Transexual que cortou testículos com estilete há 12 anos finalizará procedimento no SUS

A transexual, que hoje trabalha como cuidadora de animais, diz que não se arrepende da decisão; ela passa por acompanhamento psicológico até a realização da cirurgia em um hospital público

Há doze anos, a transexual Simone Rodrigues retirou os testículos em casa com um estilete. Agora, aos 36 anos, ela dará início ao acompanhamento com psicólogos da rede pública de saúde do Distrito Federal.

Simone, que é natural de Monte Alegre, no Piauí, decidiu cortar a parte do corpo que mais lhe incomodava aos 16 anos, quando trabalhava como doméstica em uma casa no Distrito Federal. Antes de fazer a retirada do órgão com um estilete, a transexual procurou diversos hospitais públicos do DF para se informar sobre o procedimento, e como não conseguiu ajuda, executou o procedimento em casa.

Em entrevista ao G1, Simone contou com a ajuda de uma amiga dentista, que conseguiu a anestesia. “Eu falei para a minha amiga que queria tirar bicho de pé de cachorro, então ela me deu [a anestesia] de graça. Fiz o corte, costurei tudo direitinho. Fiz o curativo e fiquei tomando água de caju, estava no filtro da minha casa com uma semana de antecedência. Em 15 dias, eu já não sentia mais dor nem nada”, lembra.

A transexual, que hoje trabalha como cuidadora de animais, diz que não se arrepende da decisão. “Alguma coisa eu precisava fazer para me aliviar um pouquinho.”Eu pensava que precisava fazer alguma coisa e fiz. Agora, só falta terminar. Se dependesse de mim, já teria feito, já teria tirado o resto”, contou.

Desde 2008, o Ministério da Saúde passou a oferecer as cirurgias de mudança de sexo em quatro unidades de saúde do país: Hospital das Clínicas de Porto Alegre (RS), Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ), Fundação Faculdade de Medicina (SP) e Hospital das Clínicas de Goiânia (GO).

Os pacientes passam por acompanhamento psicológico por no mínimo dois anos antes da cirurgia. Se não for morador de nenhum dos quatro estados onde o procedimento é realizado, o acompanhamento é feito nos centros de saúde locais. Depois do período, os pacientes são incluídos na lista de um dos quatro hospitais.

Fonte: Correio da Bahia


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