Suspeitas de tortura no litoral de SP têm prisão preventiva decretada

Medida foi expedida pela Justiça no fim da tarde desta quarta-feira (5).
Advogados de defesa irão entrar com recurso para reverter a decisão.

Suspeitas de tortura e agressão a jovem em Praia Grande (Foto: Reprodução/Facebook)

Suspeitas de terem torturado uma adolescente em Praia Grande, no litoral de São Paulo, Elisângela Maciel Fernandes, de 22 anos, e Jackeline Justino de Souza, de 21, tiveram suas prisões preventivas decretadas pela 2ª Vara Criminal do município nesta quarta-feira (5). As duas já estavam detidas por conta de um pedido de prisão temporária, válido por 30 dias. A prisão preventiva é uma medida cautelar.

 

Suposta cúmplice de tortura a jovem é presa no litoral de SP (Foto: Reprodução/TV Tribuna)

A decisão é contestada pelas defesas das jovens, que pretendem entrar com pedidos de revogação das prisões preventivas das suspeitas. As solicitações serão apresentadas ainda nesta semana.

O advogado de Elisângela, Fábio Baptista, já planeja a ação. “Vou entrar com um pedido de liberdade provisória, com a regulação em cima do pedido de prisão preventiva que foi feito. Devo entrar na sexta-feira (7) com essa ação”, diz.

Já a defensora de Jackeline, Sabrina Dantas, acredita que a prisão preventiva não deveria ter sido aplicada à sua cliente, suspeita de ser cúmplice de Elisângela no episódio. “Isso é um absurdo, pelo menos no que diz respeito à minha cliente. Ela tem residência fixa, emprego e se apresentou espontaneamente à polícia”, afirma Sabrina, que deve protocolar a ação nesta quinta-feira (6).

Enquanto aguardam as medidas que serão tomadas pelos seus defensores, as suspeitas seguem presas na carceragem do 2º Distrito Policial (DP) de São Vicente, também no litoral paulista.

Elisângela costumava postar fotos em poses sensuais nas redes sociais (Foto: Reprodução/Facebook)

Pai defende filha de acusações
O pai da jovem Elisângela Maciel Fernandes, apontada como autora de uma série de torturas contra uma adolescente de 17 anos em Praia Grande, diz que a filha fez uma “loucura por amor”. Ele defende que Elisângela sofreu durante o período em que se relacionou com Diego da Silva Santos, o “Bolinho”, porque a vítima das agressões perseguia o rapaz na esperança de reatar um relacionamento que ambos tiveram no passado.

Elisângela foi presa no dia 27 de outubroapós prestar depoimento na Delegacia da Mulher de Praia Grande. A delegada responsável pelo caso, Rosemar Cardoso Fernandes, manteve a suspeita detida após verificar que ela não possuía título de eleitor, o que abriu a possibilidade da prisão ocorrer mesmo durante o período eleitoral. A jovem não seria considerada eleitora, por não possuir um registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O pai de Elisângela, que prefere não se identificar, afirma que notou uma mudança no físico da filha com o passar dos meses, após ela começar a se relacionar com “Bolinho”. “Eu mesmo quase não paro em casa. Estou sempre viajando a trabalho, mas chegou a um ponto em que eu perguntei para minha esposa o que havia acontecido com a minha filha. Ela estava magra demais, pensei até que estivesse doente. Foi quando minha mulher disse que era por conta do rapaz, que ela estava sofrendo demais por causa dele, aborrecimento com a ex-namorada dele”, conta.

Elisângela sai algemada da Delegacia da Mulher de Praia Grande, SP (Foto: LG Rodrigues/G1)

Título de eleitor
O fato de Elisângela não possuir título de eleitor pode ocasionar outros problemas à jovem, além de sua prisão. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o documento é obrigatório a todos os cidadãos com mais de 18 anos e facultativo para quem tem entre 16 e 18 anos, ou mais de 70. O título é também opcional para cidadãos não alfabetizados. Quem não possui o título, ou se o mesmo encontra-se cancelado, não pode solicitar a emissão de passaporte ou do cartão do CPF, inscrever-se em concursos públicos, renovar a matrícula em estabelecimentos oficiais de ensino, obter empréstimos em caixas econômicas federais e estaduais, entre outras restrições.

Desdobramentos
Durante entrevista ao G1, Jackeline, que já havia respondido por outro caso de agressão, negou ter participado do crime. “Eu estava no local, mas apenas gravei. Não tinha como pedir ajuda porque o apartamento estava trancado. Insisti para que a Elisângela parasse. Falei que a vítima poderia morrer”, explicou.

Após a prisão de Jackeline, Elisângela, que estava desaparecida, resolveu gravar um vídeo dando a sua versão sobre a agressão. O vídeo foi feito em comum acordo com o advogado da suspeita e ela afirmou estar arrependida. Segundo Elisângela, a agressão ocorreu porque a vítima perseguia insistentemente o namorado dela, tentando de todas as maneiras interferir no relacionamento. “Ela falava que ia ficar com ele e mandava mensagens. Ele sempre me mostrou e falou que ela era uma vagabunda. Tentei falar com a mãe dela para não me complicar porque ela é menor de idade. A mãe prometeu dar um jeito, mas não adiantou nada. Nenhuma mulher tem sangue de barata. Bati nela porque ela é safada. Agora está se fazendo de coitada”, afirmou.

Já a jovem torturada, uma adolescente de 17 anos, afirma que foi sequestrada e espancada após Elisângela suspeitar de uma traição. Segundo ela, o crime ocorreu no dia 30 de setembro. Em entrevista do G1, ela disse nunca ter se relacionado com o rapaz enquanto ele estava com a outra. “Ela não tem que fazer isso com ninguém. Não tem preço o que ela fez. Espero que ela amargue na cadeia, que é o lugar dela”, criticou a jovem que, além das queimaduras causadas pelo cigarro, sofreu uma deformação no crânio.

:Fonte: G1


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