Sequestrador diz ter planejado crime com informações de rede social

Peterson da Silva Machado, de 30 anos, afirma ter feito plano em 10 dias.
Ele diz ter descoberto escola da criança e trabalho do pai pelo Facebook.

Peterson e Rosicleide foram presos na terça-feira (3) (Foto: Larissa Vier/RBS TV)Em depoimento na Polícia Civil de Gaspar na tarde da terça-feira (3), Peterson da Silva Machado, de 30 anos, afirmou ter planejado o sequestro do menino de 9 anos em Ilhota, no Vale do Itajaí, com base em informações disponibilizadas em uma rede social.

“No Facebook mostra tudo. Foi coisa de [planejei em] 10 dias, no máximo. Se vocês puxarem lá vão ver como mostra tudo da vida pessoal. Mostra até dentro da casa deles”, diz o sequestrador que foi preso em Brusque na terça, quando comprava um carro para fugir. Ele ainda afima ter descoberto a escola do menino e o trabalho do pai pela rede social.

O homem diz ter planejado o crime sozinho. Ao passar em frente à loja que o pai do menino, uma magazine de grande porte, começou a buscar informações nas redes sociais. “Vi um pôster de propaganda do lugar com duas pessoas famosas [posando]. Daí então comecei a ‘fuçar’ nos negócios”, falou.

Menino de 9 anos reencontrou família nesta terça-feira (Foto: Larissa Vier/RBS TV)Sequestro era uma ‘brincadeira’

Peterson alega nunca ter pensado em matar o menino. “A criança não ficou muito assustada porque eu falei que era um jogo. Eu não queria assustar a criança. Disse que o pai dela tava sabendo desse jogo e que ela teria que ficar uma semana para gente pra ver como ficaria”. Os quatro participantes do crime combinaram de não dizer palavras de baixo calão em frente a criança.

“Em vez da gente jogar videogame, a gente jogava a vida real”. Peterson contou que assim explicava a criança sobre a situação que passavam. Durante os cinco dias de cativeiro, o sequestrador afirma que a criança ‘comia, bebia, cantava rap e assistia desenhos”.

Quando o menor perguntava sobre a família, Peterson alegava que estava tudo bem. “Inclusive que eles tinham mandado beijo”. Ele levou os policiais ao cativeiro do garoto. O homem jura ter se emocionado quando viu o reencontro da família. “Hoje mesmo quando a gente foi lá e eu vi toda aquela família ali […] ia ficar feio [chorar]. Não choro em casa e choro ali na frente de todo mundo”.

Sequestro 
O menino é filho de um casal de empresários de Ilhota. Ele foi capturado na quinta-feira (29), aproximadamente às 19h30, no momento que brincava com um patinete motorizado, na rua da casa em que mora. O primeiro pedido de resgate foi feito 30 minutos depois do sequestro, quando os criminosos solicitaram R$ 500 mil em dinheiro. No outro dia, o valor foi aumentando para R$ 600 mil.

A criança foi levada para o Litoral e permaneceu reclusa em uma casa. O locador da residência preferiu não se identificar, mas relatou para a equipe da RBS TV, que o local estava alugado desde abril. O valor de R$ 800 mensais foi pago antecipadamente até o mês de setembro. “O casal que alugou a casa era simpático, não desconfiei de nada. Não tinha nenhuma suspeita”, relata o dono da casa que serviu de cativeiro para o garoto.

Prisão dos criminosos
Segundo a Polícia Civil, os mentores do sequestro são Peterson da Silva Machado, 30 anos, e Rosicleide Rodrigues, 32 anos. Peterson foi preso em Brusque na manhã desta terça, por volta das 10h. Ele estava comprando um carro para a fuga do grupo. Após ser detido, confirmou a participação no crime e levou a polícia até o cativeiro – avisando que no local estava outro casal armado.

Antes do final da manhã, uma equipe da polícia chegou ao local e estourou o cativeiro. Aconteceu uma troca de tiros, o casal que estava na casa foi morto e o menino, recuperado. Por volta das 12h, a criança foi entregue aos pais no município de Ilhota.

Outra equipe da Polícia Civil prendeu Rosicleide Rodrigues, arrumando as malas, por volta das 16h, no município de Barra Velha.  Ela é apontada como quarta integrante do grupo. Foi quem locou a casa que serviu de cativeiro ao lado de outro homem, que se dizia seu marido. A polícia suspeita que a mulher chegou a ter contato com a família do menino por trabalhar no ramo têxtil.

Os dois chegaram na Deic, em Florianópolis, por volta das 23h de terça. Eles passaram a noite na delegacia e devem ser levados para a Penitenciária de Florianópolis ainda nesta quarta (4). As identidades dos dois criminosos mortos no cativeiro ainda não foram divulgadas pela polícia.

Identidade falsa
De acordo com o delegado Egídio Maciel Ferrari, responsável pelo caso, o casal Peterson e Rosicleide tem extensa ficha criminal. Peterson tinha quatro mandatos de prisão por assalto em aberto, todos praticados no Sul do estado. Ao mudar-se para Indaial, no Vale do Itajaí, usou uma identidade falsa com o nome de ‘Petroson’. Na cidade, causou uma briga em um bar e foi preso por 15 dias. Peterson é natural do Pará, mas na identidade falsa consta que ele é mineiro.

Já Rosicleide tem cadastrados boletins de ocorrência  por extorsão,  ameaça, perturbação e estelionato. Entretanto, nunca foi presa. O casal já estava junto há pelo menos um ano.

Fonte: G1


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