente sem sair do lugar, os senadores voltaram para o aeroporto e embarcaram para o Brasil. Tiveram que desistir da missão de visitar os líderes da oposição, presos pelo governo de Nicolás Maduro.

Em uma rede social, a mulher de Leopoldo López agradeceu a visita da comitiva brasileira. E acrescentou: “Os senadores brasileiros constataram em tempo recorde a situação do país: não há liberdade”.

O principal líder da oposição, Henrique Caprilles, pediu desculpas à delegação brasileira e escreveu: “Não confundam Nicolás Maduro com a nobre pátria da Venezuela”.

A repercussão foi imediata no Brasil contra o clima de intolerância enfrentado pela comitiva de parlamentares brasileiros na Venezuela. O governo cobrou explicações e o Itamaraty condenou as manifestações contra os senadores, disse que foram hostis e inaceitáveis.

A reação em Brasília foi forte principalmente no Congresso, onde parlamentares condenaram a forma com que os colegas foram tratados na Venezuela.

Era meia noite quando os oito senadores brasileiros desembarcaram na Base Aérea de Brasília. Eles foram e voltaram no avião emprestado pela Aeronáutica e contaram que foram surpreendidos com a recepção que tiveram em Caracas.

Reclamaram da violência dos manifestantes. “O que ocorreu é inadmissível e o que nós vamos exigir é uma posição dura do governo brasileiro, senão nós vamos, do ponto de vista político também, congressualmente, fazer as retaliações necessárias em defesa da democracia”, disse o senador Aécio Neves.

Também se queixaram que o embaixador brasileiro recebeu a comitiva no aeroporto, mas não seguiu com eles. “Nós estamos em uma missão oficial. A função do embaixador é acompanhar o representante de um poder quando lá está falando pelo país, pelo Congresso Nacional”, disse o senador Ronaldo Caiado.

O Itamaraty disse, por meio de nota, que vai pedir explicações ao governo da Venezuela. Lamentou o que aconteceu com os senadores, mas afirmou que o governo deu todo o apoio à comitiva e que tinha garantia das autoridades de lá de que que os parlamentares estariam protegidos por policias. A nota fala ainda que são inaceitáveis atos hostis de manifestantes contra parlamentares brasileiros.

No Congresso, muita indignação. A Câmara aprovou uma declaração de repúdio. O presidente do Senado, Renan Calheiros, condenou o que chamou de gestos de intolerância e a senadora Ana Amélia disse que é preciso repensar o papel da Venezuela no bloco do Mercosul. “No Mercosul, a cláusula democrática deveria ser respeitada. A Venezuela provou, com esse gesto, que não está respeitando a cláusula democrática”, afirmou.

“Eu não tenho dúvida nenhuma que o governo da presidenta Dilma tomará as providências devidas, fruto daquilo que efetivamente for verificado, especialmente nesta visita dos senadores brasileiros a Caracas”, disse o senador Delcídio Amaral.

Além dos senadores que você viu na reportagem, estavam nessa comitiva Aloysio Nunes e Cássio Cunha Lima, do PSDB; Ricardo Ferraço, do PMDB; José Medeiros, do PPS; e Sérgio Petecão, do PSD.

Fonte: G1 / Bom dia Brasil


Compartilhe:

Comentários: