Ver imagens da pátria atrapalha fluência em outro idioma, diz estudo

Cientistas analisaram imigrantes chineses e europeus que vivem nos EUA.
Rosto ou objeto da terra natal pode alterar padrões cerebrais e sociais.

Ver imagens da terra natal pode atrapalhar a capacidade de uma pessoa em processar uma língua estrangeira, aponta um novo estudo feito pela Columbia Business School, em Nova York, e pela Universidade de Administração de Cingapura. Os resultados, segundo os autores, podem ajudar a entender como imigrantes adquirem fluência em um segundo idioma e como uma fala pode interferir na outra.

De acordo com a pesquisa, publicada na revista “Proceedings of the Natural Academy of Sciences” (PNAS) de segunda-feira (17), essas imagens podem ser tanto de um rosto quanto de um objeto que represente a pátria do indivíduo.

Estudos anteriores já haviam descoberto que estímulos que evocam a cultura de um lugar podem alterar, no subconsciente, os padrões de funcionamento cerebral e o comportamento social em pessoas bilíngues.

Nesse trabalho, porém, a equipe liderada por Shu Zhang e Michael Morris analisou se as imagens da terra natal poderiam desencadear mudanças no uso do idioma nativo e, consequentemente, no processamento da segunda língua.

Para isso, foram avaliados dois grupos: um de chineses que vivem nos EUA e outro de imigrantes europeus. Os cientistas viram que, ao ter acesso a imagens que remetem à China (como a Grande Muralha), o primeiro grupo aumentou seu conforto social, mas reduziu a fluência no inglês. Esses efeitos, porém, não foram identificados entre os europeus.

A pesquisa apontou também que, após o contato visual com a própria cultura, os chineses tiveram uma maior tendência de nomear objetos com traduções literais do idioma pátrio, como chamar pistache de “nozes felizes” – pelos ideogramas, o significado desse fruto seco verde. Isso sugere que as estruturas lexicais do chinês se intrometeram no processamento do inglês.

Fonte: G1


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