Vigilância começa a medicar moradores da Federação para combater meningite

A Vigilância Epidemiológica do Município já iniciou o bloqueio no bairro da Federação onde identificou pessoas que tiveram contato direto com o morador que morreu no último sábado vítima de meningite meningocócica. Inicialmente, 50 pessoas foram medicadas com antibióticos (quimioprofilaxia). Esta é a medida preventiva que inibe a proliferação da doença. O órgão continua monitorando possíveis novos casos, cumprindo determinações preconizadas pelo Ministério da Saúde.

Até o último dia 4 de maio, Salvador registrou 15 casos de meningite meningocócica, uma diminuição de 40% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram confirmadas 25 ocorrências. Quanto à taxa de letalidade, foram confirmadas 9 mortes em 2012, enquanto que em 2013 ocorreram 5 óbitos, segundo registro epidemiológico da Secretaria de Saúde do Município.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde o número de casos de meningite até agora é menor do que o ano passado. Com a morte de um homem de 45 anos, morador do bairro da Federação registrada no último sábado até hoje, foram registrados 5 mortes em Salvador e 10 em outros municípios baianos, o que perfaz um total de 15 casos.

No mesmo período do ano passado (2012), foram 14 mortes, sendo 9 em Salvador por doença meningocócica. Até o dia 4 de maio foram registrados 15 casos de meningite meningocócica na cidade, houve uma diminuição dos casos em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram confirmadas 25 ocorrências.

O que é meningite

Segundo o médico infectologista Raimundo Coelho, a meningite é uma infecção que se instala principalmente quando uma bactéria ou vírus, por alguma razão, consegue vencer as defesas do organismo e ataca as meninges, três membranas que envolvem e protegem o encéfalo, a medula espinhal e outras partes do sistema nervoso central. Mais raramente, as meningites podem ser provocadas por fungos ou pelo bacilo de Koch, causador da tuberculose.

Nas meningites virais, o quadro é mais leve. Os sintomas se assemelham aos das gripes e resfriados. A doença acomete principalmente as crianças, que têm febre, dor de cabeça, um pouco de rigidez da nuca, inapetência (falta de apetite) e ficam irritadas. Uma vez que os exames tenham comprovado trata-se de meningite viral, a conduta é esperar que o caso se resolva sozinho, como acontece com as outras viroses.

As meningites bacterianas são mais graves e devem ser tratadas imediatamente. Os principais agentes causadores da doença são as bactérias meningococos, pneumococos e hemófilos, transmitidas pelas vias respiratórias ou associadas a quadros infecciosos de ouvido, por exemplo.

Em pouco tempo, os sintomas aparecem: febre alta, mal-estar, vômitos, dor forte de cabeça e no pescoço, dificuldade para encostar o queixo no peito e, às vezes, manchas vermelhas espalhadas pelo corpo. Esse é um sinal de que a infecção está se alastrando rapidamente pelo sangue e o risco de septicemia (infecção generalizada) aumenta muito. Nos bebês, a moleira fica elevada.

Importante destacar que os sintomas característicos dos quadros de meningite viral ou bacteriana nunca devem ser desconsiderados, especialmente em duas faixas etárias extremas: nos primeiros anos de vida e quando as pessoas começam a envelhecer. Na presença de sinais que possam sugerir a doença, a pessoa deve ser encaminhada para atendimento médico de urgência.

Todos os tipos de meningite são de comunicação compulsória para as autoridades sanitárias. O diagnóstico baseia-se na avaliação clínica do paciente e no exame do líquor, líquido que envolve o sistema nervoso, para identificar o tipo do agente infeccioso envolvido.

Se houver suspeita de meningite bacteriana, é fundamental introduzir os medicamentos adequados, antes mesmo de saírem os resultados do exame laboratorial. O risco de sequelas graves cresce à medida que se retarda o diagnóstico e o início do tratamento. As lesões neurológicas que a doença provoca nesses casos podem ser irreversíveis.

Prevenção e vacinas

A vacina contra o Haemophilus influenzae tipo B também protege contra a meningite e faz parte do calendário oficial de vacinação.A vacina contra a meningite por pneumococo, embora tenha sido lançada na Europa e nos Estados Unidos, onde as características da bactéria são um pouco diferentes, fornece boa proteção também no nosso País.

A partir de 2011, a vacina conjugada contra meningite por meningococo C faz parte do Calendário Básico de Imunização. O esquema de vacinação obedece aos seguintes critérios: uma dose deve ser aplicada aos três meses; outra, aos cinco meses e a dose de reforço, aos doze meses.

O tratamento das meningites bacterianas tem de ser introduzido sem perda de tempo, porque a doença pode ser letal ou deixar sequelas, como surdez, dificuldade de aprendizagem ou comprometimento cerebral. Ele é feito com antibióticos aplicados na veia.

Assim como para as outras enfermidades causadas por vírus, não existe tratamento específico para as meningites virais. Os medicamentos antitérmicos e analgésicos são úteis para aliviar os sintomas. Meningites causadas por fungos ou pelo bacilo da tuberculose exigem tratamento prolongado à base de antibióticos e quimioterápicos por via oral ou endovenosa.

Recomendações

—  Cuidados com a higiene são fundamentais na prevenção das meningites. Lave as mãos com frequência, especialmente antes das refeições;

—  Alguns sintomas da meningite podem ser confundidos com os de outras infecções por vírus e bactérias. Não fique na dúvida: criança chorosa, inapetente e prostrada, que se queixa de dor de cabeça, precisa ser levada, o mais depressa possível, para avaliação médica de urgência. 

Fonte: Tribuna da Bahia


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