Unirio, uma universidade sem prevenção contra incêndios

Na montagem, um laboratório do Instituto Biomédico da Unirio e uma mangueira contra incêndio em mau estado de conservação na Escola de Enfermagem /Foto: Fotos de Lauro NetoRIO – Mais de 17 mil alunos matriculados na Unirio correm perigo ao estudar nos cinco campi da universidade, que não têm equipamentos adequados de combate a incêndio. Durante os últimos 20 dias, O GLOBO esteve nas unidades e constatou que mais de 50 extintores estão com a validade da carga vencida. Em alguns equipamentos, a última manutenção foi feita em janeiro de 2004. Além disso, faltam mangueiras, e algumas das que existem estão mal acondicionadas, em meio a material de limpeza e até álcool e papel.

A partir de duas denúncias, uma sobre o Centro de Ciências Jurídicas e Políticas (CCJP), em Botafogo, e outra sobre o Instituto Biomédico (IB), na Rua Frei Caneca, no Centro, repórteres do GLOBO foram aos dois locais e aos outros três campi, na Avenida Pasteur. No CCJP, cuja fachada é tombada pela prefeitura, há pelo menos seis extintores com a validade da carga vencida em 2010 no prédio de quatro andares onde as aulas acontecem.

— É preocupante. Se pegar fogo, não dará para fazer nada. O prédio tombado está deteriorado, não tem nem piso e não poderia ter aulas — diz André Teixeira, aluno de Ciências Políticas.

Já no Instituto Biomédico, a situação é ainda mais grave. Na porta do Laboratório de Química de Alimentos, é possível ler um cartaz com o alerta: “Atenção: usamos solventes e gases altamente inflamáveis”. No extintor que fica ao lado, a data da realização da última manutenção é de janeiro de 2004. O mesmo acontece nos equipamentos dos outros quatro andares do prédio, que ainda têm mangueiras em mau estado.

— Em algum momento haverá um incêndio de grandes proporções e uma tragédia maior que a de Santa Maria — teme uma aluna de Medicina, que preferiu não se identificar, referindo-se ao incêndio na boate Kiss, no Rio Grande do Sul, que deixou 241 mortos em janeiro.

Nos três campi da Urca, a situação não é melhor. Até no prédio da reitoria, na Avenida Pasteur 296, há pelo menos três extintores com a última manutenção feita em 2010. A seguinte deveria ter sido realizada em fevereiro de 2011. Na mesma unidade, chamam a atenção as péssimas condições de conservação das mangueiras.

No prédio da Escola de Enfermagem, no mesmo endereço, junto a três mangueiras em andares diferentes, era possível encontrar material de limpeza, álcool, papel e uma caixa de sugestões e reclamações. Já no edifício de Nutrição, mesas e lixo encobrem a caixa da mangueira. Além disso, há pelo menos dez extintores com a validade vencida, e uma das estruturas onde deveria estar o equipamento se encontra vazia.

Já no prédio de Museologia e Biblioteconomia, na Avenida Pasteur 458, uma das duas caixas das mangueiras está vazia no quarto e último andar. Há dois extintores por andar, todos vencidos. No Centro de Letras e Artes, que fica na mesma avenida, os problemas são os mesmos. No Instituto Villa-Lobos, onde são realizados os cursos de música, não há extintores ou mangueiras num dos blocos. O último andar tem uma ligação com o prédio da Escola de Teatro, onde há três extintores vencidos no último piso, sendo dois jogados num corredor com entulho.

Segundo a legislação, a conservação dos equipamentos fixos (hidrantes, mangueiras, sprinklers etc) e móveis (extintores de incêndio) de prevenção e combate a incêndios deve ocorrer sempre a intervalos de, no máximo, três meses.

Bombeiros fizeram fiscalização em 2012

Informado pelo GLOBO sobre a grave situação da Unirio, o Corpo de Bombeiros informou que a última fiscalização na universidade ocorreu no fim de 2012, quando a instituição foi notificada. Segundo a corporação, uma nova vistoria deve acontecer em breve. Os próximos procedimentos previstos na legislação são aplicação de multa e, até mesmo, interdição. De acordo com os bombeiros, a manutenção e a troca dos equipamentos são de responsabilidade da universidade.

A Unirio informou que já tinha ciência dos problemas e, para solucioná-los, contratou uma empresa especializada em manutenção geral de extintores de incêndio, para realizar recarga, teste e substituição de peças. A contratação foi feita por meio de pregão, e a nota de empenho foi emitida há três dias. O prazo de início dos serviços é de um mês. “No entanto, dada a importância deste trabalho, estamos concentrando todos os esforços para que seja iniciado no menor período possível (considerando os trâmites necessários do processo)”, diz uma nota da Unirio.

A instituição informa ainda que, em fevereiro, abriu um processo para contratar uma empresa especializada em projeto de segurança contra incêndio e pânico em todos os campi.

— A Unirio tem ciência dos diversos problemas estruturais que afetam a instituição e trabalha comprometida a solucioná-los — disse o reitor em exercício José da Costa Filho.

Fonte: G1 / O Globo


Compartilhe:

Comentários: