Tomate e arroz ficam mais baratos em Salvador e baixam preço da cesta básica

Os dois produtos ficaram entre os que mais caíram de preçoO custo da cesta básica voltou a cair em Salvador, tendo reduzido 0,54% em setembro, com relação ao mês anterior, e passou a custar R$ 256,16, contra os R$ 257,54 registrados em agosto.

A cesta de Salvador continuou sendo a 2ª mais barata dentre as 18 capitais pesquisadas pelo DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos. A cesta básica pesquisada em Salvador é composta de 12 produtos, conforme definido pelo decreto-lei 399 de 30 de setembro de 1938.

Apesar da redução de preço em setembro, se for acumulada a variação nos últimos 12 meses (de outubro de 2012 a setembro de 2013), o custo dos alimentos básicos registra alta de 17,66%, na capital baiana. No acumulado de janeiro a setembro de 2013, a alta acumulada é de 12,79%.

A leve redução no custo da cesta básica resultou num pequeno aumento do poder de compra para o trabalhador soteropolitano que ganha um salário mínimo. Esse trabalhador comprometeu 41,07% de seu rendimento líquido com a cesta básica em setembro, percentual ligeiramente menor que o verificado em agosto (41,29%).

O rendimento líquido do salário mínimo é de R$ 623,76, após desconto de 8% (referente à contribuição previdenciária) sobre o atual valor bruto de R$ 678.

Ainda em função da redução do custo da cesta, esse mesmo trabalhador soteropolitano precisou trabalhar menos tempo para adquirir uma cesta básica. O tempo necessário apurado em setembro foi de 83 horas e 07 minutos. Em agosto, era preciso 83 horas e 34 minutos.

Em Salvador, o custo da cesta básica para o sustento de uma família foi de R$ 768,48 durante o mês de setembro. Esse valor é 13,35% maior que o salário mínimo bruto vigente (R$ 678). Em agosto, o custo da alimentação básica para a família era de R$ 772,62 na capital baiana.

O custo familiar com a alimentação básica toma como referência uma família composta por quatro pessoas: dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto. Ou seja, equivale ao custo de 3 cestas básicas.

Salário Mínimo

O DIEESE estima que o salário mínimo necessário deveria corresponder a R$ 2.621,70 em setembro, valor que equivale a 3,87 vezes salário mínimo vigente em 2013 (R$ 678,00). Para estimar o valor do salário mínimo necessário, o DIEESE toma por base o maior custo apurado para a cesta básica, que em setembro foi observado em São Paulo (R$ 312,07). Também leva em conta a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Em decorrência da redução no custo dos alimentos básicos verificada na capital paulista (-2,37%), o valor estimado para setembro é menor que o apurado em agosto, quando a estimativa era de um salário mínimo de R$ 2.685,47. Em setembro de 2012, o mínimo necessário foi estimado em R$ 2.616,41, o que representava 4,16 vezes o salário mínimo de então, de R$ 622,00.

Comportamento dos preços

A cesta básica em Salvador ficou mais barata em setembro em função da redução de preços de 5 dos 12 produtos que a compõem, puxada principalmente pela forte redução no preço do tomate e do arroz. Os outros produtos que registraram redução de preço foram: o feijão (-7,19%), o pão (-2,17%) e a carne (-0,18%). As maiores altas foram da banana (23,68%) e do café (10,26%).

O preço médio do tomate, apesar de ter registrado alta em agosto, está em trajetória de queda desde abril. Em setembro, a redução foi de 23%, e, no acumulado de janeiro a setembro, o produto registra queda de 29,03% em Salvador.

O arroz foi o produto que registrou a segunda maior redução no preço médio em Salvador: -11,23% em setembro. A tendência nas demais capitais também foi de queda de preço. No ano, o grão é um dos poucos produtos da cesta que acumulam redução no preço médio em Salvador (-9,34%). Os produtores, contudo, têm segurado a oferta como forma de pressionar as cotações para cima.

O preço médio do feijão caiu 7,19% em setembro. Apesar de ser a segunda queda consecutiva, o feijão ainda acumula forte alta em Salvador ao longo de 2013: +21,95% de janeiro a setembro. A 3ª safra do grão, apesar de ser responsável por apenas 10% da safra total do país, foi considerada satisfatória pelos produtores e mantém as cotações em patamares menos elevados desde agosto.

O preço médio do pão registrou redução de 2,17% em setembro, mas na análise anual está em ritmo de crescimento, com alta acumulada de 29,96%. A escassez do trigo no mercado gerou um aumento em torno de 30% no valor do cereal, o que mantém a tendência de alta para os próximos meses.

A carne bovina apresentou leve redução no preço médio em Salvador, com variação de -0,18% em setembro. Contudo, houve predominância de alta nas demais capitais pesquisadas, apesar de as vendas internas estarem em queda.

A banana, que havia registrado forte redução em agosto, foi o produto com maior alta no preço médio em setembro: +23,68%. Esta fruta costuma registrar fortes variações para cima ou para baixo, uma vez que é fornecida basicamente por agricultores familiares, além de ser bastante perecível.

Em setembro, o café teve alta de 10,26% na capital baiana. A colheita da safra normalmente vai de maio a agosto, o que justificaria preços mais baixos no atual período. O que se verifica, no entanto, é um movimento de alta em boa parte das capitais pesquisadas. Em Salvador, esta foi a segunda alta seguida e num ritmo mais forte neste último mês.

A farinha de mandioca registrou a quarta alta seguida em Salvador, com variação de +9,63% em setembro. Apesar de ter a maior área plantada de mandioca do Brasil e ser o segundo maior produtor nacional da raiz (ficando atrás do Paraná), a Bahia depende de outros estados para o abastecimento de fécula e farinha para consumo humano. A redução na oferta em função das condições climáticas verificadas desde o ano passado ainda pressionam para cima os preços do produto na capital baiana. Nos últimos 12 meses, a alta acumulada é de 135,12%.

O açúcar voltou a registrar alta no preço médio em Salvador. Em setembro, a variação foi de +5,06%, mais intensa que a registrada em agosto (+1,71%). Adversidades climáticas e não climáticas (menor investimento na produção) fizeram elevar a especulação em torno do preço do açúcar, que há algum tempo estava em baixa no mercado internacional.

Fonte: Tribuna da Bahia


Compartilhe:

Comentários: