Teste de 20 minutos com aplicativo identifica doenças

Vinte minutos. Esse é o tempo em que o paciente suspeito de ter dengue ou chikungunya vai ter a confirmação de que está, ou não, com a doença, após realizar um teste rápido e simples. A novidade foi apresentada na manhã de ontem, pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), no lançamento da campanha “Dengue ou Chikungunya? Não vacile, vá a uma unidade de saúde”, no auditório do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), no bairro de Brotas, em Salvador.

De acordo com o órgão, foi desenvolvido um teste rápido que, associado a um aplicativo em smartphone com GPS, vai permitir, simultaneamente, a localização em tempo real dos casos, a fim de controlar rapidamente os surtos. O procedimento é rápido, seguro e gratuito. Basta uma gota de sangue e o resultado tem eficácia de 99,8%. O aplicativo e o teste foram desenvolvidos em parceria entre o médico infectologista Roberto Badaró e a empresa Orangelife. Antes, se levava cerca de 60 dias para se saber os resultados, através de um exame de sangue, que era enviado a um centro de referência localizado no Pará.

Agora, os dados do paciente, o resultado e sua localização exata serão transmitidos em tempo real para a central da Sesab, que aciona o plano de controle e combate, em parceria com os municípios. Para iniciar a campanha, serão disponibilizados mil testes e 100 aparelhos para os agentes de saúde. “Esse aparelho não foi criado para que nós encontremos os pacientes com a doença, mas sim para encontrar os locais onde há os maiores focos do mosquito”, disse Badaró.

Segundo a Sesab, o equipamento estará em até três semanas nas mãos dos agentes de saúde que vão passar por capacitação e atuarão, inicialmente, nas cidades onde há o maior número de casos no estado, como Feira de Santana, Riachão do Jacuípe e Ribeira do Pombal. Em Salvador, aparelhos como esses também serão utilizados, já que o objetivo da secretaria é que não haja um crescimento no número de casos da doença na capital baiana.

“O teste rápido a beira do leito permitirá identificar, mais precocemente, os casos. Com isso, nós podemos estabelecer medidas que identifiquem os surtos de uma doença ou de outra. Assim, podemos concentrar esforços do sistema de saúde em regiões que estejam necessitando de uma ação mais focada da assistência direta da atenção básica da Secretaria de Saúde”, contou o secretário de saúde do estado, Fábio Villas Boas.

Antes da coleta, os agentes vão realizar uma espécie de pré-teste com o paciente, para saber que tipo de sintomas ele está sentido, a fim de haver uma maior precisão com relação à doença que ele contraiu em seu organismo. Por ser um projeto piloto, o valor do investimento não foi divulgado, mas, para se ter uma ideia, no método comum, cada exame tinha o valor de aproximadamente R$ 1 mil. O novo procedimento custa até 20 vezes menos.

Ainda de acordo com ele, dependendo do diagnóstico do paciente, caso ele esteja com dengue, por exemplo, serão adotadas as medidas conhecidas para o tratamento da enfermidade. Por outro lado, caso a pessoa esteja com chikungunya,  há toda uma campanha de orientação para que a unidade médica trate a doença, uma vez que, segundo o secretário, os pacientes podem ficar com sintomas por meses no organismo, deixando sequelas.

Registros de casos no estado

Segundo boletim divulgado pela Diretoria de Vigilância Sanitária da Sesab foi registrado 3740 casos de chikungunya em todo o estado. Desses, 1775 foram confirmados entre o mês de setembro de 2014 até o começo do mês de março deste ano. Feira de Santana ainda é o município com o maior número de casos confirmados (1.096). Logo em seguida vêm os municípios de Riachão do Jacuípe (539) e Ribeira do Pombal (122). Já Salvador teve 161 casos da doença notificados no mesmo período. No entanto, apenas cinco foram confirmados.

Já com relação à dengue, até o mês de fevereiro deste ano, quase 2900 casos suspeitos foram informados pelas unidades de saúde do estado. No mesmo período de 2014, segundo a Sesab, foi registrado pouco mais de quatro mil casos, o que corresponde a uma queda de 28% em quantidade de pacientes com a doença. As cidades com o maior número de casos notificados até então são Jequié (546), Ilhéus (476), Salvador (299), Itabuna (239) e Feira de Santana (152).

Apesar de terem sintomas parecidos e serem transmitidas pelo mosquito Aedes Albopictus, uma diferença pode ajudar o paciente, a saber, se ele está com dengue ou com chikungunya, cujo vírus, que é originário da África, avança nas juntas dos pacientes e causa inflamações com fortes dores acompanhadas de inchaço, vermelhidão e calor local. Já a dengue, as dores aparecem no corpo todo. Já no caso da dengue, há o risco de evolução para a forma hemorrágica, o que representa risco à vida do paciente.

O nome, cujo significado é “andar encurvado”, deve-se a posição que ficam os pacientes por conta das dores justamente nas articulações. A transmissão da doença, inicialmente, se restringiu aos países da África e Ásia. No entanto, em países como os Estados Unidos e o Canadá também já foram registrados casos. No Brasil, o primeiro caso se deu no estado do Amapá, em setembro do ano passado. Porém, o estado da Bahia é o que registra o maior número de incidência da doença.

Fonte: Tribuna da Bahia


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