Sujar Salvador agora dá multa

Agora é pra valer. A partir de sexta-feira (28), quem não colaborar para a manutenção da cidade mais limpa terá que arcar com as consequências previstas pelo decreto municipal. No final desta semana, exatamente no dia que o decreto começa a vigorar, o prefeito ACM Neto anuncia os detalhes do programa, em uma entrevista coletiva. Um dia antes, uma ampla campanha publicitária terá inicio com o objetivo de alertar e conscientizar a população sobre a necessidade de mudança de postura e de ações sobre o descarte do lixo.

“Já passou da hora de a população colaborar para manter a cidade limpa”, ressaltou a presidente da Limpurb, Kátia Alves. Na coletiva, os dias e horários de coleta nos bairros serão anunciados, assim como ações de preparação da prefeitura para que a população tenha como fazer o descarte correto destes resíduos. “Nós reforçamos o número de papeleiras (lixeiras de postes) espalhadas na cidade com o acréscimo de mais três mil unidades. Só na Avenida Sete todos os postes de iluminação foram contemplados”, salientou.

Segundo ela, todos os ônibus que circulam em Salvador também possuem cesto de lixo, não havendo justificativa para aquelas pessoas que são flagradas jogando lixo pela janela dos coletivos. “São ações tão pequenas, mas que, se respeitadas, vão oferecer uma cidade bem melhor para todos, além de representar grande economia para os cofres públicos”, continuou. Ela também chama a atenção para o descarte de volumosos – itens grandes que geralmente lotam sozinhos os contêineres de lixo, como eletrodomésticos e móveis inutilizáveis.

Para fazer o descarte correto deste material, há três postos específicos espalhados na cidade: um no bairro do Itaigara, um na Federação – na Rua Sergio de Carvalho – e outro no Curralinho. Quem preferir pode solicitar a coleta gratuita que também é realizada pela Limpurb. O serviço pode ser requisitado através do 156 ou através do site da entidade http://www.limpurb. salvador.ba.gov.br/.

Apesar de passar a valer a partir de sexta-feira, os primeiros 60 dias da lei, que também prevê a punição para aqueles que fazem xixi nas ruas, serão de caráter educativo, não sendo emitidas multas, como está na legislação. Neste período, os infratores serão notificados por agentes municipais, que estarão espalhados pela cidade, principalmente em regiões identificadas como críticas. De acordo com a gestora da Limpurb, já há localidades e estabelecimentos que são monitorados, reincidentes em não colaborar para a limpeza no município.

Para manter a população informada de dias e horários, imãs de geladeira serão distribuídos nos bairros. Alves ressalta que atualmente, 88% dos bairros de Salvador possuem a coleta diária. Os demais 22% recebem a coleta alternada. Após o período educacional do programa, terá início a incidência de multa aos infratores, que variam de R$ 67,23 a   R$ 1.008,45 para o cidadão comum e de R$ 268,92 a   R$ 2.016,90 para empresas.

“O objetivo da prefeitura não é arrecadar dinheiro com multas, mas manter a cidade limpa”, continuou Kátia, informando que, atualmente, o município gasta mais de R$ 1 milhão por dia na coleta. Ela também ressaltou que a Limpurb está apertando a fiscalização das empresas responsáveis pela coleta, em relação ao cumprimento do horário e à relação dos serviços de passagem nos bairros e na varrição. “Quando as empresas não cumprem com o combinado com o município também recebem multas, que são descontadas no valor que é pago dos cofres públicos”, garantiu.

Como toda novidade, a lei do lixo ainda gera polêmica entre a população. Embora considere indispensável para a saúde e para a manutenção da beleza da cidade, há quem diga que a capital baiana ainda não está pronta para cobrar uma postura mais rígida da população. É o caso do ambulante Antonio Medeiros. Na opinião dele, deveria haver mais intervenções na cidade, antes de começar a valer a lei. “Aqui na Barra, por exemplo, só há dois banheiros químicos que atendem a todo mundo da região do Farol. Muitas vezes estão impraticáveis, não deixando outra opção a não ser fazer xixi na rua”, afirmou.

Em relação ao lixo, a queixa de José Raimundo de Jesus é sobre as poucas lixeiras na cidade. “Não é em todo lugar que a gente acha. Eu tenho o hábito de procurar lixeiras e sei do que estou falando”, finalizou. Também há quem acredite que a iniciativa irá trazer mais benefícios do que transtornos e que só através da punição poderá haver mudança de comportamento.

Fonte: Tribuna da Bahia


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